{"id":78161,"date":"2015-08-06T21:30:04","date_gmt":"2015-08-07T00:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=78161"},"modified":"2015-08-11T21:57:08","modified_gmt":"2015-08-12T00:57:08","slug":"projeto-%e2%80%98contemporaneos-na-sala-funarte%e2%80%99-recebe-thomas-rohrer-nelson-da-rabeca-dona-benedita-e-panda-gianfratti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=78161","title":{"rendered":"Projeto \u2018Contempor\u00e2neos na Sala Funarte\u2019 recebe Thomas Rohrer, Nelson da Rabeca, Dona Benedita e Panda Gianfratti"},"content":{"rendered":"<p>O show\u00a0<em>Tradi\u00e7\u00e3o improvisada<\/em><em> <\/em>reuniu Thomas Rohrer, Nelson da Rabeca, Dona Benedita e Panda Gianfratti, na Sala Funarte Sidney Miller \u2013 Centro do Rio de Janeiro \u2013 no dia 31 de julho, sexta-feira, com casa cheia. Essa foi a segunda apresenta\u00e7\u00e3o do projeto\u00a0<em>Contempor\u00e2neos na Sala Funarte, que ocupa o<\/em><em> <\/em>tradicional espa\u00e7o da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes dedicado \u00e0 m\u00fasica. A programa\u00e7\u00e3o re\u00fane alguns dos principais artistas e coletivos ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o autoral e independente do panorama da m\u00fasica brasileira contempor\u00e2nea, com ingressos a pre\u00e7os populares.<\/p>\n<p>Thomas Rohrer \u00e9 um su\u00ed\u00e7o radicado no Brasil, especializado em improviso livre, mas que tamb\u00e9m acompanha m\u00fasicos populares, como Ju\u00e7ara Mar\u00e7al e Marcelo Camelo, entre outros. Nelson da Rabeca \u00e9 um c\u00e9lebre rabequeiro e luthier autodidata alagoano. O espet\u00e1culo \u00e9 fruto da parceria de longa data dos artistas. Acompanhados pela cantora Dona Benedita \u2013 que divide o palco com Seu Nelson h\u00e1 mais de cinquenta anos \u2013 e pelo percussionista paulistano Panda Gianfratti, um dos grandes nomes do improviso brasileiro e mundial.<\/p>\n<p>Nelson come\u00e7ou o show. Entrou Dona Benedita, seguido por Thomas e Panda e pela clarinetista convidada Joana Queiroz. Eles ofereceram ao p\u00fablico um espet\u00e1culo de cria\u00e7\u00e3o livre, com um vasto e in\u00e9dito repert\u00f3rio, calcado sobre g\u00eaneros t\u00edpicos do nordeste, como o xote, o bai\u00e3o e o forr\u00f3. \u201cCada show nosso \u00e9 \u00fanico. Por isso, a ideia est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o.\u201d, destaca Thomas Rhorer, que acompanhou Nelson, tamb\u00e9m numa rabeca feita pelo artes\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Thomas Rohrer: sua trajet\u00f3ria musical e o projeto <\/strong><span style=\"font-weight: bold;\">na Sala Funarte<\/span><\/span><\/p>\n<p>Thomas Rohrer, su\u00ed\u00e7o radicado no Brasil desde 1995 iniciou estudos musicais no final dos anos 90, como violinista. Estudou saxofone em sua terra natal, na Faculdade de Jazz de Lucerna. Seu trabalho com a rabeca e o sax tem foco principal na improvisa\u00e7\u00e3o livre e no di\u00e1logo com a m\u00fasica tradicional brasileira. J\u00e1 acompanhou e toca ao lado de outros grandes m\u00fasicos e grupos, em v\u00e1rios importantes festivais e espa\u00e7os musicais do Brasil e do exterior. Integra, ao lado de Panda Gianfratti e outros, o coletivo brasileiro Abaetetuba, tamb\u00e9m na linha da cria\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea livre conhecido no Brasil e no exterior e que j\u00e1 se apresentou em renomados espa\u00e7os culturais; e em festivais no Brasil e em v\u00e1rios outros pa\u00edses, como Inglaterra e Espanha. Faz parte de outros coletivos musicais, com artistas reconhecidos.\u00a0Para Thomas a import\u00e2ncia da iniciativa\u00a0<em>Contempor\u00e2neos na Sala Funarte<\/em> se resume no fato de que ele d\u00e1 oportunidade de apresenta\u00e7\u00e3o de projetos como o Tradi\u00e7\u00e3o Improvisada. \u201cA proposta traz uma\u00a0continuidade a um destaque desse tipo de est\u00e9tica, que ainda carece de maior visibilidade para o grande p\u00fablico\u201d, define.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Nelson da Rabeca: produ\u00e7\u00e3o artesanal e intuitiva<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Nascido em Marechal Deodoro (AL), onde mora at\u00e9 hoje, Nelson da Rabeca vem de fam\u00edlia de agricultores, profiss\u00e3o que exerceu \u2013 principalmente no corte de cana, at\u00e9 os 54 anos (d\u00e9cada de 1970). Foi ent\u00e3o que viu um violino na televis\u00e3o e gostou muito. Sem a ajuda de ningu\u00e9m, construiu um instrumento parecido. Sem ter frequentado escola, nem saber ler, nem ter m\u00fasicos, na fam\u00edlia, aprendeu a tocar a rabeca sozinho. Passou a compor bai\u00f5es, xotes, marchas e forr\u00f3s p\u00e9-de-serra, e a tocar, paralelamente ao trabalho na lavoura. Aprimorou a constru\u00e7\u00e3o dos instrumentos, sempre feitos com um fac\u00e3o de cortar cana. Passou a se apresentar para turistas na Praia do Franc\u00eas, em Macei\u00f3, e abandonou de vez o servi\u00e7o no canavial. No of\u00edcio autodidata de lutheria, no qual j\u00e1 \u00e9 famoso, utilizou apenas a experimenta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 chegar a um resultado satisfat\u00f3rio, com reconhecida originalidade e perfei\u00e7\u00e3o. Ele pesquisa madeiras diferentes, para chegar \u00e0 beleza e ao som que deseja; pesadas e duras, que geram rabecas resistentes e robustas. Sua madeira preferida \u00e9 a jaqueira que, segundo ele, \u00e9 bela e dur\u00e1vel.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Thomas e Nelson: intera\u00e7\u00e3o na m\u00fasica<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Thomas Rohrer toca a rabeca de Nelson desde 2000. Seu interesse no instrumento come\u00e7ou com o contato com o maestro Z\u00e9 Gomes \u2013 um dos poucos instrumentistas de arcos que, \u00e0 \u00e9poca, tocavam, al\u00e9m dos violinos e violas tradicionais, a rabeca. Thomas procura expandir as possibilidades sonoras desse instrumento, atrav\u00e9s de diversas formas de prepara\u00e7\u00e3o. \u201cEu j\u00e1 conhecia o Nelson. Mas foi em 2004, numa viagem do Grupo\u00a0<em>A Barca <\/em>de Bel\u00e9m para S\u00e3o Paulo que nos aproximamos mais. A partir de 2005, comecei a conversar e tocar com ele frequentemente. Nelson \u00e9 muito especial em v\u00e1rios aspectos. Tem uma hist\u00f3ria de reinven\u00e7\u00e3o: com 54 anos, analfabeto, criando 12 filhos, fabricou o pr\u00f3prio instrumento e \u00e9 autodidata. Isso vem de uma urg\u00eancia de express\u00e3o art\u00edstica! Para cada problema que surgia na rabeca, ele criava uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, com m\u00e9todos de afina\u00e7\u00e3o e amplifica\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios. Para esta, ele j\u00e1 usou um aparelho de telefone, por exemplo\u201d, explica Rohrer. \u201cNessa busca de som, que come\u00e7a pela constru\u00e7\u00e3o do instrumento, Nelson continua sempre a se aperfei\u00e7oar\u201d, completa; e explica que essa parceria com o rabequeiro faz parte da sua viv\u00eancia musical, com troca de conhecimentos e amizade.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Panda Gianfratti, um inventor de instrumentos \u2013 e de sons e ritmos ao vivo<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O baterista, percussionista, construtor de pe\u00e7as de percuss\u00e3o e improvisador paulistano Antonio Panda Gianfratti nasceu em 1948. Dedica-se \u00e0 m\u00fasica improvisada desde o in\u00edcio de 2000, divulgando esta vertente, atrav\u00e9s de apresenta\u00e7\u00f5es e oficinas em espa\u00e7os culturais os mais variados; e em festivais, no Brasil e no exterior. \u00c9 fundador do grupo brasileiro de improvisa\u00e7\u00e3o livre Abaetetuba. Tem-se especializado nas transi\u00e7\u00f5es de timbres, atrav\u00e9s do uso de arco, em pratos sobre tambores, vibrafone preparado, cello, \u201csmall flutes\u201d e os instrumentos que inventa, transforma e constr\u00f3i, tais como: o berimbaphone, o bambuphone, o cabacello, o cymbalophone, o recotronic e outros. Sua cria\u00e7\u00e3o tem sempre o objetivo de interagir com outros segmentos das artes, tais como cinema, poesia, teatro, dan\u00e7a e artes pl\u00e1sticas \u2013 j\u00e1 dividiu o palco com artistas dessas linguagens, como Rachel Rosalen (\u201clive cinema\u201d, Anette Naiman (teatro) e Guilherme Dable (Artes Pl\u00e1sticas).<\/p>\n<p>Panda come\u00e7ou a carreira em 1963. Apresentou-se com cantores e compositores como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderl\u00e9a (com o The Beatnicks), Jorge Benjor, Wilson Simonal, Altemar Dutra, Taiguara, Sargentelli, Amelinha do Recife, e outros. No cen\u00e1rio internacional j\u00e1 tocou com m\u00fasicos importantes como: William Parker, Phil Minton, Hans Koch, Ab Baars, Mark Sanders, Trevor Watts, Saadet T\u00fcrk\u00f6z, Ricardo Tejero, Raymond MacDonald, Luo Chao Yun, Audrey Chen, Peter Jaquemynl e Rodrigo Montoya, entre outros.<\/p>\n<p>O improvisador falou sobre o ritmo na cria\u00e7\u00e3o musical e sobre seu trabalho: \u201cEsta correto o Brasil ser conhecido como um pais dos ritimos m\u00e9tricos e de percussionistas mundialmente aclamados. Por\u00e9m o que me move no meu trabalho \u00e9 a unidade dentro da diversidade \u2013 ou melhor: busco sempre uma ponte entre a tradi\u00e7\u00e3o e as possibilidades de novas linguagens e leituras. Para isso, \u00e9 necessario produzir uma s\u00edntese entre os elementos universais, que caibam em uma nova proposta como o\u00a0<em>Tradi\u00e7\u00e3o Improvisada.<\/em><em> <\/em>Nela, as sonoridades naturais nordestinas se fundem com novos elementos, em um elo comum: os harm\u00f4nicos. Desde os tempos mais remotos, at\u00e9 o advento da escala temperada, eles faziam com que a musica partisse sempre do som. Explico: a minha id\u00e9ia \u00e9 sempre partir do timbre para atingir a melodia a harmonia e o ritmo \u2013 nada de vanguarda ou de \u201cmodernosidade\u201d; apenas, no meu caso, aproveitar as possibilidades livres de clich\u00eas e refer\u00eancias, ou regras; e sintetizar a minha experiencia de 53 anos na musica, criando uma linguagem absolutamente pr\u00f3pria, na qual retiro a expectativa do externo e a conduzo para o interno, no instante da execu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/musica\/contemporaneos-na-sala-funarte-show-tradicao-improvisada\/\">Leia mais aqui sobre os artistas e sobre o projeto de ocupa\u00e7\u00e3o da Sala Funarte Sidney Miller<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><em><span style=\"color: #000000;\">Contempor\u00e2neos na Sala Funarte<\/span><\/em><\/strong><br \/>\nOcupa\u00e7\u00e3o Audio Rebel \/ Quintavant<\/p>\n<p>Julho\/agosto de 2015<br \/>\n<strong>Hor\u00e1rio: sempre \u00e0s 19h30<\/strong><br \/>\nIngressos:<strong>R$ 20<\/strong>. Meia-entrada: R$ 10<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Pr\u00f3ximo show<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">13 e 14 de agosto<\/span><\/strong><span style=\"font-weight: bold;\"> \u2013 quinta e sexta-feira \u2013 Clube da Encruza<br \/>\n<\/span>Com Met\u00e1 Met\u00e1, Passo Torto, Ju\u00e7ara Mar\u00e7al, Rodrigo Campos, Romulo Fr\u00f3es e Sambanzo<\/p>\n<p><strong>Shows anteriores<\/strong><\/p>\n<p>24\/7\u2013 sexta-feira \u2013 Arto Lindsay. O m\u00fasico se apresentou ao lado de Luis Filipe de Lima (viol\u00e3o), e Marcos Campello (espacializa\u00e7\u00e3o)<br \/>\n31\/7\u2013 sexta-feira \u2013 Tradi\u00e7\u00e3o Improvisada, com Thomas Rohrer, Nelson da Rabeca, Dona Benedita e Panda Gianfratti. Convidada: Joana Queiroz (clarinete).<br \/>\n7\/8 \u2013 sexta-feira \u2013 Ava Rocha. Participa\u00e7\u00e3o especial de Negro Leo<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Sala Funarte Sidney Miller<\/span><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Pal\u00e1cio Gustavo Capanema<br \/>\nRua da Imprensa, n\u00ba 16, t\u00e9rreo<br \/>\nCentro \u2013 Rio de Janeiro (RJ)<br \/>\nIngressos: R$ 20. Meia-entrada: R$ 10<\/p>\n<p>Hor\u00e1rio: sempre \u00e0s 19h30<br \/>\nBilheteria: (21) 2279-8087<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Realiza\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte<br \/>\nCentro da M\u00fasica<br \/>\n<a href=\"mailto:cemus@funarte.gov.br\"> cemus@funarte.gov.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O show\u00a0Tradi\u00e7\u00e3o improvisada reuniu Thomas Rohrer, Nelson da Rabeca, Dona Benedita e Panda Gianfratti, na Sala Funarte Sidney Miller \u2013 Centro do Rio de Janeiro \u2013 no dia 31 de julho, sexta-feira, com casa cheia. 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