{"id":91349,"date":"2016-10-17T19:09:43","date_gmt":"2016-10-17T21:09:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=91349"},"modified":"2016-10-17T19:11:38","modified_gmt":"2016-10-17T21:11:38","slug":"sobre-chiquinha-gonzaga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=91349","title":{"rendered":"Sobre Chiquinha Gonzaga"},"content":{"rendered":"<p>Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1847. Segundo o Dicion\u00e1rio Cravo Albin da M\u00fasica Popular Brasileira, a artista \u00e9 \u201cconsiderada por muitos cr\u00edticos como uma das fundadoras da m\u00fasica popular brasileira\u201d e \u201cpor todos os historiadores como o maior nome feminino\u201d desse grupo de estilos musicais.<\/p>\n<p>Sua obra tem mais de 250 t\u00edtulos, \u201creunindo composi\u00e7\u00f5es das mais variadas modalidades: valsas, polcas, tangos, maxixes, lundus, quadrilhas, fados, habaneras, gavotas, mazurcas, barcarolas, serenatas e algumas m\u00fasicas sacras\u201d, enumera a fonte. Entre 1885 e 1933, a compositora musicou ainda 77 pe\u00e7as teatrais, das quais cinco ficaram in\u00e9ditas. O Dicion\u00e1rio destaca que a maestrina \u201cparticipou intensamente da implanta\u00e7\u00e3o do &#8220;choro&#8221; no Rio de Janeiro dos \u00faltimos 20 anos do Imp\u00e9rio\u201d e \u201cde grupos com os principais chor\u00f5es de ent\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Mulher pioneira na composi\u00e7\u00e3o \u2013 o maxixe e a ascens\u00e3o do choro<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Com poucos recursos financeiros, a artista comp\u00f4s sua primeira obra, a\u00a0Can\u00e7\u00e3o dos pastores, com letra de seu irm\u00e3o Juca, aos 11 anos. O primeiro sucesso de Chiquinha foi a polca\u00a0Atraente, de 1877, \u201ccomposta ao piano, de improviso\u201d, durante uma festa, tendo atingido muito sucesso \u2013 assim como outras pe\u00e7as, que lan\u00e7ou em seguida \u2013. Mas a compositora teria continuado em dificuldades financeiras. Em 1880, anunciava seus servi\u00e7os de aulas particulares, e em col\u00e9gios, de piano, canto, franc\u00eas, geografia, hist\u00f3ria e portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A partir dessa d\u00e9cada, a artista teria enxergado \u201cuma nova oportunidade profissional com o sucesso do teatro musical no Brasil. Depois de ter obras recusadas, devido ao preconceito por ser mulher, \u201cem 1885, conseguiu musicar\u00a0A Corte na Ro\u00e7a \u2013\u00a0o primeiro espet\u00e1culo com trilha composta por uma mulher (segundo um jornal da \u00e9poca) \u2013. A pesquisadora Carla Aranha comenta: \u201cA autora chegou a ser chamada de \u2018Offenbach de saias\u2019. A partir de ent\u00e3o, conseguiu impor-se no meio teatral. Levou maxixes, polcas e outros ritmos, aos teatros at\u00e9 ent\u00e3o, destinados \u00e0 \u00f3pera e a opereta (in:\u00a0Chorinho brasileiro &#8211; Onde tudo come\u00e7ou). Segundo a autora, &#8220;Embora as can\u00e7\u00f5es do espet\u00e1culo ainda n\u00e3o se classificassem como choro, a composi\u00e7\u00e3o\u00a0Um maxixe na Cidade Nova\u00a0apresentava pela primeira vez no teatro o maxixe, (ritmo e dan\u00e7a \u201cprimos\u201d do choro) e, \u201ca partir da\u00ed, o caminho ficou aberto para a ascens\u00e3o desse g\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Chiquinha e o viol\u00e3o, o abolicionismo e o carnaval<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O Dicion\u00e1rio Cravo Albin registra que, em 1886, Chiquinha Gonzaga come\u00e7ou uma campanha pela \u201crevitaliza\u00e7\u00e3o do viol\u00e3o\u201d, promovendo reuni\u00f5es de violonistas de v\u00e1rios bairros cariocas.<\/p>\n<p>Desde essa \u00e9poca, o sucesso da artista aumentou. Ela Empenhou-se no abolicionismo, tendo participado de uma campanha para arrecadar fundos para a liberta\u00e7\u00e3o de escravos (para a qual escreveu e editou a m\u00fasica\u00a0Faceira). Foi inclusive amea\u00e7ada de pris\u00e3o por ter integrado esse movimento. Mais de um s\u00e9culo depois, em 2009, foi descoberto que a m\u00e3e de Chiquinha era filha de uma escrava, alforriada ainda quando beb\u00ea.<\/p>\n<p>Em 1899, a maestrina comp\u00f4s a primeira marcha de carnaval:\u00a0\u00d3 Abre Alas, para o bloco Rosa de Ouro, \u201ctornando-se pioneira na produ\u00e7\u00e3o carnavalesca e antecipando-se em 20 anos \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o do g\u00eanero\u201d, diz o Dicion\u00e1rio da MPB. O Rosa de Ouro venceu o desfile carnavalesco de 1899. A m\u00fasica foi sucesso desse estilo, de 1901 a 1910, \u201cpermanecendo at\u00e9 hoje como s\u00edmbolo e refer\u00eancia do carnaval carioca\u201d.<\/p>\n<p>Entre 1902 e 1910, Chiquinha Gonzaga fez v\u00e1rias viagens \u00e0 Europa, onde apresentou-se. Em Portugal, tornou-se bastante conhecida do p\u00fablico, ao musicar v\u00e1rias pe\u00e7as lusas, Segundo Geysa Boscoli, a maestrina ficou tamb\u00e9m conhecida no Brasil como \u201cMadrinha de todos os valores novos:<\/p>\n<p>Em 1914, gravou uma s\u00e9rie discos com seu grupo na Odeon. Em 1917 fundou, juntamente com Viriato Correia, Raul Pederneiras e outros, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT).<\/p>\n<p>Seu \u00faltimo trabalho \u00e9 de 1933. Ela recebeu, depois de sua morte (em 28\/02\/1935), muitos tributos \u2013 Entre eles um site, lan\u00e7ado em 2011, com o\u00a0<em>Acervo Chiquinha Gonzaga<\/em>, idealizado pelos pianistas Alexandre Dias e Wandrei Braga.<\/p>\n<p><strong><a href=\"www.chiquinhagonzaga.com\">Acesse o site aqui<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A data de 17 de outubro, anivers\u00e1rio da compositora, foi estabelecido como Dia Nacional da MPB, em 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1847. 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