{"id":247312,"date":"2021-05-27T17:53:54","date_gmt":"2021-05-27T20:53:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.funarte.gov.br\/?p=247312"},"modified":"2021-05-27T20:56:56","modified_gmt":"2021-05-27T23:56:56","slug":"funarte-lamenta-a-morte-do-sambista-nelson-sargento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=247312","title":{"rendered":"Funarte lamenta a morte do sambista Nelson Sargento"},"content":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte lamenta a morte de Nelson Sargento, cantor e autor de sucessos da m\u00fasica brasileira, artista pl\u00e1stico, pesquisador, escritor e presidente de honra da escola de samba Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira. Nelson comp\u00f4s cerca de quatrocentas m\u00fasicas \u2014 muitas delas parte da hist\u00f3ria da Mangueira. Ele faleceu aos 96 anos, na manh\u00e3 desta quinta-feira, dia 27 de maio, no Rio de Janeiro (RJ), por complica\u00e7\u00f5es da covid 19.<\/p>\n<p>Nelson Mattos nasceu no dia 25 de julho de 1924, na Capital Fluminense. Teve contato com o samba ainda crian\u00e7a. Com 9 anos, desfilou pela Escola Azul e Branco, do Morro do Salgueiro, onde vivia com a m\u00e3e e 17 irm\u00e3os. Quando completou 12 anos, a fam\u00edlia se mudou para o Morro da Mangueira, ap\u00f3s a uni\u00e3o da m\u00e3e, Rosa Maria da Concei\u00e7\u00e3o, com o compositor de fado e pintor de parede portugu\u00eas Alfredo Louren\u00e7o, conhecido como Alfredo Portugu\u00eas.\u00a0Aprendeu a tocar viol\u00e3o com mestres do samba como Cartola, Nelson Cavaquinho e o compositor Geraldo Pereira e passou a musicar os versos feitos pelo pai adotivo. Por influ\u00eancia do padrasto e do compositor Carlos Cacha\u00e7a, integrou a ala de compositores da Mangueira, em 1942. Tamb\u00e9m se tornou pintor de paredes aos 17 anos e trabalhou na F\u00e1brica de Vidros Jos\u00e9 Scarrone, no bairro carioca de Vila Isabel. Foi sargento do Ex\u00e9rcito entre 1945 e 1949, quando ganhou o apelido que tomou como nome art\u00edstico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_247326\" aria-describedby=\"caption-attachment-247326\" style=\"width: 363px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-247326 size-medium\" src=\"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/noticia-interna_musica_\u00d3bito-Nelson-Sargento_Detalhe-do-show-de-em\u00f3ria-Musical-Funarte-Nelson-Sargento-canta-e-conta-a-Mangueira_27052021-4-363x254.png\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"254\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-247326\" class=\"wp-caption-text\">Nelson Sargento em registro de sua participa\u00e7\u00e3o no projeto &#8220;Mem\u00f3ria Musical Funarte: Nelson Sargento canta e conta a Mangueira&#8221; (Reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em participa\u00e7\u00e3o no projeto Mem\u00f3ria Musical Funarte, em 2014, Nelson Sargento relembrou sua juventude e os sambas de sua autoria e de outros compositores. A entrevista musicada ficou gravada em v\u00eddeo, dispon\u00edvel <strong><a href=\"https:\/\/www.funarte.gov.br\/videos\/memoria-musical-funarte-nelson-sargento-canta-e-conta-a-mangueira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui, neste link<\/a><\/strong>. No material, Nelson conta, entre outras hist\u00f3rias, que foi na casa de Alfredo Louren\u00e7o que conheceu Cartola, Carlos Cacha\u00e7a, Malvadeza, Alu\u00edsio Dias, Baba\u00fa e outros gigantes. \u201cGaranto que aprendi alguma coisa com eles. Me ensinaram muito. Eu \u00e9 que aprendi pouco\u201d, brincou.<\/p>\n<p><strong>Legado multiart\u00edstico<\/strong><\/p>\n<p>Nelson Sargento teve uma longa trajet\u00f3ria de contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 arte, em diferentes linguagens. Em 1958, ele assumiu o cargo de presidente da Ala de Compositores do Gr\u00eamio Recreativo e Escola de Samba Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira. Em 1981, escreveu com Alice Campos, Francisco e Dulcin\u00e9ia Duarte a monografia <em>Um certo Geraldo Pereira<\/em>, lan\u00e7ada pelo Projeto L\u00facio Rangel, criado por Herm\u00ednio Bello de Carvalho para a Funarte. No ano seguinte, passou a conciliar a carreira de m\u00fasico com a de artista pl\u00e1stico e, em 1983, exp\u00f4s seus quadros de cenas do cotidiano e figuras primitivistas no Arquivo da Cidade, apenas uma de muitas outras exposi\u00e7\u00f5es. Lan\u00e7ou livros como <em>Prisioneiro do mundo<\/em>, em 1994, e <em>Pensamentos<\/em>, em 2005.<\/p>\n<p>Como ator, estreou no longa-metragem <em>\u00c9 Simonal<\/em>, de Domingos de Oliveira. Tamb\u00e9m atuou em filmes como<em> Orfeu do carnaval<\/em>, de Cac\u00e1 Diegues, e na miniss\u00e9rie <em>Presen\u00e7a de Anita<\/em>. Em 1997, pela atua\u00e7\u00e3o no document\u00e1rio <em>Nelson Sargento na Mangueira<\/em>, de Estev\u00e3o Ciavatta Pantoja, foi premiado nas categorias Melhor Ator e Melhor Trilha Sonora no Festival de Cinema Rio Cine. O document\u00e1rio foi exibido em diversos festivais de cinema, sendo premiado em diversos deles.<\/p>\n<p>Em 1992, foi realizado um document\u00e1rio sobre sua vida e obra, <em>Meia hora de arte<\/em>, produzido por Luiz Guimar\u00e3es Castro.\u00a0Em sua homenagem, Moacyr Luz e Aldir Blanc compuseram <em>Flores em vida<\/em>, que tem entre seus versos: &#8220;Sargento apenas no apelido\/guerreiro negro dos Palmares\/Nelson \u00e9 o Mestre-Sala dos mares\/Singrando as \u00e1guas da Ba\u00eda.&#8221;\u00a0Entre outros tributos recebidos, em 2012, Nelson foi enredo da Unidos do Jacarezinho, intitulado <em>O samba agoniza, mas n\u00e3o morre:<\/em> <em>Nelson Sargento da Mangueira e do Jacar\u00e9 tamb\u00e9m<\/em>. Em 2015, voltou a ser tema de enredo, do Gr\u00eamio Recreativo e Escola de Samba Inocentes de Belford Roxo, com o t\u00edtulo <em>Nelson Sargento: samba, inocente e p\u00e9 no ch\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Nelson deu entrada no Inca no dia 20 de maio, com &#8220;quadro de desidrata\u00e7\u00e3o, anorexia e significativa queda do estado geral&#8221;, de acordo com nota divulgada pelo instituto. Ao chegar na unidade, foi realizado o teste de covid-19, que apontou positivo. Ele estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde s\u00e1bado, dia 22 de maio. O artista era paciente do hospital desde 2005, para tratamento contra um c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. Nelson Sargento deixa a mulher, Evonete Belizario Mattos, e os filhos Fernando, Jos\u00e9 Geraldo, Marcos, L\u00e9o, Ricardo, Ronaldo, Rosemere, Rosemar e Rosana.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es da\u00a0Enciclop\u00e9dia Ita\u00fa Cultural de Arte e Cultura Brasileiras e do Dicion\u00e1rio Cravo Albin da M\u00fasica Popular Brasileira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte lamenta a morte de Nelson Sargento, cantor e autor de sucessos da m\u00fasica brasileira, artista pl\u00e1stico, pesquisador, escritor e presidente de honra da escola de samba Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira. Nelson comp\u00f4s cerca de quatrocentas m\u00fasicas \u2014 muitas delas parte da hist\u00f3ria da Mangueira. 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