{"id":74838,"date":"2015-04-10T17:29:44","date_gmt":"2015-04-10T20:29:44","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=74838"},"modified":"2015-04-10T17:46:24","modified_gmt":"2015-04-10T20:46:24","slug":"funarte-lamenta-falecimento-de-barbara-heliodora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=74838","title":{"rendered":"Funarte lamenta falecimento de Barbara Heliodora"},"content":{"rendered":"<p>Nome de refer\u00eancia no teatro brasileiro, Barbara Heliodora faleceu na manh\u00e3 de hoje, dia 10 de abril, sexta-feira aos 91 anos. Ela estava internada desde o dia 21 de mar\u00e7o, no Hospital Samaritano, com um quadro de insufici\u00eancia respirat\u00f3ria. A causa da morte ainda n\u00e3o foi divulgada.<\/p>\n<p>Reconhecida cr\u00edtica, diretora, professora e roteirista de teatro; ensa\u00edsta, tradutora e figurinista, Barbara Trabalhou de 1958 a janeiro de 2014. Foi premiada com 13 distin\u00e7\u00f5es, nacionais e internacionais. Escreveu para v\u00e1rios ve\u00edculos jornal\u00edsticos, como a <em>Tribuna da Imprensa<\/em>, o <em>Jornal do Brasil<\/em>, os extintos<em> O Jornal<\/em> e revista <em>Vis\u00e3o<\/em>, e os jornais <em>O Estado de S\u00e3o Paulo <\/em>e <em>O Globo<\/em>. Lecionou em universidades, escolas de teatro, cursos livres, confer\u00eancias e palestras.<\/p>\n<p>De suas premia\u00e7\u00f5es, destacam-se: a condecora\u00e7\u00e3o da Ordem dos Cavaleiros e das Letras do Minist\u00e9rio da Cultura da Fran\u00e7a; a Medalha da Universidade de Connecticut (EUA); e a inclus\u00e3o no <em>The World Who\u2019s Who of Women<\/em>, da Melrose Press (Cambridge \u2013 Inglaterra). Ganhou quatro bolsas de estudos internacionais de grande reconhecimento e participou de congressos no exterior. \u00c9 considerada a maior especialista brasileira em William Shakespeare. \u201cO que \u00e9 mais fant\u00e1stico em Shakespeare \u00e9 que o vocabul\u00e1rio \u00e9 imenso, 29.600 palavras, e muitas s\u00e3o usadas pela primeira vez impressas na obra dele. No entanto, tem uma linguagem acess\u00edvel. Este \u00e9 o grande segredo dele\u201d, disse Barbara.<\/p>\n<p><strong>Uma trajet\u00f3ria que acompanhou e marcou a atividade teatral no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Heliodora Carneiro de Mendon\u00e7a, cujo nome profissional \u00e9 Barbara Heliodora, nasceu no Rio de Janeiro, em 29 de agosto de 1923. Filha do historiador Marcos Carneiro de Mendon\u00e7a e da poetisa e tradutora de Shakespeare, Anna Am\u00e9lia Carneiro de Mendon\u00e7a \u2013 que fundou, com Paschoal Carlos Magno, a Casa do Estudante do Brasil, no Rio, A paix\u00e3o de Barbara pelo escritor ingl\u00eas come\u00e7ou quando ela tinha 12 anos, ap\u00f3s ganhar da m\u00e3e o primeiro volume das obras completas do dramaturgo. No Teatro do Estudante do Brasil, de Paschoal, Barbara assistiu Sheakespeare pela primeira vez, aos 15 anos \u2013 e chegou a atuar como atriz, uma vez.<\/p>\n<p>No final dos anos 50, entre os teatros que frequentava estava o Tablado, onde, em 1957, sempre comentava as pe\u00e7as; e foi incentivada por amigos a escrever cr\u00edticas. O ator\/autor Silveira Sampaio recomendou-a ao jornal <em>Tribuna da Imprensa<\/em>, onde come\u00e7ou carreira como cr\u00edtica teatral, em 1958. No mesmo ano, transferiu-se para o <em>Jornal do Brasil<\/em>, no qual iniciou sua famosa coluna especializada, escrita at\u00e9 1964. L\u00e1, seus textos formaram opini\u00e3o, e come\u00e7aram a ser reconhecidos, pela seriedade, crit\u00e9rio e erudi\u00e7\u00e3o. Participou\u00a0 do C\u00edrculo Independente de Cr\u00edticos Teatrais, cujo principal esfor\u00e7o \u00e9 a moderniza\u00e7\u00e3o da atividade, do qual foi uma das l\u00edderes.<\/p>\n<p>Afasta-se da cr\u00edtica para assumir, de 1964 a 1967, em plena ditadura militar, a dire\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Nacional de Teatro (SNT) \u2013 antecessor dos extintos Inacen e Fundacen, que inclu\u00edam circo, dan\u00e7a e \u00f3pera, os quais, por sua vez, antecederam o que hoje \u00e9 o Centro de Artes C\u00eanicas da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte.<\/p>\n<p>A partir do final dos anos 1960, Barbara Heliodora atuou principalmente no ensino. Foi professora de Hist\u00f3ria do Teatro no Conservat\u00f3rio Nacional de Teatro e, depois, professora titular da mesma disciplina, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), onde foi decana at\u00e9 aposentar-se, em 1985. Ministrou cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), onde fez doutorado. Dedicou-se \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o com intensidade. Entre os seus trabalhos est\u00e3o pe\u00e7as de Shakespeare, tais como<em> <\/em><em>A Com\u00e9dia dos Erros<\/em>,\u00a0<em>Sonho de uma Noite de Ver\u00e3o<\/em>,\u00a0<em>O Mercador de Veneza<\/em>,\u00a0<em>Noite de Reis<\/em>,<em>Romeu<\/em><em> <\/em>e<em> <\/em><em>Julieta, C\u00e9sar e Cle\u00f3patra, Rei Lear<\/em>, entre outras;\u00a0<em>O Cerejal<\/em> e\u00a0<em>A Gaivota<\/em>, de Anton Tcheckov,\u00a0<em>Bodas de F\u00edgaro,<\/em>de Beaumarchais,\u00a0<em>Testemunha de Acusa\u00e7\u00e3o e outras pe\u00e7as<\/em>, de Agatha Christie;\u00a0e os livros de teoria teatral\u00a0<em>O Teatro do Absurdo<\/em>,\u00a0<em>A Anatomia do Drama<\/em>,\u00a0<em>Brecht: dos males o menor<\/em>, todos de Martin Esslin;\u00a0<em>M\u00e9todo ou Loucura<\/em>, de Robert Lewis; e mais outro estudo sobre seu tema mais ass\u00edduo,\u00a0<em>Shakespeare<\/em>, de Germaine Greer.<\/p>\n<p>Nos anos 1970, registrou-se como jornalista profissional no Minist\u00e9rio do Trabalho, e como e t\u00e9cnica em espet\u00e1culos de divers\u00f5es. Em 1986, voltou \u00e0 cr\u00edtica jornal\u00edstica, na revista <em>Vis\u00e3o<\/em>, onde atuou at\u00e9 1990, quando voltou a lecionar no curso de\u00a0Mestrado em Teatro da Uni-Rio e come\u00e7ou a escrever para jornais di\u00e1rios. Trabalhou em O Globo at\u00e9 o fim de sua carreira. Escreveu seis livros.<\/p>\n<p><strong>Um estudo sobre Barbara Heliodora<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora Maria In\u00eas Barros de Almeida, &#8220;Barbara Heliodora \u00e9 a cr\u00edtica mais influente do teatro carioca. \u00c0 sua opini\u00e3o, rigorosa e durona, atribuem o poder de fazer e desfazer espet\u00e1culos. Pela gente de teatro \u00e9 discutida, temida &#8211; j\u00e1 foi alvo de confrontos e desafios de diretores inconformados. A sua fama como colunista de jornal, portanto, ultrapassa outro aspecto da sua vida cultural, a que se dedica com igual intensidade. Estou me referindo \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o direta com o p\u00fablico, em salas de aula, em ensaios de textos dram\u00e1ticos, em confer\u00eancias, enfim, na const\u00e2ncia com que dissemina cultura, convivendo com grande n\u00famero de pessoas e atendendo-lhes \u00e0 curiosidade e ao desejo de saber. \u00c9 a\u00ed que aparece a Barbara mestra, madrinha dadivosa, flex\u00edvel, exuberante, que conquista os esp\u00edritos e as mentes e, pelo prazer did\u00e1tico repartido, comunga com as plat\u00e9ias. Neste papel, tenho observado, Barbara Heliodora conquista a todos que a conhecem. \u00c9 uma unanimidade&#8221;. (ALMEIDA, Maria In\u00eas Barros de. Perfil anal\u00edtico de Barbara Heliodora. Rio de Janeiro, 04 nov. 2002).<\/p>\n<p><strong>Leia mais sobre a obra de B\u00e1rbara Heliodora no site oficial: <\/strong><a style=\"font-weight: bold;\" href=\"http:\/\/www.barbaraheliodora.com\/\">www.barbaraheliodora.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nome de refer\u00eancia no teatro brasileiro, Barbara Heliodora faleceu na manh\u00e3 de hoje, dia 10 de abril, sexta-feira aos 91 anos. Ela estava internada desde o dia 21 de mar\u00e7o, no Hospital Samaritano, com um quadro de insufici\u00eancia respirat\u00f3ria. A causa da morte ainda n\u00e3o foi divulgada. 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