{"id":92181,"date":"2016-11-22T16:54:33","date_gmt":"2016-11-22T18:54:33","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=92181"},"modified":"2016-12-07T12:21:23","modified_gmt":"2016-12-07T14:21:23","slug":"seminario-sobre-conservacao-da-fotografia-tem-inicio-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=92181","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio sobre conserva\u00e7\u00e3o da fotografia tem in\u00edcio no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>O semin\u00e1rio <em>Fotografia\u00a0Digital <\/em>e\u00a0<em>Preserva\u00e7\u00e3o e Fotografia, Periferia e Mem\u00f3ria<\/em>, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte em comemora\u00e7\u00e3o aos 30 anos do seu Centro de Conserva\u00e7\u00e3o e Preserva\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica (CCPF), reuniu pessoas ilustres que contribu\u00edram para a cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do setor. Realizado no Museu Hist\u00f3rico Nacional, no Centro do Rio, o evento contou, no primeiro dia (21 de novembro) com fot\u00f3grafos e profissionais ligados \u00e0 \u00e1rea, tanto no palco como na plateia, que relembraram com carinho como se deu a forma\u00e7\u00e3o do CCPF.<\/p>\n<p>Da abertura participaram o presidente da Funarte, Humberto Braga; o diretor do Museu Hist\u00f3rico Nacional, Paulo Knauss de Mendon\u00e7a; a diretora do Centro de Programas Integrados (Cepin), Maristela Rangel; e a coordenadora do CCPF, Sandra Baruki. Maristela Rangel agradeceu a parceria com o MHN e se disse \u201cmuito honrada de estar nesta casa comemorando os 30 anos do CCPF\u201d. Tamb\u00e9m agradeceu a parceria com Dante Gastaldoni, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados culturais, e com o Centro de Informa\u00e7\u00e3o e Documenta\u00e7\u00e3o (Cedoc), que tamb\u00e9m integra o Cepin.<\/p>\n<p>O anfitri\u00e3o Paulo Knauss parabenizou a Funarte pelo evento e disse ser uma satisfa\u00e7\u00e3o grande poder ser parceiro dessa iniciativa. Ele elogiou o CCPF por trabalhar h\u00e1 tantos anos em defesa do patrim\u00f4nio fotogr\u00e1fico brasileiro. \u201cO Museu Hist\u00f3rico Nacional tamb\u00e9m \u00e9 conhecido pelo seu acervo fotogr\u00e1fico. A colabora\u00e7\u00e3o com o CCPF foi e continua sendo fundamental para continuarmos conservando e valorizando o nosso acervo fotogr\u00e1fico, especialmente porque este \u00e9 raro e antigo, muito delicado e exige sempre acompanhamento. De certo modo, nosso acervo tamb\u00e9m acompanha a hist\u00f3ria do CCPF\u201d, reconheceu o diretor do MHN.<\/p>\n<p>Em sua fala, Sandra Baruki disse que queria fazer do evento uma \u201cfesta\u201d para reunir todos contribu\u00edram para que o CCPF completasse os seus 30 anos de exist\u00eancia. E ela conseguiu. Al\u00e9m dos palestrantes, a maior parte da plateia era formada por antigos e atuais colaboradores do Centro. \u201cO CCPF foi pensado para ser um espa\u00e7o agregador e \u00fanico. Nunca teve acervo e nasceu para beber das outras institui\u00e7\u00f5es, para promover encontros como este, para integrar os fot\u00f3grafos, conservadores, arquivistas, muse\u00f3logos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ao organizar o programa do Semin\u00e1rio, Sandra Baruki teve a preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente de resgatar o passado, mas tamb\u00e9m pensar o presente e o futuro. \u201cEra preciso reinventar o Centro. Foi quando pensamos em trazer esse novo p\u00fablico que est\u00e1 produzindo, fazendo fotografia. E contar essa hist\u00f3ria foi um processo que renovou meu amor pela fotografia. Eu estava muito castigada pela burocracia da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. E hoje estamos celebrando o trabalho de muita gente\u201d, comemorou.<\/p>\n<p>O presidente da Funarte, Humberto Braga, funcion\u00e1rio de carreira h\u00e1 quase quarenta anos da Funda\u00e7\u00e3o, disse que era a hora de colocar o CCPF no lugar de destaque que o Centro merece. Para ele, alguns centros da Funarte se destacam de uma forma muito especial pelo seu trabalho: o Centro T\u00e9cnico de Artes C\u00eanicas (CTAC), voltado para a quest\u00e3o da arquitetura c\u00eanica e da cenot\u00e9cnica, a Escola Nacional de Circo (ENC) e o CCPF.<\/p>\n<p>\u201cEu nunca entendi como o CCPF n\u00e3o teve um lugar de destaque nos \u00faltimos anos. Observando a trajet\u00f3ria nesses \u00faltimos anos, ela se d\u00e1, em primeiro lugar, pela pertin\u00eancia do trabalho em si; segundo, pelo ac\u00famulo de experi\u00eancia desenvolvido dentro da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o; e terceiro, pela compet\u00eancia e paix\u00e3o de alguns servidores que durante anos se dedicaram com muita garra e persist\u00eancia a esse trabalho\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Pedro-Vasquez_30anosCCPF.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-92182 alignleft\" style=\"margin: 4px;\" title=\"Pedro Vasquez no Semin\u00e1rio 30anos do CCPF\" src=\"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Pedro-Vasquez_30anosCCPF-196x254.jpg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"254\" \/><\/a><strong>INFoto e o in\u00edcio do CCPF<\/strong><br \/>\nA confer\u00eancia do primeiro dia, \u201c<em>O INFoto e a cria\u00e7\u00e3o do Centro de Conserva\u00e7\u00e3o e Preserva\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica<\/em>\u201d, foi apresentada por Pedro Karp Vasquez, um dos criadores do INFoto &#8211; Instituto Nacional de Fotografia da Funarte, em 1982 (e diretor at\u00e9 1986), que mais tarde daria lugar ao CCPF. Escritor, fot\u00f3grafo e editor, ele fez uma concedida a ele por Zeca Ara\u00fajo, em 1979, \u00e0 revista Foto C\u00e2mera, na se\u00e7\u00e3o \u201cRevela\u00e7\u00f5es\u201d. Nessa \u00e9poca, havia somente o projeto de cria\u00e7\u00e3o de uma galeria, que depois seria transformada em n\u00facleo de conserva\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica. No projeto de cria\u00e7\u00e3o, \u201cZeca buscava parceria com a iniciativa privada para oferecer quatro cursos, inclusive um de conserva\u00e7\u00e3o de fotografias, mostrando essa preocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 naquela \u00e9poca\u201d, ressaltou Pedro Vasquez.<\/p>\n<p>Desde sua cria\u00e7\u00e3o, ressaltou Pedro Vasquez, o Centro teve miss\u00e3o educativa. Foi o primeiro a ser criado na Am\u00e9rica Latina e se inscrevia num programa nacional de conserva\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e pesquisa da fotografia, criado pela Secretaria de Cultura do antigo MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura). Sandra Baruki complementou: em 2016, foram realizadas 27 oficinas em quatro regi\u00f5es do pa\u00eds, com 700 alunos inscritos, dos quais 500 obtiveram certificados.<\/p>\n<p>Entre as institui\u00e7\u00f5es presentes no primeiro dia estiveram Arquivo Nacional, Casa de Rui Barbosa, Biblioteca Nacional, FotoRio, Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Instituto Brasileiro de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico Nacional (Iphan) e Instituto Moreira Salles.<\/p>\n<p><strong>Fotografia, Periferia e Mem\u00f3ria<br \/>\n<\/strong>Dante Gastaldoni, Jo\u00e3o Roberto Ripper e Tatiana Altberg foram os palestrantes que se alternaram para abordar o segundo tema do primeiro dia do semin\u00e1rio do CCPF &#8211; <em>Fotografia, Periferia e Mem\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p>Jornalista, cientista social\u00a0e professor universit\u00e1rio,\u00a0Dante Gastaldoni falou sobre as oficinas de preserva\u00e7\u00e3o digital que ministrou a convite da Funarte com outros profissionais que tamb\u00e9m participam do programa do semin\u00e1rio. Ele fez breve apresenta\u00e7\u00e3o sobre o trabalho de Jo\u00e3o Roberto Ripper \u00a0e do livro\u00a0<em>Imagens Humanas,<\/em> que celebrou os 30 anos de profiss\u00e3o do colega. \u00a0Gastaldoni \u00a0contou sobre a iniciativa pioneira da Escola de Fot\u00f3grafos Populares, na favela da Mar\u00e9, no Rio, \u00a0criada por Ripper em 2004, com patroc\u00ednio de Furnas, onde \u201ca fotografia era apresentada como uma ferramenta de direitos humanos\u201d. A EFP revelou jovens fot\u00f3grafos da Mar\u00e9 e, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de um banco de imagens, tamb\u00e9m tinha \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos novos profissionais uma ag\u00eancia escola para a distribui\u00e7\u00e3o das fotos. Gastaldoni falou ainda sobre o trabalho, que nasceu no Observat\u00f3rio de Favelas, tamb\u00e9m na Mar\u00e9, com a produ\u00e7\u00e3o de um livro de Ripper. O projeto Imagens do Povo, curso com 540 horas aula criado pela dupla em 2006, teve patroc\u00ednio do Unicef, e no ano seguinte da Unesco, e contou com in\u00fameros profissionais convidados. Posteriormente, desmembrado em tr\u00eas cursos, a iniciativa teve a chancela da Universidade Federal Fluminense (UFF).<\/p>\n<p>O professor relatou sobre a grande repercuss\u00e3o dos cursos desenvolvidos pela EFP, inclusive na imprensa internacional, resultando em parcerias com empresas nacionais que contrataram os jovens fot\u00f3grafos para in\u00fameros trabalhos e exposi\u00e7\u00f5es no Brasil (Centro Cultural da Caixa, CCBB e Centro Cultural da Justi\u00e7a Federal) e exterior (Londres). Durante sua explana\u00e7\u00e3o, Dante Gastaldoni apresentou fotos que revelam o talento desses jovens fot\u00f3grafos (incluindo Rat\u00e3o Diniz que estava na plateia), revelados pela EFP \u2013 \u201cas fotos t\u00eam uma investida para al\u00e9m do documental, come\u00e7am a ter uma coisa de arte\u201d. Dante tamb\u00e9m falou dos projetos criados pelos fot\u00f3grafos nascidos dos cursos da escola da Mar\u00e9. \u201cUm coletivo de fot\u00f3grafos passa a dirigir o Imagens do Povo. E eles criam outro movimento independente, o Folia de Imagens (<a href=\"http:\/\/www.imagensdopovo.org.br\/destaques\/folia-de-imagens\/\">http:\/\/www.imagensdopovo.org.br\/destaques\/folia-de-imagens\/<\/a>), que todo ano documenta o Carnaval e festas populares, e o L\u00e9o Lima cria o Cafun\u00e9 na Laje (<a href=\"http:\/\/institutotear.org.br\/cafune-na-lage\/\">http:\/\/institutotear.org.br\/cafune-na-lage\/<\/a>), onde ele pega a crian\u00e7ada e desenvolve roteiro com elas e depois divulga no Facebook.\u201d<\/p>\n<p>Tatiana Altberg falou sobre o M\u00e3o na Lata \u2013 \u201cum conjunto de a\u00e7\u00f5es, um coletivo, um espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de imagens narrativas em parceria com a Redes da Mar\u00e9\u201d. Nascido em 2003, ela explica que o M\u00e3o na Lata vem de uma vontade de circular pela cidade, &#8220;por esses espa\u00e7os populares\u201d. O trabalho desenvolvido por ela tem como caracter\u00edsticas longa dura\u00e7\u00e3o \u2013 um ano ou mais, a manuten\u00e7\u00e3o do mesmo grupo \u00a0de alunos e o desenvolvimento de outros projetos. Tatiana mostrou imagens do livro <em>Cada dia o meu pensamento \u00e9 diferente,<\/em> que, segundo ela, foca no universo adolescente e nas mudan\u00e7as da vida, \u201ctrabalhando com os meninos a partir de contos e cr\u00f4nicas de Machado de Assis, impossibilitando que eles vejam as coisas de um ponto de vista \u00fanico\u201d.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m explicou a t\u00e9cnica que utiliza \u2013 o pinhole, com a constru\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras pelos pr\u00f3prios alunos. E falou sobre as oficinas que constavam de narrativas escritas e fotogr\u00e1ficas, onde estava sempre presente o di\u00e1logo com a literatura de Machado ou com textos escritos pelo pr\u00f3prios alunos. Tatiana destacou a import\u00e2ncia do M\u00e3o na Lata com a t\u00e9cnica pinhole, utilizada de 2003 at\u00e9 2011. \u201cCom essa fotografia, a gente fotografa para pensar mais devagar, para olhar mais devagar, para pensar mais devagar. E a fotografia ajuda a gente a cultivar a aten\u00e7\u00e3o, a delicadeza, a escuta, a calar quando precisa calar. O M\u00e3o na Lata tem uma tentativa de criar um espa\u00e7o e um tempo diferente do tempo cotidiano, principalmente do que \u00e9 vivido na Mar\u00e9, o territ\u00f3rio de onde vem os participantes.\u201d<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo Jo\u00e3o Roberto Ripper, \u00faltimo palestrante do dia, falou sobre o seu projeto <em>A beleza do outro \u2013 O Brasil que a maioria n\u00e3o conhece<\/em>, com registros de imagens de quilombolas, \u00edndios, pescadores, colhedores de flores, caatingueiros, que foca no modo de vida desses brasileiros pouco conhecidos e no reconhecimento de seus territ\u00f3rios. Ripper, que criou a Escola de Fot\u00f3grafos Populares na Mar\u00e9, percorreu v\u00e1rios estados brasileiros \u2013 Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso, Maranh\u00e3o, para esse trabalho. \u201cQuando a gente come\u00e7a a ver as pessoas como iguais \u00e9 que a gente pode ter a capacidade de ver as belezas, de enxergar as belezas fora do padr\u00e3o de beleza que nos enxergaram. \u00c9 lindo a quilombola e o \u00edndio. S\u00f3 que a gente n\u00e3o est\u00e1 acostumado a ver, a gente n\u00e3o foi educado a ver como beleza. Foi inclusive educado a dizer que isso \u00e9 est\u00e9tica da mis\u00e9ria, quando est\u00e9tica da mis\u00e9ria \u00e9 voc\u00ea promover a mis\u00e9ria\u201d. Ripper explicou que a edi\u00e7\u00e3o das fotos foi feita em conjunto com a comunidade, que ap\u00f3s ver a proje\u00e7\u00e3o das imagens, recebeu a vers\u00e3o digital do trabalho tamb\u00e9m oferecida \u00e0s entidades que apoiam e defendem os interesses dessas comunidades.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as palestras, houve debete com a plateia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O semin\u00e1rio Fotografia\u00a0Digital e\u00a0Preserva\u00e7\u00e3o e Fotografia, Periferia e Mem\u00f3ria, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes \u2013 Funarte em comemora\u00e7\u00e3o aos 30 anos do seu Centro de Conserva\u00e7\u00e3o e Preserva\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica (CCPF), reuniu pessoas ilustres que contribu\u00edram para a cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do setor. 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