{"id":114486,"date":"2018-12-11T17:35:57","date_gmt":"2018-12-11T19:35:57","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=114486"},"modified":"2018-12-11T18:22:22","modified_gmt":"2018-12-11T20:22:22","slug":"exposicao-%e2%80%98mae-preta%e2%80%99-abre-temporada-no-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=114486","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o \u2018M\u00e3e Preta\u2019 abre temporada no Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Trabalho de Isabel L\u00f6fgren e Patricia Gouv\u00eaa recebeu o Pr\u00eamio Funarte Conex\u00e3o Circula\u00e7\u00e3o Artes Visuais<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Com abertura no dia 12 de dezembro, ter\u00e7a-feira, a mostra <em>M\u00e3e Preta<\/em>, da dupla de artistas visuais Isabel L\u00f6fgren &amp; Patricia Gouv\u00eaa, instala-se no Ch\u00e3o SLZ, espa\u00e7o no Centro de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o. Com entrada franca, a mostra fica aberta \u00e0 visita\u00e7\u00e3o a partir do dia 13. O projeto foi contemplado com o Pr\u00eamio Funarte Conex\u00e3o Circula\u00e7\u00e3o Artes Visuais em 2016.<\/p>\n<p>No dia 13, quarta, \u00e0s 17h, haver\u00e1 bate-papo e visita guiada abertos ao p\u00fablico, com as autoras e com lideran\u00e7as femininas maranhenses.<\/p>\n<p>O conjunto, que fica exposto at\u00e9 9 de fevereiro de 2019, re\u00fane pe\u00e7as de fotografia, v\u00eddeo e literatura, al\u00e9m de instala\u00e7\u00f5es e performances. A pesquisa das artistas que originou o trabalho teve seu ponto de partida nas conhecidas imagens das amas-de-leite negras, registradas desde meados do s\u00e9culo XIX at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. O estudo busca identificar resson\u00e2ncias e tra\u00e7ar elos entre as condi\u00e7\u00f5es da maternidade e da escravid\u00e3o, por meio de releituras de imagens e arquivos do per\u00edodo escravagista. A pesquisa, tamb\u00e9m investiga o &#8220;desaparecimento da hist\u00f3ria escravocrata&#8221; na cultura urbana brasileira e as &#8220;vozes de mulheres e m\u00e3es negras&#8221; na contemporaneidade. O intuito do projeto, desenvolvido em progress\u00e3o constante, \u00e9 discutir a mem\u00f3ria da escravid\u00e3o e o legado da mulher negra na forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, a partir da hist\u00f3ria visual do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O projeto <em>M\u00e3e Preta <\/em>foi tamb\u00e9m contemplado com o Edital Fomenta, da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro (2016), e com o Edital de Exposi\u00e7\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o Cl\u00f3vis Salgado (2017). Em processo de itiner\u00e2ncia \u2013\u00a0como previsto no edital \u2013, a exposi\u00e7\u00e3o esteve no Rio de Janeiro (RJ), em 2016, na Galeria Pretos Novos de Arte Contempor\u00e2nea (com dois mil visitantes) e, tamb\u00e9m com sucesso de p\u00fablico, no ano seguinte, em Belo Horizonte (MG), no Pal\u00e1cio das Artes; e em 2018, na Funarte SP, na Galeria Mario Schenberg.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Da escava\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica \u00e0 interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Dividida em oito s\u00e9ries,\u00a0<em>M\u00e3e Preta <\/em>apresenta obras que, reunidas, prop\u00f5em uma reinven\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do conjunto de imagens hist\u00f3ricas relacionadas \u00e0s &#8220;m\u00e3es pretas&#8221;, com uma linguagem contempor\u00e2nea. Segundo Isabel L\u00f6fgren, o maior objetivo do projeto \u00e9 contrapor as representa\u00e7\u00f5es romantizadas dessas mulheres e da maternidade, em arquivos hist\u00f3ricos do per\u00edodo escravocrata, ao \u201dprotagonismo real e crescente exercido pelas m\u00e3es negras de hoje\u201d. A artista relata que o estudo teve in\u00edcio no contexto hist\u00f3rico das escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas realizadas na zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro nos \u00faltimos anos. \u201c\u00c0 medida que foram se revelando diversos achados,\u201d afirma, \u201ccome\u00e7amos a buscar elementos que se articulassem com o papel da mulher negra \u2013 focando na sua fun\u00e7\u00e3o dupla como m\u00e3e de seus pr\u00f3prios filhos e como amas-de-leite de crian\u00e7as brancas \u2013 na forma\u00e7\u00e3o social da cidade\u201d.<\/p>\n<p>A basea do trabalho foram releituras de fotografias do Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro), al\u00e9m de gravuras de Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas e de outros artistas. Isabel e Patricia criaram interven\u00e7\u00f5es nessas estampas, por meio de lupas e lentes. Essa interfer\u00eancia art\u00edstica destaca a complexidade das rela\u00e7\u00f5es das amas-de-leite com as crian\u00e7as brancas; e das mulheres escravizadas com seus pr\u00f3prios filhos \u2013\u00a0em contextos dom\u00e9sticos, na cidade e no campo. \u201cDe t\u00e3o conhecidas, estas imagens s\u00e3o vistas de forma superficial e contribuem para um olhar normalizado sobre a vida dessas mulheres que desempenharam um papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira\u201d, diz Patricia Gouv\u00eaa. \u201cOs trabalhos prop\u00f5em uma nova forma de olhar essas imagens, de modo que a figura materna apare\u00e7a no primeiro plano e n\u00e3o apenas como um detalhe da vida cotidiana e familiar nos tempos da escravid\u00e3o\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">V\u00eddeo-instala\u00e7\u00e3o e minibiblioteca resgatam as &#8220;m\u00e3es pretas&#8221;<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Um dos pontos mais destacados da mostra \u00e9 a v\u00eddeo-instala\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Modos de Fala e Escuta <\/em>\u2013 com 27 min de dura\u00e7\u00e3o \u2013, que re\u00fane o depoimento de sete m\u00e3es negras sobre maternidade, racismo, mem\u00f3ria, ancestralidade, viol\u00eancia e lutas cotidianas. Outro destaque da mostra, nesse sentido, \u00e9 a obra\u00a0<em>Mural das Hero\u00ednas<\/em>, com 20 retratos de l\u00edderes negras, como Lu\u00edsa Mahin, Tereza de Benguela e Nzinga de Angola, e das feministas L\u00e9lia Gonzalez e Beatriz do Nascimento, al\u00e9m de figuras pol\u00edticas, como Laudelina de Campos e Marielle Franco, entre outras. Segundo as artistas, estas \u201csimbolizam as conquistas sociais, a luta, a resist\u00eancia, a voz e o lugar hist\u00f3rico da mulher negra no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o conta, ainda, com a minibiblioteca\u00a0M\u00e3e Preta, que pode ser consultada pelo p\u00fablico. Ela re\u00fane publica\u00e7\u00f5es de autoras negras contempor\u00e2neas, al\u00e9m de uma se\u00e7\u00e3o de literatura infanto-juvenil, com t\u00edtulos sobre protagonismo negro.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Mergulho nos contextos locais<\/span><\/strong><\/p>\n<p>As artistas fizeram uma imers\u00e3o nos contextos espec\u00edficos das cidades onde exp\u00f5em. No Maranh\u00e3o, realizaram entrevistas com lideran\u00e7as femininas dos Quilombos Santa Rosa dos Pretos e Santa Joana \u2013 o que resultou em obras in\u00e9ditas. Em S\u00e3o Luiz, ser\u00e1 mostrada a obra <em>Modos de Encantar<\/em>, com retratos, somados a um v\u00eddeo, que documenta as lideran\u00e7as dos quilombos maranhenses Santa Rosa dos Pretos e Santa Joana (onde a dupla realizou pesquisa de campo, em julho de 2018). &#8220;Em ambas as comunidades, o protagonismo feminino \u00e9 crucial na luta pela preserva\u00e7\u00e3o da terra e dos rituais espirituais, bem como na atua\u00e7\u00e3o de parteiras que perpetuam o parto natural sob a ben\u00e7\u00e3o e guia das &#8216;encantadas'&#8221;, em que os cuidados maternos s\u00e3o coletivizados \u2013 explicam as artistas. O estudo que gerou esse trabalho foi a segunda pesquisa de longa dura\u00e7\u00e3o da dupla.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">O cat\u00e1logo: contribui\u00e7\u00f5es de nomes conhecidos<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O projeto inclui um cat\u00e1logo, que re\u00fane contribui\u00e7\u00f5es de nomes nacionais e internacionais: a antrop\u00f3loga e curadora-adjunta para hist\u00f3rias e narrativas no Masp, Lilia Moritz Schwarcz (USP); a antrop\u00f3loga e pesquisadora Martina Ahlert (UFMA); o escritor Alex Castro; o historiador e diretor do N\u00facleo de Estudos e Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Mem\u00f3ria Pretos Novos, J\u00falio C\u00e9sar Medeiros da Silva Pereira (UFF); a historiadora da arte, educadora criativa e curadora brit\u00e2nico-nigeriana Temi Odumosu (Universidade. de Malm\u00f6 &#8211; Su\u00e9cia); e a fot\u00f3grafa, escritora e professora do ICP-Bard (EUA), a norte-americana Qiana Mestrich.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Sobre as artistas<\/span><\/strong><\/p>\n<p>As cariocas Isabel L\u00f6fgren e Patricia Gouv\u00eaa atuam em dupla h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Realizaram a pesquisa e a exposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Banco de Tempo<\/em>, na Galeria do Lago\/Museu da Rep\u00fablica (Rio de Janeiro \u2013\u00a02012), que ganhou publica\u00e7\u00e3o, de mesmo nome, em 2015. Em sua pesquisa, as artistas buscam criar maneiras de relacionar lugares hist\u00f3ricos, arquivos de imagens e debates atuais, por meio da arte contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>A abertura da exposi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Lu\u00eds contar\u00e1 ainda com uma visita guiada e bate-papo no dia 13 de dezembro, \u00e0s 17h, com a presen\u00e7a de lideran\u00e7as femininas maranhenses.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Isabel L\u00f6fgren e Patricia Gouv\u00eaa<\/span><\/p>\n<p><strong><em><span style=\"color: #000000;\">M\u00e3e Preta<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o fundamentada em pesquisa<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Calend\u00e1rio<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Abertura: <\/strong>12 de dezembro, das 18h \u00e0s 21h<\/p>\n<p><strong>13 de dezembr<\/strong><strong><\/strong><strong>o,<\/strong> \u00e0s 17h: bate-papo aberto ao p\u00fablico e visita guiada com as artistas Isabel L\u00f6fgren e Patricia Gouv\u00eaa e as lideran\u00e7as femininas maranhenses<\/p>\n<p><strong>Visita\u00e7\u00e3o:<\/strong> de 13 de dezembro de 2018 a 9 de fevereiro de 2019, de ter\u00e7a-feira a s\u00e1bado das 12h \u00e0s 19h<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Local: <strong>Ch\u00e3o SLZ<\/strong><\/span><br \/>\nRua do Giz, 167, Praia Grande, S\u00e3o Luiz (MA)<br \/>\n<span style=\"font-weight: bold;\"><span style=\"color: #000000;\">Entrada gratuita<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Projeto contemplado com o Pre\u0302mio Funarte Conexa\u0303o Circulac\u0327\u00e3o Artes Visuais \u2013 Galerias Funarte de Artes Visuais Sa\u0303o Paulo \/ Maranh\u00e3o \/ Ch\u00e3o SLZ<\/span><\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: Assessoria de imprensa<br \/>\nBaob\u00e1 Comunica\u00e7\u00e3o, Cultura e Conte\u00fado<br \/>\n(11) 3482 2510 (11) 3482 6908<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho de Isabel L\u00f6fgren e Patricia Gouv\u00eaa recebeu o Pr\u00eamio Funarte Conex\u00e3o Circula\u00e7\u00e3o Artes Visuais Com abertura no dia 12 de dezembro, ter\u00e7a-feira, a mostra M\u00e3e Preta, da dupla de artistas visuais Isabel L\u00f6fgren &amp; Patricia Gouv\u00eaa, instala-se no Ch\u00e3o SLZ, espa\u00e7o no Centro de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o. 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