{"id":167243,"date":"2020-10-28T16:23:30","date_gmt":"2020-10-28T19:23:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funarte.gov.br\/?p=167243"},"modified":"2021-02-19T18:06:31","modified_gmt":"2021-02-19T21:06:31","slug":"centenario-de-nascimento-de-lygia-clark-artista-plastica-inovou-ao-convidar-o-publico-a-interagir-com-suas-obras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=167243","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio de nascimento de Lygia Clark: artista pl\u00e1stica inovou ao convidar o p\u00fablico a interagir com suas obras"},"content":{"rendered":"<p>Lygia Clark, cujo centen\u00e1rio de nascimento celebrou-se na \u00faltima sexta-feira (23), foi uma pintora\u00a0e\u00a0escultora\u00a0contempor\u00e2nea que se autointitulava &#8220;n\u00e3o artista&#8221;. Movida a novas experi\u00eancias e interessada em despertar todos os sentidos do p\u00fablico, propunha a desmistifica\u00e7\u00e3o da arte e do artista e a desaliena\u00e7\u00e3o do espectador. No final da carreira de quatro d\u00e9cadas, Lygia Clark abandonou o objeto como express\u00e3o da arte. Mergulhou na psicologia e nas trocas sensoriais para criar uma outra linguagem com o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Suas obras ganharam o mundo e est\u00e3o nos principais acervos de arte. H\u00e1 seis anos, uma mostra ocupou v\u00e1rias salas do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Trinta e dois anos ap\u00f3s a morte da artista, as exposi\u00e7\u00f5es que estavam programadas para acontecer em Portugal, na It\u00e1lia e na Espanha mostram o reconhecimento internacional de sua obra. No Brasil, uma exposi\u00e7\u00e3o que estava marcada em uma galeria para celebrar o centen\u00e1rio de nascimento da artista foi adiada para 2021. Uma exposi\u00e7\u00e3o no Museu Guggenheim Bilbao, na Espanha, foi aberta em mar\u00e7o e fechada por causa da pandemia, mas j\u00e1 reabriu ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Lygia Clark nasceu em Belo Horizonte (MG), em 1920, e iniciou seus estudos art\u00edsticos em 1947, no Rio de Janeiro, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Roberto Burle Marx e Z\u00e9lia Salgado.\u00a0\u00a0Em 1950 viajou a Paris e, em 1952, realizou sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual, no <em>Institut Endoplastique<\/em>. De volta ao Brasil, participou do movimento neoconcreto \u2013 sendo uma das fundadoras do Grupo Neoconcreto \u2013, que teve exposi\u00e7\u00f5es em 1959, no Museu de Arte Moderna do Rio (MAM\/RJ); em 1960, no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura \u2013 hoje Pal\u00e1cio Gustavo Capanema, tamb\u00e9m no Rio; e em 1961, no Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo (MAM\/SP). A transi\u00e7\u00e3o da pintura para a escultura come\u00e7ou nos anos 1960.<\/p>\n<p>Na busca pelo novo, criou <em>Os Bichos<\/em>, esculturas em metal feitas para serem manuseadas. Foi um marco na arte moderna brasileira, promovendo intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, hoje t\u00e3o comum. Sua preocupa\u00e7\u00e3o voltava-se para uma participa\u00e7\u00e3o ainda mais ativa do p\u00fablico.\u00a0<em>Caminhando<\/em>\u00a0(1964) marca essa transi\u00e7\u00e3o, tendo o p\u00fablico como participante ativo na obra. Nessa \u00e9poca, a artista participa de exposi\u00e7\u00f5es no\u00a0MAM\/RJ e inicia trabalhos voltados para o corpo, para a explora\u00e7\u00e3o sensorial, que visam ampliar a percep\u00e7\u00e3o, retomar mem\u00f3rias ou provocar diferentes emo\u00e7\u00f5es. Neles, o papel do artista \u00e9 o de propositor ou canalizador de experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>O Eu e o Tu: S\u00e9rie Roupa-Corpo-Roupa<\/em>\u00a0(1967), um casal veste roupas confeccionadas pela artista, cujo forro comporta materiais diversos. Aberturas na roupa proporcionam, pela explora\u00e7\u00e3o t\u00e1ctil, uma sensa\u00e7\u00e3o feminina ao homem, e \u00e0 mulher, uma sensa\u00e7\u00e3o masculina. Em\u00a0<em>Luvas Sensoriais<\/em>\u00a0(1968), d\u00e1-se a redescoberta do tato por meio de bolas de diferentes tamanhos, pesos e texturas. A instala\u00e7\u00e3o\u00a0<em>A Casa \u00c9 o Corpo: Labirinto<\/em>\u00a0(1968) oferece uma viv\u00eancia sensorial e simb\u00f3lica ao visitante, que penetra numa estrutura de oito metros de comprimento, passando por ambientes denominados &#8220;penetra\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;ovula\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;germina\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;expuls\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 70, retorna a Paris, onde leciona na Faculdade de Artes Pl\u00e1sticas St. Charles, na Sorbonne. Nesse per\u00edodo, afasta-se da produ\u00e7\u00e3o de objetos est\u00e9ticos e volta-se para experi\u00eancias corporais, nas quais os materiais estabelecem rela\u00e7\u00e3o entre os participantes.<\/p>\n<p>Retorna ao Brasil em 1976 e dedica-se ao estudo das possibilidades terap\u00eauticas da arte sensorial e dos objetos relacionais. Na terapia, o paciente cria rela\u00e7\u00f5es com os objetos, por meio de sua textura, peso, tamanho, temperatura, sonoridade ou movimento, e revive, em contexto regressivo, sensa\u00e7\u00f5es registradas na mem\u00f3ria do corpo, relativas a fases da vida anteriores \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem. A pr\u00e1tica faz com que, no final da vida, ela considere seu trabalho definitivamente alheio \u00e0 arte e pr\u00f3ximo \u00e0 psican\u00e1lise. Nos anos 1980, sua obra ganha reconhecimento internacional com retrospectivas em v\u00e1rias capitais internacionais e em mostras antol\u00f3gicas da arte internacional do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<h5><em>* Com informa\u00e7\u00f5es do <\/em><em>Enciclop\u00e9dia<\/em><em> Ita\u00fa Cultural e Wikipedia<\/em><\/h5>\n<p><strong>Para saber mais:<br \/>\n<\/strong><em><a href=\"https:\/\/www.escritoriodearte.com\/artista\/lygia-clark\">Associa\u00e7\u00e3o Cultural O Mundo de Lygia Clark<\/a><\/em><\/p>\n<p>SERVI\u00c7O<\/p>\n<p><strong><em>Publica\u00e7\u00f5es Funarte<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Sergio Duarte: a trilha da trama e outros textos sobre arte<br \/>\n<\/strong>Cole\u00e7\u00e3o Pensamento cr\u00edtico \u2013 Volume 1<br \/>\nOrganiza\u00e7\u00e3o: Luisa Duarte<br \/>\nAno: 2009 (2\u00aa\u00a0ed) \/ N\u00ba de p\u00e1ginas: 244 \/ Formato: 14x21cm \/ Acabamento: Brochura Peso: 350g \/<br \/>\nPre\u00e7o: R$ 27,00<br \/>\nC\u00f3digo do produto: 7453<br \/>\nSinopse: Colet\u00e2nea de 29 ensaios do cr\u00edtico, pesquisador e professor de hist\u00f3ria da arte Paulo Sergio Duarte. Os textos est\u00e3o divididos em tr\u00eas partes: \u201cArtistas brasileiros contempor\u00e2neos\u201d, \u201cResenha\u201d e \u201cEstudos sobre teoria e hist\u00f3ria da arte\u201d. Ao abordar os questionamentos, a est\u00e9tica e a trajet\u00f3ria dos profissionais da primeira metade do s\u00e9culo XX, Paulo Sergio oferece a seus leitores as bases para a compreens\u00e3o e o desfrute da arte contempor\u00e2nea. O autor analisa obras de nomes importantes nas artes pl\u00e1sticas brasileiras, como Antonio Dias, <strong>Lygia Clark<\/strong>, Waltercio Caldas, Amilcar de Castro, Carlos Vergara e Lygia Pape.<br \/>\n<em>\u00c0 venda na Livraria M\u00e1rio de Andrade \u2013 Tel. (21) 2279-8071<\/em><\/p>\n<p><strong>Projeto Arte Brasileira: abstra\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica 1 \u2013 concretismo e neoconcretismo<br \/>\n<\/strong>Organiza\u00e7\u00e3o: Ligia Canongia<br \/>\nAno: 1987 \/\u00a0 70 p\u00e1ginas \/ Formato: 21&#215;21 cm \/Acabamento: Brochura \/ Peso: 250 g<br \/>\n<del>Pre\u00e7o: R$ 20,00<br \/>\n<\/del>Sinopse: Al\u00e9m de artigos discutindo o concretismo e o neoconcretismo no Brasil, s\u00e3o apresentadas ilustra\u00e7\u00f5es de obras e breves biografias dos mais relevantes nomes da arte abstrata no pa\u00eds, tais como Ivan Serpa, H\u00e9lio Oiticica, <strong>Lygia Clark<\/strong>, Lygia Pape, Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Amilcar de Castro e Franz Weissmann, entre outros.<br \/>\n<em><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #000000;\">ESGOTADO. Mas dispon\u00edvel no CEDOC. Consulte <a href=\"http:\/\/cedoc.funarte.gov.br\/sophia_web\/index.asp?codigo_sophia=32662\">neste link:<\/a>\u00a0<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>LYGIA CLARK<br \/>\n<\/strong>Textos de Ferreira Gullar, M\u00e1rio Pedrosa e Lygia Clark<strong><br \/>\n<\/strong>Ano: 1980 \/60 p\u00e1ginas \/ Formato: 18 x 22 cm<br \/>\nFunarte, s\u00e9rie Arte Brasileira Contempor\u00e2nea<br \/>\nCont\u00e9m muitas imagens em preto e branco e coloridas, da trajet\u00f3ria da artista e suas obras<br \/>\n<em><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #000000;\">ESGOTADO. Mas dispon\u00edvel no CEDOC. Consulte <\/span><a href=\"http:\/\/cedoc.funarte.gov.br\/sophia_web\/index.asp?codigo_sophia=32513\">neste link<\/a><\/span><\/em><\/p>\n<p><em>*No <a href=\"http:\/\/cedoc.funarte.gov.br\/sophia_web\/\">Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Pesquisa da Funarte &#8211; Cedoc<\/a>, encontram-se outras publica\u00e7\u00f5es sobre as obras da artista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lygia Clark, cujo centen\u00e1rio de nascimento celebrou-se na \u00faltima sexta-feira (23), foi uma pintora\u00a0e\u00a0escultora\u00a0contempor\u00e2nea que se autointitulava &#8220;n\u00e3o artista&#8221;. Movida a novas experi\u00eancias e interessada em despertar todos os sentidos do p\u00fablico, propunha a desmistifica\u00e7\u00e3o da arte e do artista e a desaliena\u00e7\u00e3o do espectador. 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