{"id":64153,"date":"2014-04-01T16:38:46","date_gmt":"2014-04-01T19:38:46","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=64153"},"modified":"2014-04-01T16:38:46","modified_gmt":"2014-04-01T19:38:46","slug":"o-cidade-negra-e-o-album-hei-afro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=64153","title":{"rendered":"O Cidade Negra e o \u00e1lbum &#8216;Hei Afro!&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\">Ap\u00f3s o show que apresentou na Sala Funarte Sidney Miller, no dia 28 de mar\u00e7o de 2014, no <em>M\u00fasica no Capanema<\/em>, m\u00fasicos da banda Cidade Negra falam com exclusividade para o Portal da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes &#8211; realizadora do projeto.<\/span><\/p>\n<p>O \u00e1lbum\u00a0<em>Hei Afro!<\/em> marca o reencontro do grupo com Toni Garrido. O vocalista comenta que o disco \u00e9 importante, porque as bases e as id\u00e9ias originais do Cidade Negra est\u00e3o bem presentes nele. \u201cA gente mistura nosso projeto de vida com o projeto art\u00edstico. Esse trabalho est\u00e1 muito mais ligado ao projeto de vida e a base do grupo\u201d, define o cantor.<\/p>\n<p>O baterista Laz\u00e3o diz que o\u00a0<em>Hei Afro! <\/em>Chama a aten\u00e7\u00e3o para a comunidade e para o cidad\u00e3o. Ele diz que o objetivo \u00e9 que as pessoas melhorem sua vida, de forma consciente e com uma vis\u00e3o pol\u00edtica de futuro. \u201cAfinal, o que \u00e9 uma favela? Abandono da \u00e9poca da escravid\u00e3o, somada ao descaso pol\u00edtico de mais de um s\u00e9culo, com corrup\u00e7\u00e3o, passando pela ditadura militar e pela coniv\u00eancia com pol\u00edticos e partidos e meios de comunica\u00e7\u00e3o. Quero ver felicidade l\u00e1 em nossas comunidades, como foi feito em Nova York [EUA], no Brooklyn e no Harlem, guetos at\u00e9 ent\u00e3o abandonados. L\u00e1 fizeram pr\u00e9dios e reconstru\u00edram ruas, com teatro, cinema, \u00e1rea de lazer, escolas profissionalizantes. N\u00e3o funciona encher a comunidade de pol\u00edcia e exercer o controle na base da for\u00e7a, sem levar o b\u00e1sico da vida para as pessoas. \u00c9 sobre isso que o\u00a0<em>Hei Afro! <\/em>chama a aten\u00e7\u00e3o: temos uma Eti\u00f3pia no Nordeste e sowetos no Brasil todo. Somos, na verdade, uma grande favela com algumas cidades no meio. Mas isso vai mudar.<\/p>\n<p>O Cidade Negra foi lan\u00e7ado comercialmente em 1986. Mas Laz\u00e3o ressalta que o grupo retrata, em sua obra, o contexto vivido em \u00a0Belfort Roxo, cidade da Baixada Fluminense, dos anos 1970, onde ele pr\u00f3prio nasceu. \u201cA ditadura calava a boca dos compositores e de todos que se manifestavam contra ela. O munic\u00edpio era a lixeira, o esgoto da pol\u00edcia da \u00e9poca. A Unesco chegou a considerar Belfort Roxo, em sua pesquisa, em 1974, mais violenta do que o L\u00edbano, naquele tempo\u201d. O m\u00fasico explica que a banda foi criada com esse estigma e com um ideal de mudan\u00e7a da comunidade. Laz\u00e3o e Bino Farias s\u00e3o da cidade, e Toni Garrido da Vila Kennedy, na Zona Oeste. \u201cMas \u00e9 um gueto s\u00f3. Todo o sub\u00farbio se parece. E a gente nasceu dessa necessidade de se expressar de uma forma mais forte e pol\u00edtica\u201d. Laz\u00e3o lembra que o Reaggae, em sua origem, na Jamaica, tinha essas mesmas caracter\u00edsticas \u2013 porque fez parte da luta pela independ\u00eancia do pa\u00eds, ent\u00e3o col\u00f4nia inglesa \u2013 .<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: <a href=\"http:\/\/www.cidadenegra.com.br\">www.cidadenegra.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o show que apresentou na Sala Funarte Sidney Miller, no dia 28 de mar\u00e7o de 2014, no M\u00fasica no Capanema, m\u00fasicos da banda Cidade Negra falam com exclusividade para o Portal da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes &#8211; realizadora do projeto. O \u00e1lbum\u00a0Hei Afro! marca o reencontro do grupo com Toni Garrido. 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