{"id":72103,"date":"2014-11-27T17:23:17","date_gmt":"2014-11-27T19:23:17","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=72103"},"modified":"2014-12-02T17:39:07","modified_gmt":"2014-12-02T19:39:07","slug":"nelson-sargento-90-anos-de-vida-e-60-de-samba-no-memoria-musical-funarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=72103","title":{"rendered":"Nelson Sargento: 90 anos de vida e 60 de samba, no &#8216;Mem\u00f3ria Musical Funarte&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: medium;\">Nelson Sargento, \u00eddolo do samba e da escola carioca Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, abriu o projeto <em>Mem\u00f3ria Musical Funarte: em Canto e Conto<\/em> no dia 24 de novembro, na Sala Funarte Sidney Miller \u2013 Rio de Janeiro. Na s\u00e9rie de dez depoimentos musicados, a Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte entrevista artistas que fizeram a hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira, \u00a0com entrada franca. A curadoria e as entrevistas ficam a cargo de Pedro Paulo Malta, coordenador do Canal Virtual Funarte e pesquisador musical.<\/span><\/p>\n<p>Um dos mais respeitados compositores brasileiros, com 90 anos de idade \u2013 cerca de 60 dedicados ao samba \u2013 , Nelson Sargento mudou-se para o Morro da Mangueira, Zona Norte, aos 12 anos. O autor do cl\u00e1ssico\u00a0<em>Agoniza, mas n\u00e3o morre <\/em>comp\u00f4s cerca de quatrocentas m\u00fasicas \u2013 muitas delas parte da hist\u00f3ria da Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira. \u00c9 tamb\u00e9m pesquisador da m\u00fasica popular brasileira, escritor e artista pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>\u201cEste projeto vai trazer de volta para o povo o que \u00e9 a Funarte. Eu a considero a casa do samba. Por aqui j\u00e1 passaram muitos artistas bons e v\u00e3o continuar passando. Sambista \u00e9 melhor no samba do que em contar hist\u00f3ria. Mas a gente conta; e passa para as pessoas o que tem para passar. Houve um tempo em que a pol\u00edcia batia no sambista e acabava com as rodas de samba. O que me marca nesses anos de carreira \u00e9 ver o samba e a m\u00fasica popular brasileira evoluindo. Isso me deixa feliz\u201d, resumiu Nelson.<\/p>\n<p>No depoimento,\u00a0ele relembrou personagens hist\u00f3ricos da\u00a0sua escola do cora\u00e7\u00e3o, como\u00a0Cartola, Alu\u00edsio Dias, Xang\u00f4 da Mangueira e outros. Contou hist\u00f3rias da Verde e rosa e de outras agremia\u00e7\u00f5es.\u00a0Recordou\u00a0sambas de terreiro que marcaram a m\u00fasica, das rodas do Est\u00e1cio da Tia Ciata e outras. Reviveu m\u00fasicas de outros compositores e suas; e os grandes\u00a0sambas da Esta\u00e7\u00e3o Primeira \u2013 \u201cO samba-enredo n\u00e3o era quesito de julgamento\u201d, comentou. Entre outras, ele cantou\u00a0<em>Ordenes e Farei (Cartola \/Alu\u00edsio Dias<\/em><em>)<\/em>;\u00a0<em>Agoniza, mas n\u00e3o morre (dele pr\u00f3prio), a famosa Exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mangueira (<\/em>En\u00e9as Brites da Silva \/ Alo\u00edsio Augusto da Costa<em>) <\/em>e C\u00e2ntico \u00e0 Natureza (ambas de 1955), dele, de Alfredo Portugu\u00eas \u2013 o pai adotivo do compositor \u2013 e Jamel\u00e3o (na autoria por ter sido int\u00e9rprete). Foi o samba\u00a0<em>C\u00e2ntico \u00e0 Natureza que abriu <\/em>a primeira edi\u00e7\u00e3o do Mem\u00f3ria Musical Funarte. A letra diz: \u201cBrilha no c\u00e9u o astro-rei\/ Com fulgura\u00e7\u00e3o\/ Abrasando a terra\/ Anunciando o ver\u00e3o\/ Outono\/ Esta\u00e7\u00e3o singela e pura\/ \u00c9 a pujan\u00e7a da natura\/ Dando frutos em profus\u00e3o\/ Inverno\/ Chuva, geada e garoa\/ Molhando a terra\/ Preciosa e t\u00e3o boa\/ Desponta\/ A primavera triunfal\/ S\u00e3o as esta\u00e7\u00f5es do ano\/ Num desfile magistral\u201d.<\/p>\n<p>Nelson contou que Alfredo, pintor de paredes, ensinou a ele a profiss\u00e3o (que exerceu, de fato). O apelido de \u201cSargento\u201d lhe foi dado pelos amigos, quando estava no ex\u00e9rcito. Quando sa\u00ed de l\u00e1, s\u00f3 sabia fazer duas coisas: samba e pintura de paredes\u201d, comentou. Mas\u00a0o Portugu\u00eas tamb\u00e9m fez m\u00fasica, &#8211; com Cartola, N\u00e9lson Cavaquinho e outros \u2013 e ganhou quatro sambas-enredo. Foi na casa de Alfredo que Sargento conheceu Cartola, Carlos Cacha\u00e7a, Malvadeza, Alu\u00edsio Dias, Baba\u00fa, e outros gigantes. \u201cGaranto que aprendi alguma coisa com eles. Me ensinaram muito. Eu \u00e9 que aprendi pouco\u201d, brincou Nelson \u2013 com humildade t\u00e3o grande quanto seu talento. O artista descreveu como foi criado o \u201cSamba do oper\u00e1rio\u201d, na casa do Portugu\u00eas, por ele e por Cartola, cuja melodia foi completada por Nelson. Ele comentou a import\u00e2ncia de Cartola para a Mangueira e para a m\u00fasica. \u201cFundou a escola, deu suas cores e seu nome; e a divulgou \u201d, disse. Reconheceu tamb\u00e9m a influ\u00eancia de Paulo da Portela na difus\u00e3o do samba. Recordou que Carlos Cacha\u00e7a, al\u00e9m de sambista de primeira e parceiro de Cartola, conseguiu benfeitorias para a comunidade, como uma escola p\u00fablica \u2013 pedida por ele ao prefeito Pereira Passos, em visita \u00e0 Mangueira, em 1934, e que existe at\u00e9 hoje. Citou ainda Nelson Cavaquinho \u2013 \u201cFoi o maior bo\u00eamio do Rio de Janeiro. Era a pessoa que todo mundo gostaria de ter em casa. E, realmente, ao final das noites de samba, as pessoas o levavam para casa. E ele ficava no m\u00ednimo uma semana!\u201d. Esses foram apenas alguns dos nomes que apareceram no bate-papo.<\/p>\n<p>Nelson lembrou que foi fundada outra escola, do outro lado do morro: a Unidos de Mangueira, o que gerou rivalidade. \u201cMas todos os bons sambistas que apareciam l\u00e1 o Carlos Cacha\u00e7a aliciava e levava para a Esta\u00e7\u00e3o Primeira, como N\u00e9lson Cavaquinho e o pr\u00f3prio Alfredo Portugu\u00eas. Quando ele foi, eu fui junto, claro\u201d. \u201cAs escolas sempre tiveram rixas, exceto a Mangueira e o Est\u00e1cio. Havia at\u00e9 um &#8216;servi\u00e7o de espionagem&#8217; nos barrac\u00f5es para descobrir os enredos. Se uma descobrisse o da outra, at\u00e9 mudava o seu. Isso foi assim at\u00e9 Fernando Pamplona [1926 \u2013 2013] do Salgueiro divulgar,\u00a0no meio do ano [1963]\u00a0o enredo Xica da Silva, quando abriu-se um modo de as escolas se confraternizarem\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o algumas das hist\u00f3rias contadas por Nelson Sargento que estar\u00e3o dispon\u00edveis, na \u00edntegra, em breve, neste Portal.<\/p>\n<p>No show, o compositor foi acompanhado por Agenor de Oliveira (viol\u00e3o) e Ronaldo Mattos (percuss\u00e3o). Estavam presentes a diretora do setor respons\u00e1vel pelo projeto, o Centro de Programas Integrados da Funarte, Ester Moreira; a assessora do Gabinete da Funda\u00e7\u00e3o, Ana Am\u00e9lia Velloso; a coordenadora de comunica\u00e7\u00e3o da Casa, Camilla Pereira; e Paulo Grij\u00f3 Gualberto, coordenador-geral de planejamento e administra\u00e7\u00e3o da entidade; entre outros servidores. \u201cO\u00a0<em>Mem\u00f3ria Musical Funarte <\/em>representa que a Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u00e9\u00a0o lugar onde a preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o da hist\u00f3ria da nossa arte e cultura deve ser feita. Elas devem estar nas telas da Funarte\u201d, disse Ester Moreira. \u201cAqui devemos colher, guardar e difundir a mem\u00f3ria da m\u00fasica e de todas as artes. Nada melhor do que come\u00e7ar o projeto com Nelson Sargento e a Mangueira\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Sobre o\u00a0<em>Mem\u00f3ria Musical Funarte: em canto e conto<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p>Em bate papo aberto ao p\u00fablico, com entrada franca, grandes artistas contam e cantam obras de mestres que inspiraram suas carreiras musicais, no\u00a0<em>Mem\u00f3ria Musical Funarte: em canto e conto<\/em>. Os eventos s\u00e3o gravados, para registro e difus\u00e3o no Portal da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes &#8211; Funarte (<a href=\"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/\">www.funarte.gov.br<\/a>). Monarco, Jo\u00e3o Roberto Kelly e outros grandes nomes da m\u00fasica fazem parte da programa\u00e7\u00e3o. Ela inclui dez depoimentos musicados, tendo cada um a dura\u00e7\u00e3o de 60 minutos. Um tema nortear\u00e1 o repert\u00f3rio e a conversa, que ser\u00e3o entremeados.\u00a0A programa\u00e7\u00e3o de 2014 termina no dia 18 de dezembro.<\/p>\n<p>\u201cO que tem o samba, o choro, o jongo, o bai\u00e3o em comum com marchinhas de carnaval e o rock? Ao falarmos de Brasil tem tudo, principalmente quando lembramos trajet\u00f3rias e hist\u00f3rias de nomes como Candeia, Paulo da Portela, Silas de Oliveira, Jacob do Bandolim, Braguinha, Lamartine Babo, Luiz Gonzaga, Chiquinha Gonzaga, Raul Seixas e tantos outros. Foi para fazer o registro dessa mistura t\u00e3o original que comp\u00f5e a diversidade musical brasileira que a Funarte criou o projeto\u201d, define Pedro Paulo Malta. Essa diversidade ser\u00e1 eternizada nos depoimentos de artistas como Nelson Sargento, Monarco, Jo\u00e3o Roberto Kelly, Henrique Cazes, D\u00e9o Rian, Marcelo Caldi, Leandro Souto Maior, Z\u00e9 Luiz, Maria Teresa Madeira e o grupo Casuarina. Eles falar\u00e3o dos personagens da nossa m\u00fasica que inspiraram suas carreiras e homenageando-os; e interpretando suas obras mais representativas.<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"color: #000000;\">Mem\u00f3ria Musical Funarte: em canto e conto<\/span><br \/>\n<\/em><\/strong>S\u00e9rie de depoimentos musicados<\/p>\n<p><strong>Calend\u00e1rio 2014<\/strong>: 24 de novembro a 18 de dezembro, \u00e0s segundas, quartas, quintas e sextas-feiras<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Sala Funarte Sidney Miller<\/span><\/strong><br \/>\nRua da Imprensa, 16 \u2013 Centro<br \/>\nRio de Janeiro (RJ)<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Hor\u00e1rio: sempre \u00e0s 18h30<br \/>\n<\/strong><strong>Entrada Franca<\/strong><br \/>\nConvite na bilheteria a partir das 17h<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Confira as pr\u00f3ximas atra\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie<\/span><\/strong><\/p>\n<p>24\/11 &#8211; Nelson Sargento canta e conta a Mangueira<br \/>\nAos 90 anos, o baluarte da Esta\u00e7\u00e3o Primeira relembra sua inf\u00e2ncia na Mangueira e os sambas de terreiro que fizeram hist\u00f3ria na verde e rosa.<\/p>\n<p>26\/11 &#8211; Monarco canta e conta a Portela<br \/>\nPaulo da Portela, Chico Santana e Candeia s\u00e3o alguns dos personagens que passar\u00e3o pela prosa e pelo repert\u00f3rio do l\u00edder da Velha Guarda da Portela.<\/p>\n<p>27\/11 &#8211; Jo\u00e3o Roberto Kelly canta e conta as marchinhas de carnaval<br \/>\nOs cl\u00e1ssicos da folia e seus grandes criadores s\u00e3o os temas desse encontro com o compositor de\u00a0Cabeleira do Zez\u00e9,\u00a0Mulata i\u00ea-i\u00ea-i\u00ea\u00a0e\u00a0Maria Sapat\u00e3o.<\/p>\n<p>28\/11 &#8211; Henrique Cazes toca e conta Waldir Azevedo<br \/>\nO compositor de\u00a0Brasileirinho,\u00a0Pedacinhos do c\u00e9u,\u00a0Delicado\u00a0e outros cl\u00e1ssicos do choro \u00e9 o assunto da conversa com esse que \u00e9 um de seus maiores disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>01\/12 \u2013 D\u00e9o Rian toca e conta Jacob do Bandolim<br \/>\nAluno de Jacob, o bandolinista D\u00e9oRian traz o seu regional para relembrar causos e choros do grande mestre do bandolim brasileiro.<\/p>\n<p>03\/12 &#8211; Marcelo Caldi canta e conta Luiz Gonzaga<br \/>\nAutor do CD\/livro\u00a0Luiz Gonzaga: tem sanfona no choro\u00a0(premiado pela Funarte em 2012), o sanfoneiro, cantor, compositor e arranjador carioca faz sua antologia do Rei do Bai\u00e3o.<\/p>\n<p>04\/12 &#8211; Leandro Souto Maior canta e conta o rock brasileiro<br \/>\nRaul Seixas, Os Mutantes e outras lendas do rock nacional entram nesse baile comandado pelo guitarrista e cr\u00edtico musical Leandro Souto Maior, aqui acompanhado de sua banda Fuzzcas.<\/p>\n<p>05\/12 &#8211; Z\u00e9 Luiz canta e conta o Imp\u00e9rio Serrano<br \/>\nL\u00edder da Velha Guarda do Imp\u00e9rio Serrano, o compositor fala do morro da Serrinha, do passado jongueiro de sua escola e de sua rela\u00e7\u00e3o com o genial Silas de Oliveira.<\/p>\n<p>17\/12 &#8211; Maria Teresa Madeira toca e conta Chiquinha Gonzaga<br \/>\nOs choros e as in\u00fameras batalhas da \u201cmaestrina\u201d revivem no piano e na conversa com uma das maiores especialistas em sua obra.<\/p>\n<p>18\/12 &#8211; Casuarina canta e conta Sidney Miller<br \/>\nSurgido nos anos 60 e precocemente falecido em 1980, o compositor \u2013 que d\u00e1 nome \u00e0 Sala Funarte do Rio de Janeiro \u2013 tem seus sambas relembrados pelo jovem conjunto carioca.<\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o: Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte<br \/>\nCentro de Programas Integrados<\/p>\n<p>Minist\u00e9rio da Cultura<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica &#8211;\u00a0Concep\u00e7\u00e3o: Kathryn Valdrighi e Pedro Paulo Malta.\u00a0Coordena\u00e7\u00e3o, curadoria e entrevistas: Pedro Paulo Malta.\u00a0Produ\u00e7\u00e3o: Tema Eventos Culturais.\u00a0Assist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o: Carla Mullulo.\u00a0Opera\u00e7\u00e3o de c\u00e2mera Funarte: M\u00e1rcia Francisco e Gabriel Machado.\u00a0Coordena\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o: Camilla Pereira.\u00a0Design gr\u00e1fico: Paula Nogueira.\u00a0Produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica: J\u00falio Fado<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Mais informa\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico<\/span><\/strong><br \/>\nCanal Virtual\/Funarte<br \/>\n(21) 2533 8090 &#8211; Ramal 233<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nelson Sargento, \u00eddolo do samba e da escola carioca Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, abriu o projeto Mem\u00f3ria Musical Funarte: em Canto e Conto no dia 24 de novembro, na Sala Funarte Sidney Miller \u2013 Rio de Janeiro. 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