{"id":69304,"date":"2014-09-25T11:00:35","date_gmt":"2014-09-25T14:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=69304"},"modified":"2014-09-26T11:26:56","modified_gmt":"2014-09-26T14:26:56","slug":"encontro-de-politicas-para-as-artes-debate-formacao-e-producao-cultural-acessibilidade-de-pessoas-com-deficiencia-e-outros-temas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=69304","title":{"rendered":"Encontro de Pol\u00edticas para as Artes debate forma\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o cultural, acessibilidade de pessoas com defici\u00eancia e outros temas"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #000000;\">MESA 4 &#8211;<em> PRODU\u00c7\u00c3O E POL\u00cdTICAS PARA AS ARTES<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Mediadora: Ester Moreira, diretora do Centro de Programas Integrados \u2013 Cepin\/Funarte<\/strong><\/p>\n<p>Na confer\u00eancia <em>A trajet\u00f3ria da Associa\u00e7\u00e3o VSA do Brasil e o Programa Arte sem barreiras\u2013 1990-2004<\/em>, o soci\u00f3logo \u2013 especializado em acessibilidade cultural na UFRJ, em Gest\u00e3o Cultural na UNB e em Movimentos Sociais na UFMG \u2013 e jornalista Andr\u00e9 Andries, contou a hist\u00f3ria do Arte sem barreiras e de sua experi\u00eancia de dez anos como coordenador do programa. Fundada em 1988, por Albertina Brasil, ent\u00e3o diretora executiva da Funarte, e Ritamaria Aguiar, a iniciativa teve como objetivo valorizar o artista com defici\u00eancia e mostrar que por meio da m\u00fasica, do teatro, das artes pl\u00e1sticas, da literatura e da dan\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel \u201cresgatar o pleno potencial humano e produzir meios de intera\u00e7\u00e3o\u201d* entre as pessoas com defici\u00eancia e os demais cidad\u00e3os. Andr\u00e9 prestou reconhecimento ao pioneirismo de Albertina e lembrou a import\u00e2ncia da Associa\u00e7\u00e3o Very Special Arts Brasil (VSA) fundada pela assistente social, p\u00f3s-graduada nos EUA em Administra\u00e7\u00e3o de Programas Sociais e Lideran\u00e7as Comunit\u00e1rias. Em 1954, ela fundou a Faculdade de Servi\u00e7o Social de Sergipe, que dirigiu, at\u00e9 1959, e onde organizou festivais de artes e iniciou uma rede de troca de informa\u00e7\u00f5es culturais e circula\u00e7\u00e3o de projetos. \u201cAssim, criou o primeiro departamento de assuntos culturais universit\u00e1rios, modelo que se multiplicou\u201d sublinhou o palestrante. Albertina ampliou essa a\u00e7\u00e3o, como vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura de Sergipe e como diretora da Faculdade de Servi\u00e7o Social da Universidade Federal de Juiz de Fora \u2013 mesmo assediada pelo regime militar.<\/p>\n<p>A rede cultural foi parceira importante da Funarte. Sua idealizadora faleceu num acidente de carro, em 2004, ano em que o <em>Arte sem barreiras<\/em> foi descontinuado. Com sede na Funda\u00e7\u00e3o, o programa era mantido pela VSA, atrav\u00e9s de parcerias p\u00fablico-privadas com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e, por algum tempo, com a Caixa. \u201cA quest\u00e3o do artista com defici\u00eancia ainda tinha uma aura assistencial e personalista. N\u00e3o havia lei espec\u00edfica, mas a luta por ela, baseada nos direitos humanos\u201d, comentou Andr\u00e9. Ele fez um painel sobre a iniciativa. Destacou a atua\u00e7\u00e3o dos bailarinos Rog\u00e9rio Andreolli, primeiro homem no Brasil a dan\u00e7ar numa cadeira de rodas (hoje na Pulsar Cia. de Dan\u00e7a) e Roberto Moraes (cadeirante que veio a integrar o Giradan\u00e7a) \u201co Arte sem barreiras\u201d impulsionou experimenta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas valiosas \u2013 por exemplo, entre artistas cadeirantes e andantes\u201d, pontuou. Citou o fot\u00f3grafo com defici\u00eancia visual Evgen Bavcar, esloveno, que influenciou outros criadores cegos no Brasil; Assis Arag\u00e3o, tetrapl\u00e9gico que conseguiu se adaptar \u00e0 pintura e \u00e0 escultura; a produ\u00e7\u00e3o de artistas surdos; entre outros, em v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. &#8220;\u00c9 um legado de 16 anos, com obras de quase dois mil realizadores, em todas as linguagens&#8221;, enfatizou o palestrante.<\/p>\n<p>Assim, ficou claro de que modo o <em>Arte sem barreiras<\/em> tornou-se modelo de a\u00e7\u00e3o cultural dirigida \u00e0 acessibilidade. \u201cH\u00e1 cerca de dez anos n\u00e3o temos a\u00e7\u00f5es no g\u00eanero\u201d, alertou o servidor. \u201cEditais n\u00e3o alcan\u00e7am programas de t\u00e3o longa dura\u00e7\u00e3o\u201d. O programa tinha duas vertentes: a de educa\u00e7\u00e3o e a de arte. \u201cFoi uma das propostas que estimulou o conceito de arte-educa\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d, disse \u2013 cuja ideia teve resist\u00eancia: \u201cAs pessoas temem a educa\u00e7\u00e3o pela sensibilidade, por causa do grau de revolu\u00e7\u00e3o que ela pode provocar\u201d, explicou; e lembrou que, criada a federa\u00e7\u00e3o de arte educadores do Brasil, ela foi parceira da a\u00e7\u00e3o, na figura de Anna Mae Barbosa \u2013 primeira doutora da \u00e1rea no Brasil (orientadora da USP).<\/p>\n<div>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Projeto Inclus\u00e3o pela Arte: acessibilidade das pessoas com defici\u00eancia auditiva<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A fala seguinte foi de Thaissa Vasconcelos, da Associa\u00e7\u00e3o de Amigos da Biblioteca Comunit\u00e1ria Oscar Romero. P\u00f3s-graduada em Gest\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o Cultural, com especializa\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas P\u00fablicas Culturais (UERJ), ela apresentou o projeto <em>Inclus\u00e3o pela Arte<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\">\n<p>Considerada o primeiro equipamento cultural do Munic\u00edpio de Mesquita (Baixada Fluminense) a Biblioteca foi fundada por jovens, em 1982, sem apoio governamental, s\u00f3 com a ajuda da comunidade. Depois batizada como Centro Cultural e cadastrada como ponto de cultura, ela conta com um pequeno teatro e \u00e9 sede do grupo Cochicho na Coxia. Dirigido por Thaissa, o coletivo realiza apresenta\u00e7\u00f5es, oficinas e outros eventos de arte, sempre com entrada franca, para reunir a comunidade e integr\u00e1-la ao espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O Inclus\u00e3o pela arte come\u00e7ou com a simples atua\u00e7\u00e3o de um int\u00e9rprete de Libras (linguagem para pessoas com defici\u00eancia auditiva), para traduzir os espet\u00e1culos do grupo. \u201cPercebemos a dificuldade deles para assistir a filmes e espet\u00e1culos teatrais e fizemos oficinas de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Libras, e espet\u00e1culos com os clowns da <em>Caravana da inclus\u00e3o<\/em>. Eles propagavam que as diferen\u00e7as s\u00e3o positivas\u201d. O grupo ganhou um edital da ONG Brazil Foundation e desenvolveu o Projeto <em>Inclus\u00e3o pela Libras<\/em>, com foco nos Professores da Rede P\u00fablica de ensino. Thaissa acrescentou que o trabalho fortaleceu o movimento pela educa\u00e7\u00e3o inclusiva \u2013 pelos direitos das pessoas com defici\u00eancia. Os artistas decidiram ampliar a a\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico adulto. \u201cPensamos al\u00e9m: que os surdos tamb\u00e9m podiam fazer o espet\u00e1culo. Al\u00e9m disso, h\u00e1, ainda, uma cultura singular das pessoas com defici\u00eancia auditiva, que deve ser mostrada\u201d acrescentou a produtora. Assim surgiu o <em>Inclus\u00e3o pela arte<\/em>, para o qual eles buscam patroc\u00ednio. \u201cMas os projetos inclusivos t\u00eam dificuldade de atender a cl\u00e1usulas de sustentabilidade financeira. Por que isso \u00e9 assim? Como fazer para ultrapassar isso?\u201d questionou a produtora. A proposta tem sido inscrita em todos os principais editais, mas tem encontrado esse e outros empecilhos.<\/p>\n<div id=\"_mcePaste\"><strong><span style=\"color: #000000;\">A formula\u00e7\u00e3o de um programa p\u00fablico direcionado \u00e0 acessibilidade cultural<\/span><\/strong><\/div>\n<div>\n<p>A seguir, foi realizada a palestra de Jos\u00e9 Maur\u00edcio Moreira \u2013 p\u00f3s-graduado em Acessibilidade Cultural (UFRJ); graduado em Hist\u00f3ria e em Teatro e servidor da Funarte. Ele fez um resumo de sua monografia de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina da UFRJ: <em>Edital Funarte Acessibilidade Cultural: pr\u00e9-proposta de edital para uma pol\u00edtica de acessibilidade na Funarte\/MinC. O <\/em>palestrante mostrou representa\u00e7\u00f5es da pessoa com defici\u00eancia na hist\u00f3ria da arte. Foram obras de arte cl\u00e1ssicas a elementos da cultura popular, com olhar de historiador \u2013 personagens com defici\u00eancia, da literatura e dos mitos. Citou desde a defici\u00eancia f\u00edsica at\u00e9 a singularidade intelectual. Citou exemplos, retirados da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica muito antiga, at\u00e9 ao audiovisual contempor\u00e2neo. \u201cComecei pelo teatro, desde a Gr\u00e9cia antiga e passei pelo cinema. Mas n\u00e3o seria poss\u00edvel abranger todas as \u00e1reas. De qualquer forma, percebe-se que, ao longo da hist\u00f3ria, a defici\u00eancia sempre levou \u00e0 exclus\u00e3o\u201d. Os cegos, por exemplo, poderiam ser or\u00e1culos na antiguidade. Mas a defici\u00eancia geralmente \u00e9 associada a dist\u00farbios de comportamento, ou de moral, de forma preconceituosa. A pessoa com defici\u00eancia \u00e9 vista como algu\u00e9m que simplesmente &#8216;quer ser curado&#8217;. Isso apaga a ideia da diferen\u00e7a\u201d, explica o autor.<\/p>\n<p>Com a sugest\u00e3o ele pretende contribuir para os avan\u00e7os dos programas direcionados a artistas com defici\u00eancia. \u201cMas eu tamb\u00e9m questiono se o melhor caminho de execu\u00e7\u00e3o \u00e9 o do edital. A discuss\u00e3o sobre a pol\u00edtica dos editais deve prosseguir. Mas, fora isso, temos indicado que sejam inclu\u00eddos, nas a\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes, cl\u00e1usulas relacionadas \u00e0 quest\u00e3o [o que j\u00e1 come\u00e7ou a ser feito pela Funarte\/MinC], al\u00e9m de pontua\u00e7\u00f5es especiais para projetos ligados \u00e0 inclus\u00e3o\u201d, comentou. Por\u00e9m, a proposta n\u00e3o prev\u00ea somente isso, mas tamb\u00e9m que deva haver espa\u00e7o para que os projetos tenham, de fato, rela\u00e7\u00e3o com a causa da valoriza\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia. \u201cPor outro lado, n\u00e3o se pode padronizar as demandas delas, porque s\u00e3o diversas. H\u00e1 diferen\u00e7as entre os indiv\u00edduos, quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, a interesses e a op\u00e7\u00f5es. Isso deve ser considerado\u201d, refletiu.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Maur\u00edcio citou, ainda, como refer\u00eancia, o programa <em>Nada sobre n\u00f3s sem n\u00f3s<\/em>, que possibilitou a cidad\u00e3os com defici\u00eancias \u2013 mentais e f\u00edsicas \u2013 produzirem atividades culturais, em 2008, no Rio de Janeiro. A a\u00e7\u00e3o, realizada pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC e a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz\/LAPS, gerou uma s\u00e9rie de oficinas nacionais para a indica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, com apoio da Caixa. As conclus\u00f5es desse trabalho prop\u00f5em \u201cdesafios para as pol\u00edticas p\u00fablicas no sentido de ampliar sua vis\u00e3o sobre defici\u00eancia\u201d e \u201ca urg\u00eancia da cultura se inserir nesse processo com maior afinco\u201d (Castro, F\u00e1tima C. D. &#8211; UFBA \u2013 2009).<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>A dan\u00e7a no <em>Arte sem barreiras<\/em> e os programas para a \u00e1rea<\/strong><\/span><\/p>\n<p>A mesa terminou com Andrea Chiesorin, com a fala <em>Programa Arte sem barreiras \/ Comit\u00ea Estadual do Rio de Janeiro \/ N\u00facleo de Artes C\u00eanicas: setor Dan\u00e7a Arte sem barreiras<\/em>. A palestrante \u00e9 assistente de dire\u00e7\u00e3o na Angel Vianna Escola e Faculdade; bailarina e fundadora da Pulsar Cia. de Dan\u00e7a Contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas com defici\u00eancia devem se organizar polilticamente, para buscar novas conquistas e o atendimento \u00e0s suas demandas; e estimular a cria\u00e7\u00e3o de acessos, espa\u00e7os e pr\u00e1ticas apropriadas a eles. Por exemplo: a autodescri\u00e7\u00e3o c\u00eanica. A acessibilidade comunicacional deve ser criada j\u00e1 na concep\u00e7\u00e3o dos projetos. Mas a vis\u00e3o de acesso \u00e0 pessoa com defici\u00eancia cria novos problemas, que t\u00eam de ser enfrentados pelos produtores culturais. Ela deve ser de acessibilidade art\u00edstica\u201d, opinou Andrea. Ela lembrou que, no <em>Artes sem barreiras<\/em>, havia di\u00e1logos sobre isso com os realizadores de todo o Brasil.<\/p>\n<p>\u201cPor outro lado, sempre se discute a quest\u00e3o de dificuldades quanto a or\u00e7amento dos projetos inclusivos. Na Funarte, o programa foi levado a grandes bancos e foi mostrada a eles qualidade \u2013 por isso se conseguiu patroc\u00ednio. Em 2004, Ano Iberoamericano da Pessoa com Defici\u00eancia, essa produ\u00e7\u00e3o foi mostrada a representantes oficiais de v\u00e1rios pa\u00edses. O <em>Arte sem barreiras <\/em>foi, de fato, a grande refer\u00eancia para pol\u00edticas do g\u00eanero. Hoje, \u00e9 preciso ouvir as pessoas com defici\u00eancia, para repensar estrat\u00e9gias. Elas t\u00eam que ser inclu\u00eddas nesse processo\u201d, completou. A artista acrescentou que, na verdade, \u201cnada sobre n\u00f3s sem n\u00f3s\u201d \u00e9 um lema antigo da causa pelos direitos desses cidad\u00e3os e deve balizar o planejamento de a\u00e7\u00f5es que os incluam.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">MESA 5<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m as 14h, foi realizada a mesa 5, no Sal\u00e3o Deolindo Couto \u2013 5\u00ba Andar do Pal\u00e1cio Capanema, a segunda mesa sobre produ\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas para as artes . A media\u00e7\u00e3o ficou a cargo de Maristela Rangel, coordenadora do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o \u2013 Cedoc\/Cepin\/Funarte. O tema<em> Pontos de Mem\u00f3ria: interfaces com a economia criativa<\/em> foi desenvolvido por Aline Miguel, narradora de hist\u00f3rias, e pesquisadora em literatura e em educa\u00e7\u00e3o, e por Tatiane Reis, rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e produtora cultural do Instituto Abrapalavra. A palestra <em>Vila Santo Antonio: um breve relato sobre mem\u00f3ria e resist\u00eancia na Amaz\u00f4nia<\/em> foi ministrada por Camila dos Reis, bacharel e com licenciatura em Artes Visuais pela UFPA. A an\u00e1lise Espa\u00e7os para a mem\u00f3ria cultural: refletindo sobre pol\u00edtica cultural em uma universidade p\u00fablica feita por tr\u00eas conferencistas: Pablo Gobira, doutor pela Escola Guignard (UFMG); Fernanda Corr\u00eaa, graduanda na Escola Guignard (UFMG); e Karla Danitza de Almeida, graduanda da Faculdade de Pol\u00edticas P\u00fablicas (UFMG). J\u00e1 a coordenadora Geral do Instituto Imagem e Cidadania Marjorie Botelho falou sobre o Sobrado Cultural Rural \u2013 Bom Jardim (RJ).<\/p>\n<p>Mestre em Estudos Liter\u00e1rios pela UFMG e doutoranda em Educa\u00e7\u00e3o pela UFF, Aline Miguel considerou que moradores de comunidades de baixa renda tem conquistado parcerias e apoio para desenvolver projetos culturais. A narradora de hist\u00f3rias contou sua experi\u00eancia com grupos das comunidades com que trabalhou. Eles cederam o quintal de sua casa para eventos com contadores de hist\u00f3ria, m\u00fasica e outras atividades.<\/p>\n<p>Natural de Bel\u00e9m (PA), Camila dos Reis mora no Rio e faz mestrado na UERJ. Ela comentou que no Par\u00e1 h\u00e1 dificuldades para a atividade cultural. Ela fez um relato sobre o problema da desapropria\u00e7\u00e3o e das demoli\u00e7\u00f5es na Vila Santo Antonio, em seu estado natal. A comunidade rural de m\u00e9dio porte, fica no munic\u00edpio \u00e0s margens da Rodovia Transamaz\u00f4nica entre Altamira e Anapu, no Munic\u00edpio de Vit\u00f3ria do Xingu, ao lado do principal canteiro de obras da Usina de Belo Monte. Pesquisa de nossa reportagem apurou que, segundo a associa\u00e7\u00e3o de moradores, uma Declara\u00e7\u00e3o de Utilidade P\u00fablica ordenou a desapropria\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria de cerca de 25 im\u00f3veis da popula\u00e7\u00e3o, para a constru\u00e7\u00e3o da Usina. Moradores t\u00eam direito a indeniza\u00e7\u00e3o, mas a maioria a considera baixa; e muitos n\u00e3o tem documenta\u00e7\u00e3o das suas terras \u2013 por\u00e9m, est\u00e3o ali h\u00e1 mais de 40 anos. Como viviam da pesca ou do trabalho agr\u00edcola em fazendas, ficaram em situa\u00e7\u00e3o de risco social. Teria sido formado um consenso na popula\u00e7\u00e3o: era prefer\u00edvel o reassentamento \u00e0s indeniza\u00e7\u00f5es. \u201cMas a demoli\u00e7\u00e3o come\u00e7ou e muitas casas j\u00e1 foram abaixo\u201d, informou Camila. \u201cE o rio est\u00e1 sendo represado. As florestas l\u00e1 est\u00e1 sendo devastada. Os rios est\u00e3o virando lagos e as plantas, morrendo\u201d, disse a palestrante.<\/p>\n<p>A estudiosa comentou que a Vila sofre de car\u00eancias de v\u00e1rios tipos e que, em 2011, houve um semin\u00e1rio em Belo Monte, para organizar projetos sociais. \u201cGrupos de assistentes sociais fazem um trabalho junto aos jovens. Diante de tudo isso, a cultura tem que ser transformadora\u201d disse Camila. Para melhorar o local, pessoas se uniram e buscaram apoio em cidades vizinhas. Como exemplo de a\u00e7\u00e3o, a conferencista citou um barrac\u00e3o de festas que, ao mesmo tempo, geria uma pequena produ\u00e7\u00e3o de artesanato, era ponto de lazer, m\u00fasica e outras atividades culturais.<\/p>\n<p>Mestre em educa\u00e7\u00e3o pela UFF\/RJ, Marjorie Botelho assinalou a dificuldade de transporte em Bom Jardim (RJ). Informou que a popula\u00e7\u00e3o local est\u00e1 em di\u00e1logo com o MinC para estimular a cultura na regi\u00e3o. \u201cH\u00e1, no munic\u00edpio, um projeto em que se vai \u00e0s casas dos moradores, para incentivar o h\u00e1bito da leitura\u201d, destacou.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>IV ENCONTRO FUNARTE DE POL\u00cdTICAS PARA AS ARTES<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Rodada RJ<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Dias <strong>24 e 25 de setembro<\/strong> de 2014, das 10h \u00e0s 18h<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Pal\u00e1cio da Cultura Gustavo Capanema<br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Rua da Imprensa, 16 &#8211; Sala Portinari &#8211; segundo andar<br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 13px;\">Centro \u2013 Rio de Janeiro (RJ)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte<br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Centro de Programas Integrados<\/span><\/p>\n<p><strong>cepin@funarte.gov.br<\/strong><\/p>\n<p><strong>* &#8211; <\/strong><strong>Fonte: blog do programa<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MESA 4 &#8211; PRODU\u00c7\u00c3O E POL\u00cdTICAS PARA AS ARTES Mediadora: Ester Moreira, diretora do Centro de Programas Integrados \u2013 Cepin\/Funarte Na confer\u00eancia A trajet\u00f3ria da Associa\u00e7\u00e3o VSA do Brasil e o Programa Arte sem barreiras\u2013 1990-2004, o soci\u00f3logo \u2013 especializado em acessibilidade cultural na UFRJ, em Gest\u00e3o Cultural na UNB e em Movimentos Sociais na&hellip; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=69304\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Encontro de Pol\u00edticas para as Artes debate forma\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o cultural, acessibilidade de pessoas com defici\u00eancia e outros temas<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":81,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-69304","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-funarte","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/69304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/81"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=69304"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/69304\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69326,"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/69304\/revisions\/69326"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=69304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=69304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=69304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}