{"id":235681,"date":"2021-03-11T08:00:17","date_gmt":"2021-03-11T11:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funarte.gov.br\/?p=235681"},"modified":"2021-05-11T17:57:53","modified_gmt":"2021-05-11T20:57:53","slug":"um-pouco-da-vida-e-da-obra-de-arthur-bispo-do-rosario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=235681","title":{"rendered":"Um pouco da vida e da obra de Arthur Bispo do Rosario"},"content":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte homenageia o artista pl\u00e1stico Arthur Bispo do Rosario (1909-1911 \u2013 1989) neste m\u00eas de mar\u00e7o. Com poucos registros sobre a inf\u00e2ncia do artista, um dos documentos indica o nascimento dele no dia 16 de mar\u00e7o de 1911. Bispo desenvolveu cria\u00e7\u00e3o em artes visuais a partir de objetos do cotidiano das institui\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas em que viveu internado. Entre trabalhos como bordados e aplica\u00e7\u00f5es de objetos uns sobre outros, ganhou exposi\u00e7\u00f5es de arte no Brasil e no exterior. Tamb\u00e9m virou tema de livros, montagem teatral, filmes e desfiles de carnaval. Em 1995, por exemplo, trabalhos seus representaram o Brasil na 46\u00aa Bienal de Veneza. Em 2018, o conjunto de suas obras foi tombado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n<p>De acordo com a ficha de uma empresa onde Bispo trabalhou, ele nasceu em 16 de mar\u00e7o de 1911, em Sergipe, filho de Adriano Bispo do Rosario e Blandina Francisca de Jesus. Entretanto, em registro da Marinha de Guerra do Brasil, de 1929, o nascimento de Bispo do Rosario est\u00e1 registrado no dia 14 de maio de 1909, em Minas Gerais \u2013 com a mesma filia\u00e7\u00e3o. J\u00e1 um documento encontrado no Munic\u00edpio de Japaratuba (Sergipe) atesta o batismo de uma crian\u00e7a de tr\u00eas meses, nomeada Arthur, no dia 5 de outubro de 1909, filha de Claudino Bispo do Rosario e Blandina Francisca de Jesus.<\/p>\n<p><strong>Da Marinha at\u00e9 a \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Pouco se sabe sobre a inf\u00e2ncia de Bispo do Ros\u00e1rio. Ele frequentou a Escola de Aprendizes Marinheiros em 1925 e, no ano seguinte, foi para a cidade do Rio de Janeiro. L\u00e1, se alistou na Marinha, onde permaneceu por nove anos. Na For\u00e7a Naval, descobriu o boxe, sendo aplaudido pela atividade. Depois, abandonou a carreira militar, por atritos ocorridos. Passou a trabalhar como lavador de bondes e investiu na atividade de pugilista. Em 1936, sofreu um acidente e teve o p\u00e9 esmagado pela roda de um coletivo, ficando, assim, inapto para a pr\u00e1tica esportiva.<\/p>\n<p>Posteriormente, trabalhou durante anos como empregado dom\u00e9stico, na casa do advogado Humberto Leone, onde teve uma \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d, na noite de 22 de dezembro de 1938 \u2014 se viu descendo do c\u00e9u, acompanhado por sete anjos, que o deixaram na \u201ccasa nos fundos murados de Botafogo\u201d. Bispo perambulou durante dias at\u00e9 chegar ao Mosteiro de S\u00e3o Bento, localizado no Centro do Rio de Janeiro. L\u00e1, se apresentou aos frades como \u201caquele que veio julgar os vivos e os mortos\u201d. Encaminharam-no ao hosp\u00edcio da Praia Vermelha, de onde ele foi transferido para a Col\u00f4nia Juliano Moreira.<\/p>\n<p><strong>Interna\u00e7\u00e3o e atividade art\u00edstica\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Bispo do Ros\u00e1rio passou quase sua vida inteira em institutos psiqui\u00e1tricos, per\u00edodo no qual realizou sua atividade art\u00edstica \u2014 apesar de negar este r\u00f3tulo, ele dizia que \u201ctudo era fruto de uma miss\u00e3o que um dia seria revelada, no ju\u00edzo final\u201d. A partir de 1964, ficou em definitivo na Col\u00f4nia, onde ficou preso numa cela por tr\u00eas meses. Ap\u00f3s sair, revelou que \u201couviu vozes que lhe disseram que chegou a hora de representar todas as coisas existentes na Terra para a apresenta\u00e7\u00e3o no dia do ju\u00edzo final\u201d.<\/p>\n<p>Teria decidido, por sua conta, trancar-se por sete anos numa das celas para, com agulha e linha, bordar a escrita de estandartes e fragmentos de tecido. As linhas azuis eram desfiadas dos velhos uniformes dos internos. Tamb\u00e9m utilizava objetos, como canecas, vassouras e garrafas; e materiais como peda\u00e7os de madeira, arame, papel e fios de varal.<\/p>\n<p><strong>Exposi\u00e7\u00f5es e museu<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s 18 anos da \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d de sua \u201cmiss\u00e3o\u201d, Bispo despertou o interesse da m\u00eddia e de cr\u00edticos de arte. Em 1982, seus 15 estandartes foram expostos na mostra <em>Margem da Vida<\/em>, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que seus objetos foram exibidos fora da Col\u00f4nia. Mas ele decidiu n\u00e3o ir \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o. Depois do sucesso dessa participa\u00e7\u00e3o, recebeu diversos convites para novas mostras.\u00a0No mesmo ano, foi fundado, na Col\u00f4nia, o Museu Nise da Silveira, com acervo composto pelas obras que antes ajudaram a formar o Museu Egas Moniz.<\/p>\n<p>Ainda em 1982, o psicanalista e cineasta Hugo Denizart exibiu o document\u00e1rio <strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8MzFTaOvsCQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>O Prisioneiro da Passagem<\/em><\/a><\/strong>, sobre Bispo do Ros\u00e1rio. \u201c\u00c9 aqui no hosp\u00edcio que eu vou me apresentar, que eu devo ser apresentado a humanidade. Por seus diretores at\u00e9 aqui, frades cardeais, ningu\u00e9m conseguiu ver Cristo, mas agora v\u00e3o encontr\u00e1-lo porque eu vou me apresentar. Vou me transformar a fim de me apresentar a Ele que \u00e9 meu vig\u00e1rio, mais nada\u201d, diz Arthur Bispo do Ros\u00e1rio, no filme.<\/p>\n<p>Ele morreu no dia 5 julho de 1989. Ap\u00f3s o falecimento, o espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00f5es foi rebatizado como Museu Bispo do Ros\u00e1rio Arte Contempor\u00e2nea (mBrac), em sua homenagem.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Funarte<\/strong><\/p>\n<p>Em 2012, a exposi\u00e7\u00e3o <em>Azul dos Ventos<\/em> levou a obra de Bispo do Ros\u00e1rio a Lisboa, Portugal. A mostra, que passou por Londres, Inglaterra, teve apoio da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2014 Funarte. O Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 12\u00aa Edi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contou com o Casa B \u2014 Programa de Resid\u00eancia Art\u00edstica do Museu Bispo do Ros\u00e1rio Arte Contempor\u00e2nea. O projeto promovia o contato entre os artistas e o dia a dia na col\u00f4nia e tamb\u00e9m das comunidades do entorno, por meio de atividades, que deram resultado aos trabalhos expostos ao final.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es do Centro de Artes Visuais \u2013 Ceav \u2013 Funarte, do Museu Bispo do Ros\u00e1rio e da Enciclop\u00e9dia Ita\u00fa Cultural de Arte e Cultura Brasileiras<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte homenageia o artista pl\u00e1stico Arthur Bispo do Rosario (1909-1911 \u2013 1989) neste m\u00eas de mar\u00e7o. Com poucos registros sobre a inf\u00e2ncia do artista, um dos documentos indica o nascimento dele no dia 16 de mar\u00e7o de 1911. 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