{"id":65389,"date":"2014-05-02T19:12:00","date_gmt":"2014-05-02T22:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=65389"},"modified":"2014-05-02T19:21:01","modified_gmt":"2014-05-02T22:21:01","slug":"violencia-urbana-e-conflito-de-classes-sao-temas-de-espetaculo-no-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=65389","title":{"rendered":"Viol\u00eancia urbana e conflito de classes s\u00e3o temas de espet\u00e1culo no Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\">A Associa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica N\u00f3is de Teatro estreia, no Theatro Jos\u00e9 de Alencar, no Centro de Fortaleza (CE), no dia 3 de maio, s\u00e1bado, \u00e0s 19h, o espet\u00e1culo <em>Quase nada<\/em>, do dramaturgo cearense Marcos Barbosa.<\/span><\/p>\n<p>Um casal de classe m\u00e9dia alta, Numa grande metr\u00f3pole, de madrugada, \u00e9 abordado por um menino de rua num sem\u00e1foro. Assustados, o jovem casal atira no menino, que morre em pleno asfalto. Ant\u00f4nio e Sara recebem no seu apartamento uma senhora que julga ter visto o assassinato. Este \u00e9 o enredo da pe\u00e7a, que coloca em cena duas quest\u00f5es, de forma antag\u00f4nica: se, de um lado, o jovem casal assassinou \u00e0 queima-roupa uma crian\u00e7a, do outro, a tal senhora aceita propina para n\u00e3o denunciar o caso. Para Altemar di Monteiro, coordenador do Coordena\u00e7\u00e3o N\u00f3is de Teatro, essa dualidade tem como proposta ir al\u00e9m de um discurso pol\u00edtico fechado e panflet\u00e1rio.<\/p>\n<p>A inquieta\u00e7\u00e3o com o surto de viol\u00eancia que assola a cidade, em especial com os antagonismos travados entre periferia e centro, faveliza\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o de renda, marginaliza\u00e7\u00e3o e capitalismo foi a principal motiva\u00e7\u00e3o para a montagem da pe\u00e7a. \u201cO encontro com o universo tem\u00e1tico de Marcos Barbosa veio fortalecer uma s\u00e9rie de quest\u00f5es po\u00e9ticas e pol\u00edticas que vinham nos atravessando nos \u00faltimos anos. Em especial, pela necessidade de discutir a viol\u00eancia urbana e os alarmantes n\u00fameros, que apontam Fortaleza como o s\u00e9timo lugar mais violento do mundo &#8211; dados que amea\u00e7am uma classe m\u00e9dia em ascens\u00e3o, \u00e1vida por garantir seu lugar de conforto e seguran\u00e7a\u201d, explica Altemar.<\/p>\n<p><strong>A \u201cpo\u00e9tica da rua e seu t\u00f4nus \u00e9pico\u201d, num teatro questionador<br \/>\n<\/strong>O coordenador da N\u00f3is de Teatro diz que a luta de classes sempre representou uma for\u00e7a motriz do trabalho est\u00e9tico do grupo. A pesquisa est\u00e9tica da Associa\u00e7\u00e3o, sobretudo nos \u00faltimos anos, aponta caminhos art\u00edsticos que revela um \u201colhar dial\u00e9tico\u201d sobre o mundo contempor\u00e2neo. \u201cNossas imers\u00f5es na po\u00e9tica da rua e seu t\u00f4nus \u00e9pico nos instigam, constantemente, a pensar um teatro questionador, inquietante, detonador de uma cidade em crise. Ao montar <em>Quase Nada,<\/em> buscamos avan\u00e7ar nessa percep\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, cr\u00edtica, na busca por uma an\u00e1lise profunda da narrativa\u201d<\/p>\n<p><strong>O espa\u00e7o das ruas: vida p\u00fablica que influencia a vida privada<br \/>\n<\/strong>O coordenador comenta: \u201cEm meio ao caos de uma cidade grande, em mais uma noite quente, um jovem casal de classe m\u00e9dia se v\u00ea no direito de matar a queima-roupa uma crian\u00e7a na rua. Um menino apenas. Na madrugada, talvez \u00e9brios, talvez insanos, ou mesmo em pleno controle das escolhas e emo\u00e7\u00f5es, a vida de um garoto escorrega sob uma fagulha fina de imprecis\u00e3o. Olhares nervosos e inquietos talvez possam ter visto o ato. C\u00e2meras de celulares, registros moment\u00e2neos, compartilhamentos nas redes sociais, revoltas, revolu\u00e7\u00f5es, indigna\u00e7\u00f5es poderiam surgir de mais um entre tantos outros casos de viol\u00eancia urbana n\u00e3o curtidos na linha do tempo. Mulher carregada pela viatura. Assalto \u00e0 m\u00e3o armada. Explos\u00f5es de caixas eletr\u00f4nicos. Vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria. Seguran\u00e7a do trabalho. <em>Big Brother<\/em> da vida real. A sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a torna-se a base da felicidade do homem contempor\u00e2neo. Que seguran\u00e7a? Quem paga o seguro das nossas ap\u00f3lices vencidas? Quem assinou o contrato que assegura o sinistro? [&#8230;] O espa\u00e7o p\u00fablico, cada vez mais privatizado, com v\u00e1rios donos, perde, a passos largos, sua beleza de mobiliza\u00e7\u00e3o e confraterniza\u00e7\u00e3o, aquela busca do amor (o tal sentimento brega e fora de moda). Estar fora de casa, cerceado, controlado, invadido e disperso, vai se tornando cada vez mais um ato de resist\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sobre o N\u00f3is de Teatro<\/strong> \u2013 O coletivo surgiu, em 2002, dos anseios de mudan\u00e7a na realidade social e pol\u00edtica dos jovens artistas de Granja Portugal, em Fortaleza. Desde o come\u00e7o do trabalho, eles produziam \u201cnoites culturais\u201d no bairro. Hoje, a inquietude do grupo permanece a mesma, diante das mazelas da cidade. \u201cTentamos romper a barreira maliciosa que ainda segrega e divide na no\u00e7\u00e3o de periferia e centro\u201d, diz Altemar. Segundo ele, o teatro de rua do grupo sempre teve como marca a necessidade de discutir e debater, no espa\u00e7o p\u00fablico, \u201co esquema de opress\u00e3o e marginalidade que tentam inserir nossa comunidade, nosso lar, nossas vidas\u201d.<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"color: #000000;\">Quase nada<br \/>\n<\/span><\/em><\/strong>De Marcos Barbosa<\/p>\n<p>Realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica N\u00f3is de Teatro &#8211; Cear\u00e1<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>De 3 a 31 de maio de 2014 \u2013 s\u00e1bados e domingos, \u00e0s 19h<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Theatro Jos\u00e9 de Alencar<br \/>\n<\/strong>Rua Liberato Barroso, 525 &#8211; Centro, Fortaleza &#8211; CE<br \/>\nTel.: (85) 3101-2583<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong><strong> Projeto contemplado com o Pr\u00eamio Funarte de Teatro Myriam Muniz \/ 2013<\/strong><strong> <\/strong><\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HC-RZvsCmc8\" target=\"_blank\">Veja v\u00eddeo aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\n<\/strong>Dire\u00e7\u00e3o Geral \u2013 Altemar di Monteiro. Texto \u2013 Marcos Barbosa.<br \/>\nElenco: Edna Freire, Magno Carvalho, Kelly Enne Saldanha, Henrique Gonzaga e Jefferson Saldanha<br \/>\nApoio \u2013 Nayana Santos. Figurino \u2013 Ruth Arag\u00e3o. Maquiagem \u2013 Edna Freire. Cen\u00e1rio \u2013 Elaine Nascimento e Jefferson Saldanha. Cenot\u00e9cnico \u2013 Andre Rocha e Patrick Welber<br \/>\nCostureira \u2013 Ayla Silva. Cabeleireiras \u2013 Taline Martins e Odeli Lima. Dire\u00e7\u00e3o de Fotografia e Montagem dos V\u00eddeos \u2013 Irene Bandeira. Prepara\u00e7\u00e3o de elenco para v\u00eddeo \u2013 Nataly Rocha. Capta\u00e7\u00e3o de Som \u2013 Vivi Rocha. Fotografia \u2013 Duda Lemos. Projeto Gr\u00e1fico \u2013 Walmick Campos.<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o \u2013 N\u00f3is de Teatro<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o Executiva: Altemar di Monteiro, Kelly Enne Saldanha e Henrique Gonzaga<br \/>\n<strong>Parceria<\/strong>: Ponto G da Beleza, Grafcenter<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o N\u00f3is de Teatro<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/noisdeteatro.blogspot.com\/\">http:\/\/noisdeteatro.blogspot.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/twitter.com\/noisdeteatro\">http:\/\/twitter.com\/noisdeteatro<\/a><\/p>\n<p><a href=\"mailto:gruponois@yahoo.com.br\">gruponois@yahoo.com.br<\/a><\/p>\n<p>Tels.: (85) 8720.1135 \/ 8567.4553 \/ 8678.5661<\/p>\n<p><strong>Agradecimentos:<\/strong> Marcos Barbosa. Comunidade de Granja Lisboa. Tiago Arraes e IFCE (espa\u00e7o para os ensaios). Taline Martins e Odeli Lima (cabelos). Isabel Gurgel e equipe do Theatro Jos\u00e9 de Alencar. Carolina Vieira. Dudu Abreu, Gerardo e Natalia Lima (colabora\u00e7\u00e3o para os sets de filmagem). Duda Lemos, J\u00falio Martins, \u00cdtalo Saldanha, Edigar Monteiro, Murillo Ramos, Amanda Freires, Bruno Sodr\u00e9, Doroteia Ferreira, Andrei Bessa, Carol Veras, Tiago Leal, Velma Zehd, Creston Filho, Raimundo Filho, Teatro M\u00e1quina, Grupo Bagaceira, Grupo Pavilh\u00e3o da Magn\u00f3lia, Expedito Garcia e Grupo Populart.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Associa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica N\u00f3is de Teatro estreia, no Theatro Jos\u00e9 de Alencar, no Centro de Fortaleza (CE), no dia 3 de maio, s\u00e1bado, \u00e0s 19h, o espet\u00e1culo Quase nada, do dramaturgo cearense Marcos Barbosa. Um casal de classe m\u00e9dia alta, Numa grande metr\u00f3pole, de madrugada, \u00e9 abordado por um menino de rua num sem\u00e1foro. 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