{"id":114535,"date":"2018-12-14T17:32:26","date_gmt":"2018-12-14T19:32:26","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=114535"},"modified":"2018-12-14T17:58:23","modified_gmt":"2018-12-14T19:58:23","slug":"funarte-lamenta-a-morte-do-arranjador-e-maestro-waltel-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=114535","title":{"rendered":"Funarte lamenta a morte do arranjador e compositor Waltel Branco"},"content":{"rendered":"<p>Foi anunciada no dia 13 de dezembro a morte do compositor e arranjador Waltel Branco. Maestro e instrumentista de viol\u00e3o erudito, o paranaense faleceu no dia 28 de novembro, aos 89 anos.<\/p>\n<p>O artista foi muito reconhecido, por arranjos de temas famosos do cinema, como <em>A Pantera Cor-de-rosa<\/em>, do norte-americano Henry Mancini; e da m\u00fasica popular brasileira, como <em>Azul da Cor do Mar<\/em> de Tim Maia, <em>Bastidores<\/em>, de Cauby Peixoto e <em>Faz Parte do Meu Show<\/em>, de Cazuza; e para trilhas sonoras televisivas. Participou do movimento Bossa Nova, a partir dos anos 1960. \u00c9 considerado um dos pioneiros do estilo jazz-fusion.<\/p>\n<p>Comp\u00f4s pe\u00e7as de viol\u00e3o erudito e, como int\u00e9rprete, apresentou-se nas principais salas do Rio de Janeiro e Niter\u00f3i, Curitiba, Bras\u00edlia e nos Estados Unidos \u2013 em shows autorais e com repert\u00f3rios de grandes nomes.<\/p>\n<p>A morte do artista teria sido causada por complica\u00e7\u00f5es derivadas da diabetes, segundo o site G1.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Vida e obra de um dos maiores arranjadores brasileiros<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Nascido em Paranagu\u00e1, em 1929, Waltel Branco veio de uma fam\u00edlia de m\u00fasicos. Iniciou sua forma\u00e7\u00e3o em Curitiba, aos 12 anos, em viol\u00e3o cl\u00e1ssico, estudando com o maestro Bento Mussurunga. Mas o viol\u00e3o ainda era mal visto em sua casa, como um instrumento de bo\u00eamios. Alguns anos depois, aprendeu canto gregoriano, num semin\u00e1rio. Nessa capital, formou uma jazz-band com seu irm\u00e3o, Ismael Branco, e com Gebran Sabag.<\/p>\n<p>Em 1949, viajou para o Rio de Janeiro. Foi descoberto pelo maestro e arranjador Radam\u00e9s Gnatalli, que lhe ofereceu o primeiro emprego. A cantora cubana Lia Ray, em turn\u00ea pelo Brasil, convidou o violonista para a sua banda. Ele seguiu com o grupo pela Am\u00e9rica Latina e ficou morando em Cuba, onde ficou dois anos. L\u00e1, tocou com nomes como Perez Prado, Mongo Santamaria e Chico O\u2019Farrel, tendo ajudado a misturar jazz, m\u00fasica cubana e brasileira, o que teria alterado a salsa e, depois, influenciado o jazz-fusion, do qual Branco \u00e9 considerado um dos precursores.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, mudou-se para os Estados Unidos, onde trabalhou com o violonista Laurindo de Almeida; deu aulas de viol\u00e3o erudito; estudou jazz; e apresentou-se com grandes nomes do estilo. Em 1960, lan\u00e7ou seu primeiro disco, <em>Recital Viol\u00e3o<\/em>. De volta ao Rio de Janeiro, no come\u00e7o dos anos 60, interagiu com a Bossa Nova, tendo exercido, segundo algumas fontes, grande influ\u00eancia na formata\u00e7\u00e3o do movimento: teria morado numa pens\u00e3o, com Jo\u00e3o Gilberto, com quem desenvolveu longa parceria, como arranjador e amigo. Segundo ele mesmo afirmou, teria dado aulas a Baden Powell.<\/p>\n<p>Apresentou-se com Dizzy Gillespie e Andy\u00a0 Wilians e produziu discos para Freddie Cole e Johnny Mathis, entre outros. Em 1962, gravou seu primeiro disco totalmente popular, <em>Guitarras em Fogo<\/em>. Em 1963, atuou com o quarteto de Juarez Ara\u00fajo na Argentina. No mesmo ano, foi trabalhar com Henry Mancini e fez seu mais famoso arranjo: o da trilha do filme <em>A Pantera Cor de Rosa<\/em>. Percebido pela Rede Globo, ingressou numa equipe selecionada de m\u00fasicos da emissora (com Radam\u00e9s Gnatalli, Guerra Peixe e Guildo de Moraes). Foi respons\u00e1vel pela trilhas sonoras e m\u00fasicas incidentais de diversas novelas e especiais de televis\u00e3o, al\u00e9m de arranjador e regente em grandes festivais de m\u00fasica da TV, entre 1960 e 1985. Participou, como m\u00fasico e arranjador, de discos de Flora Purim, os Copa 5, Orlandivo, Dom Um Rom\u00e3o, J.T. Meirelles e Luiz Carlos Vinhas, entre outros. Em 1970, descobriu Djavan e divulgou o cantor, lan\u00e7ado em 76. Neste ano, a telenovela <em>Escrava Isaura<\/em> foi sucesso, cuja a abertura, <em>Retirantes<\/em> (Dorival Caymmi) tem arranjo de Waltel \u2013 com o famoso trecho \u201cLer\u00ea-ler\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>Em 1991, passou a residir em S\u00e3o Paulo, onde lecionou harmonia e t\u00e9cnica instrumental de viol\u00e3o, na Universidade Livre de M\u00fasica. Gravou quatro discos com repert\u00f3rio erudito e cinco de obras populares. Um dos seus \u00faltimos trabalhos \u00e9 o CD Kabiesi (97).<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Homenagens em vida. Reconhecimento da Funarte<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Em 2012, foi homenageado com o lan\u00e7amento do CD <em>O Viol\u00e3o Plural de Waltel Branco<\/em>, em que violonistas de renome gravaram obras dele \u2013 como Guinga, Marco Pereira, Paulo Bellinati e Ulisses Rocha. O diretor do Centro da M\u00fasica da Funarte, Marcos Souza, lembra que, em 2017, Waltel Branco teve suas \u201cimportantes e lindas trilhas sonoras\u201d reconhecidas, com o trof\u00e9u Remo Usai, no Festival Musimagem \u2013 realizado no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte (MG).\u00a0 \u201cSer homenageado em vida torna ainda mais sua m\u00fasica imortalizada\u201d, comenta o diretor.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Waltel_Branco#Discografia\"><strong>Acesse aqui a discografia de Waltel Branco<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Com informa\u00e7\u00f5es das seguintes fontes: <\/strong><em>Dicion\u00e1rio da M\u00fasica Popular Brasileira<\/em> \u2013 Ricardo Cravo Albin; Site da Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o \u2013 Governo do Estado do Paran\u00e1; Jornal <em>O Globo<\/em>; <em>G1<\/em>; <em>Wikipedia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi anunciada no dia 13 de dezembro a morte do compositor e arranjador Waltel Branco. 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