{"id":107414,"date":"2018-04-06T10:20:06","date_gmt":"2018-05-11T13:19:33","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=107414"},"modified":"2018-05-11T10:19:33","modified_gmt":"2018-05-11T13:19:33","slug":"ocupacao-%e2%80%98garimpar-em-minas-negras-cantos-de-diamante%e2%80%99-estreia-na-funarte-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=107414","title":{"rendered":"Ocupa\u00e7\u00e3o \u2018Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante\u2019 estreia na Funarte SP"},"content":{"rendered":"<p>No dia 13 de abril tem in\u00edcio, na Sala Carlos Miranda, a ocupa\u00e7\u00e3o Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante. Em cartaz at\u00e9 29 de abril, o projeto apresenta a\u00e7\u00f5es que fazem parte de uma pesquisa sobre cantos de origem africana \u2013 realizada no Alto Jequitinhonha, norte de Minas Gerais. Al\u00e9m do espet\u00e1culo Epis\u00f3dio I: Uenda-congembo (morrer), apresentado sextas (exceto dia 20) e s\u00e1bados, \u00e0s 21h, e domingos, \u00e0s 19h, as atividades envolvem ensaios abertos e rodas de conversa.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dio I: Uenda-congembo (morrer) aborda as tens\u00f5es \u00e9tnicas e a busca de identidade cultural vividas atualmente. O espet\u00e1culo parte do di\u00e1logo criativo com os vissungos, cantos de tradi\u00e7\u00e3o centro-africana antigamente entoados na regi\u00e3o do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais. A pe\u00e7a tem como pano de fundo o ambiente da minera\u00e7\u00e3o do diamante e as prociss\u00f5es dos enterros \u2013 pr\u00e1ticas sociais em que esses cantos se desenvolveram. Em meio ao jogo entre mem\u00f3rias pessoais, dados hist\u00f3ricos e met\u00e1foras po\u00e9ticas, \u00e9 tra\u00e7ado um caminho que visa a reconstruir a rela\u00e7\u00e3o entre ancestralidade e atualidade. Essas quest\u00f5es se apresentam no corpo e na vida interior do ator, que, sozinho em cena, trafega por diferentes figuras presentes no universo dos antigos cantos e em seu universo \u00edntimo, criando uma autoetnofic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo prop\u00f5e uma reflex\u00e3o: em suas \u00faltimas horas, uma pessoa pode ser tudo o que n\u00e3o sabe. Se for negra, pode experimentar ser branca; se n\u00e3o for negra nem branca, pode experimentar ser um pardal. Se for mo\u00e7a, pode experimentar ser velha; se n\u00e3o for mo\u00e7a nem velha, pode experimentar ser uma raiz. Sendo homem, pode experimentar ser mulher; n\u00e3o sendo homem nem mulher, pode experimentar ser uma crian\u00e7a. Quando um canto antigo se tornar o \u00fanico meio de se lembrar de sua hist\u00f3ria, ser\u00e1 necess\u00e1rio, ent\u00e3o, que ela busque estar acordada tamb\u00e9m dentro de seus sonhos. Que n\u00e3o durma antes do sol raiar, sen\u00e3o todos os diamantes que inocentemente escondeu do tempo, em algum lugar secreto, virar\u00e3o carv\u00e3o e queimar\u00e3o sem calor ou se tornar\u00e3o o grafite para seu Livro da Vida, mas aquele que n\u00e3o escreveu com o pr\u00f3prio punho.<\/p>\n<p>O projeto Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante se desenvolve a partir da pesquisa criativa sobre o repert\u00f3rio de vissungos, registrados em partituras e grava\u00e7\u00f5es (fonogr\u00e1ficas e audiovisuais). Tamb\u00e9m s\u00e3o abordados os aspectos hist\u00f3rico-sociais e mitopo\u00e9ticos que envolvem esses antigos cantos. O interesse sobre o tema teve origem na experi\u00eancia de Luciano Mendes de Jesus como performer no Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards (Pontedera\/It\u00e1lia), na equipe do Open Program, grupo com o qual desenvolveu, de 2013 a 2015, espet\u00e1culos tendo por base cantos do sul dos Estados Unidos. De volta ao Brasil, o ator continuou aprofundando sua pesquisa sobre a integra\u00e7\u00e3o entre cena e m\u00fasica a partir de materiais tradicionais. Com os vissungos, descobriu um dos elementos mais antigos de matriz africana do Brasil e seu elo com a constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural do pa\u00eds, expressa, sobretudo, na influ\u00eancia sobre a l\u00edngua portuguesa brasileira e a m\u00fasica popular.<\/p>\n<p>O objetivo final \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da Trilogia Vissungueira, composta por: Epis\u00f3dio I: Uenda-congembo (morrer), Epis\u00f3dio II: Mileke entre Pedras e Piercings (baseado em fatos reais da vida do \u00faltimo mestre vissungueiro, Ivo Silv\u00e9rio da Rocha) e Epis\u00f3dio III: Banzo e os Filhos dos Antigos (em processo de cria\u00e7\u00e3o, baseado na rela\u00e7\u00e3o entre melancolia e tradi\u00e7\u00e3o). A pesquisa e a cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo Epis\u00f3dio I: Uenda-congembo (morrer) foram realizados com o apoio da Bolsa Funarte de Fomento para Artistas e Produtores Negros, em 2016.<\/p>\n<p><strong>Sala Carlos Miranda \u2013 Complexo Cultural Funarte SP<\/strong><br \/>\n(Alameda Nothmann, 1058, Campos El\u00edseos, S\u00e3o Paulo, SP)<\/p>\n<p><strong>Projeto: Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante<\/strong><br \/>\nEspet\u00e1culo: Epis\u00f3dio I: Uenda-congembo (morrer)<br \/>\nDe 13 a 29 de abril (exceto dia 20). Sextas e s\u00e1bados, \u00e0s 21h, e domingos, \u00e0s 19h.<br \/>\nIngressos: R$ 20 (meia-entrada: R$ 10) \u2013 Cart\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o aceitos<br \/>\nA bilheteria abre uma hora antes do espet\u00e1culo.<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 75 minutos. Classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria: 14 anos.<\/p>\n<p><strong>Conversas Rituais: Construir Identidade em Etnofic\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nEnsaio aberto dos solos Corpo-Negro, Corpo-Preso, de Inessa Silva e Oba nu Mun, com Lucia Kakazu, seguido de bate-papo<br \/>\nDia 20 de abril. Sexta, \u00e0s 21h.<br \/>\nEntrada franca<\/p>\n<p><strong>Conversa: Canjica Hist\u00f3rica: O banzo na hist\u00f3ria brasileira e a melancolia como afeto criativo na cultura afro-diasp\u00f3rica, com Ana Maria Oda e Salloma Salom\u00e3o<\/strong><br \/>\nDia 28 de abril. S\u00e1bado, \u00e0s 16h30.<br \/>\nEntrada franca<\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\nAtua\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o, dramaturgismo e concep\u00e7\u00e3o sonoro-musical: Luciano Mendes de Jesus | Ilumina\u00e7\u00e3o: Andr\u00e9 Mutton | Opera\u00e7\u00e3o de luz: Jean Rocha\/Marisa Mariano | Fontes textuais: Auguste de Saint-Hilaire, Aires da Mata Machado Filho e Jos\u00e9 Craveirinha | Orienta\u00e7\u00e3o art\u00edstica: Pedro Pires (Companhia do Feij\u00e3o) | Orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica: S\u00f4nia Queir\u00f3z | Produ\u00e7\u00e3o: P\u00e2mela Santos | Fotografia: Bea Costa | Filmagem: Donizete Bomfim (Cine Favela) | Arte gr\u00e1fica: Stela Ramos<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong><br \/>\n(11) 3662-5177<br \/>\n(11) 3822-5671 (bilheteria \u2013 abre uma hora antes do espet\u00e1culo)<br \/>\nfunartesp@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de abril tem in\u00edcio, na Sala Carlos Miranda, a ocupa\u00e7\u00e3o Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante. Em cartaz at\u00e9 29 de abril, o projeto apresenta a\u00e7\u00f5es que fazem parte de uma pesquisa sobre cantos de origem africana \u2013 realizada no Alto Jequitinhonha, norte de Minas Gerais. 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