{"id":76080,"date":"2015-06-09T16:41:48","date_gmt":"2015-06-09T19:41:48","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=76080"},"modified":"2015-06-10T20:47:56","modified_gmt":"2015-06-10T23:47:56","slug":"ministro-da-cultura-lanca-no-rio-processo-de-construcao-da-politica-nacional-das-artes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=76080","title":{"rendered":"Ministro da Cultura lan\u00e7a, no Rio, processo de constru\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional das Artes"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Cultura quer ouvir os diversos segmentos art\u00edsticos e a sociedade em geral para elaborar a nova Pol\u00edtica Nacional das Artes (PNA). Para isso, a partir desta ter\u00e7a-feira, 9 de junho, j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel a plataforma digital que vai receber propostas e sugest\u00f5es dos interessados em participar do processo. A ferramenta pode ser acessada no endere\u00e7o eletr\u00f4nico <a href=\"http:\/\/culturadigital.br\/pna\" target=\"_blank\">culturadigital.br\/pna<\/a>. O an\u00fancio foi feito durante solenidade no Pal\u00e1cio Gustavo Capanema, no Rio, que contou com a participa\u00e7\u00e3o do ministro Juca Ferreira e do presidente da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes (Funarte), Francisco Bosco; o cr\u00edtico de arte e diretor do Museu de Arte do Rio, Paulo Herkenhoff; e a deputada federal, Jandira Feghali.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m prestigiaram o evento os secret\u00e1rios de Cultura do Rio, Eva Doris (Estado), e Marcelo Calero (Munic\u00edpio); \u00a0C\u00f4nsul Geral do Uruguai no Rio, Myriam Fraschini Chalar; diretores e coordenadores da Funarte; al\u00e9m de artistas e representantes dos diversos colegiados setoriais. O evento foi aberto com um espet\u00e1culo dos alunos da Escola Nacional de Circo, nos pilotis do Pal\u00e1cio Gustavo Capanema. A apresenta\u00e7\u00e3o contou com n\u00famero de malabares, acrobacias e pernas de pau, entre outras modalidades.<\/p>\n<p>Na solenidade de abertura, o presidente da Funarte, Francisco Bosco, classificou como hist\u00f3rico esse momento em que se inicia o processo de constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica nacional das artes e destacou que \u201ca presente discuss\u00e3o ser\u00e1 marcada pelo nosso compromisso de dar continuidade \u00e0 tarefa hist\u00f3rica, iniciada por Gil e Juca, de aprofundar a democracia no campo da cultura, da arte, e de reafirmar o compromisso com as minorias, os povos ind\u00edgenas, as mulheres, os pontos de cultura, enfim os que n\u00e3o encontram lugar nem voz numa l\u00f3gica de reflex\u00e3o, do mercado, do capital\u201d.<\/p>\n<p>Bosco explicou que a PNA contar\u00e1 com alguns eixos de a\u00e7\u00e3o como: a plataforma digital, que vai receber colabora\u00e7\u00f5es de qualquer cidad\u00e3o interessado em participar; as \u201cCaravanas das Artes\u201d, que percorrer\u00e3o as 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o, ouvindo os setores ligados \u00e0s artes visuais, circo, dan\u00e7a,teatro, literatura e m\u00fasica, em rodas de conversa; semin\u00e1rios sobre temas espec\u00edficos relacionados \u00e0s pol\u00edticas das artes, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de encontros setoriais, onde ser\u00e3o debatidos problemas e sugest\u00f5es espec\u00edficas de cada linguagem.<\/p>\n<p>Para o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o di\u00e1logo serve como mat\u00e9ria-prima b\u00e1sica para a constru\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas. \u201cEsse processo de reflex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre a arte, \u00e9 sobre o Brasil, \u00e9 sobre a necessidade de refundar os valores e as dimens\u00f5es criativas do pa\u00eds para que a gente tenha de fato a possibilidade de um futuro generoso. A gente est\u00e1 vivendo um momento dif\u00edcil e eu acho que a arte e a cultura em geral t\u00eam um papel importante de recolocar as coisas no lugar. O manto da mortalidade n\u00e3o nos serve\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o corte no or\u00e7amento da Cultura, o ministro disse que \u201cesse processo de discuss\u00e3o n\u00e3o tem nada a ver com falta (de dinheiro) ou muito dinheiro. Na verdade, dinheiro sempre falta pra Cultura, mesmo quando atingimos o m\u00e1ximo. Eu tive a sorte de ser o ministro que teve o maior or\u00e7amento pra Cultura, 2 bilh\u00f5es e 300 milh\u00f5es, e ainda era muito pouco. A gente tinha que fazer uma escolha violenta. S\u00e3o tantos os problemas que a maior dificuldade vai ser construir essas pol\u00edticas com a densidade que elas precisar\u00e3o ter para enfrentar os desafios do s\u00e9culo XXI. Chega de projeto economicista de colocar um pouquinho mais de dinheiro no bolso das pessoas. Isso n\u00e3o \u00e9 suficiente, \u00e9 preciso resolver problemas complexos onde as pessoas se desenvolvam na medida em que o pa\u00eds se desenvolve\u201d.<\/p>\n<p>Juca Ferreira afirmou, ainda, que \u201cn\u00e3o d\u00e1 para pensar em movimento cultural apenas contando com or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Cultura, da Funarte, com dinheiro a fundo perdido. \u00c9 preciso estimular que os processos gerem contrapartida de autofinanciamento. O ministro falou tamb\u00e9m sobre a Funarte, o papel importante que ela teve no fim da ditadura militar e a necessidade de revitalizar a institui\u00e7\u00e3o. \u201cRevalorizar a Funarte \u00e9 fundamental. \u00c9 uma institui\u00e7\u00e3o que guarda uma mem\u00f3ria importante da agenda cultural do Brasil.<\/p>\n<p>Cr\u00edtico de arte e diretor do MAR &#8211; Museu de Arte do Rio, Paulo Herkenhoff, definiu como heroica a resist\u00eancia da Funarte, institui\u00e7\u00e3o na qual trabalhou nos anos 80. No semin\u00e1rio, ele falou sobre a sua experi\u00eancia no MAR e a agilidade que as OS (Organiza\u00e7\u00f5es Sociais) trazem \u00e0 gest\u00e3o. O MAR \u00e9 administrado por meio de uma parceria entre a Prefeitura do Rio e o Instituto Odeon, uma organiza\u00e7\u00e3o social. Herkenhoff sugeriu que as pessoas se informem mais sobre o modelo de gest\u00e3o, que assegurou ao museu maior efici\u00eancia na execu\u00e7\u00e3o de seu programa.<\/p>\n<p>Ao final da solenidade de abertura, Francisco Bosco mediou confer\u00eancia com o cantor e compositor Chico Cesar, ex-secret\u00e1rio de Cultura da Para\u00edba; a psicanalista, escritora e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) T\u00e2nia Rivera, autora do livro \u201cO avesso do Imagin\u00e1rio\u201d; e o jornalista, produtor gr\u00e1fico e l\u00edder ind\u00edgena Ailton Krenak, um dos fundadores da Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Chico C\u00e9sar elogiou a iniciativa do Minist\u00e9rio da Cultura e da Funarte e disse que veio ao encontro com o objetivo de conhecer melhor a proposta e saber \u201cque di\u00e1logo \u00e9 esse e de onde se vai partir\u201d. Ele lembrou que, nos \u00faltimos 15 anos, foram realizados diversos semin\u00e1rios e confer\u00eancias municipais, estaduais e nacionais, nos quais os setoriais foram convidados a se expressar.<\/p>\n<p>\u201cA impress\u00e3o que me passa \u00e9 de um recome\u00e7o. O que pe\u00e7o \u00e9 que toda essa discuss\u00e3o que tivemos nos \u00faltimos 15 anos n\u00e3o seja ignorada. Espero, assim desejo e fa\u00e7o votos de que, neste momento, o Governo Federal, atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Cultura e da Funarte, considere as parcerias j\u00e1 feitas e as coloque em pr\u00e1tica\u201d, afirmou. Ele disse tamb\u00e9m esperar que os recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC) sejam repassados aos estados e munic\u00edpios, para que a ponta \u201cfuncione e n\u00e3o seja desmoralizada\u201d. \u00a0E ainda reiterou: \u201cQue os que est\u00e3o fora do eixo possam ter acesso n\u00e3o apenas aos recursos, mas tamb\u00e9m \u00e0s pol\u00edticas. \u00c9 fundamental que n\u00e3o sejamos desmoralizados perante a sociedade.\u201d<\/p>\n<p>Francisco Bosco afirmou que a ideia n\u00e3o \u00e9 propor a \u201creinven\u00e7\u00e3o da roda\u201d, mas sim \u201cfazer a roda andar\u201d. E explicou que tudo o que foi feito nos \u00faltimos anos ser\u00e1 o ponto de partida para os aperfei\u00e7oamentos necess\u00e1rios do que est\u00e1 sendo constru\u00eddo a partir de agora. Segundo o presidente da Funarte, j\u00e1 est\u00e1 na agenda fazer esse trabalho de articula\u00e7\u00e3o com os estados e munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Para Tania Rivera: \u201cfalar de arte \u00e9 falar muito mais do que da pr\u00f3pria arte\u201d. Ela apresentou trabalhos do artista H\u00e9lio Oiticica, principalmente suas conhecidas bandeiras, famosas ao serem expostas nas ruas do Rio em plena Ditadura Militar e que foram resgatadas numa exposi\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a Tiradentes, em 2014. Rivera citou uma frase do artista: \u201cMuseu \u00e9 o mundo: \u00e9 a experi\u00eancia cotidiana\u201d, e completou: \u201cQue pode tornar-se arte!\u201d.<\/p>\n<p>Para ela, onde se encontra a arte \u00e9 o lugar onde se celebra e refaz a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana, atrav\u00e9s da singularidade de cada um de n\u00f3s, mas de maneira compartilhada. \u201cTalvez a arte seja aquele ponto t\u00e3o dif\u00edcil de definir, t\u00e3o dif\u00edcil de tocar, aquele ponto onde o que h\u00e1 de mais singular e \u00edntimo, encontra o social e pol\u00edtico. Ou o campo da arte seja aquele, justamente, do grito de cada um. Seja ele, de dor ou de alegria, em uma can\u00e7\u00e3o partilhada por todos n\u00f3s\u201d, ressaltou, fazendo outra men\u00e7\u00e3o a uma frase de Oiticica: \u201cA tarefa do artista \u00e9 a de construir o mundo do homem\u201d.<\/p>\n<p>Ailton Krenak falou sobre o preconceito com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arte ind\u00edgena e sua experi\u00eancia nos \u00faltimos 20 anos, em que passou refletindo sobre \u201carte-cultura\u201d. Segundo ele, os objetos art\u00edsticos produzidos pelos \u00edndios come\u00e7aram a ser chamados de \u201cartesanato\u201d, num significado carregado de preconceito. Antes, esses objetos eram vendidos em uma rede de lojas espalhadas pelo Brasil, chamada \u201cArte Ind\u00edgena\u201d, fechadas h\u00e1 cerca de dez anos, devido a uma portaria do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis) proibindo a comercializa\u00e7\u00e3o de objetos que utilizassem penas de aves e restos de animais, como dentes e ossos. \u201cEra um grande atrativo para que os brasileiros e turistas conhecessem um pouco sobre a cultura ind\u00edgena\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Francisco Bosco adiantou que ser\u00e1 elaborado o primeiro edital de artes ind\u00edgenas da Funarte.\u201cTudo ser\u00e1 constru\u00eddo pelos pr\u00f3prios representantes dos povos ind\u00edgenas e colegiados do MinC\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Cultura quer ouvir os diversos segmentos art\u00edsticos e a sociedade em geral para elaborar a nova Pol\u00edtica Nacional das Artes (PNA). 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