{"id":93209,"date":"2017-02-08T15:02:38","date_gmt":"2017-02-08T17:02:38","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=93209"},"modified":"2017-02-08T17:36:02","modified_gmt":"2017-02-08T19:36:02","slug":"instalacao-%e2%80%98monumento%e2%80%99-e-inaugurada-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=93209","title":{"rendered":"Instala\u00e7\u00e3o \u2018Monumento\u2019 \u00e9 inaugurada em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Os artistas visuais Adriano Guimar\u00e3es (DF), Fernando Guimar\u00e3es (DF) e Ismael Monticelli (RS) inauguram na <strong>quarta-feira (15)<\/strong>, na Marquise\/Entorno do Complexo Cultural Funarte Bras\u00edlia, a interven\u00e7\u00e3o <em><strong>Monumento<\/strong><\/em>, projeto contemplado no Pr\u00eamio Funarte de Arte Contempor\u00e2nea 2015 \u2013 Atos Visuais.<\/p>\n<p>Elaborada especialmente para o local, <em>Monumento <\/em>\u00e9 uma esp\u00e9cie de jardim feito de restos de autom\u00f3veis e de elementos que evocam a paisagem da cidade. Neste trabalho, os tr\u00eas artistas &#8211; que regularmente se encontram para realizar trabalhos em conjunto \u2013 convidam a uma reflex\u00e3o sobre a modernidade e seus ideais de progresso, velocidade e dinamismo. A cria\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e o desenvolvimento da ind\u00fastria automobil\u00edstica no pa\u00eds embasam, tamb\u00e9m, a constru\u00e7\u00e3o da obra, aberta \u00e0 visita\u00e7\u00e3o at\u00e9 <strong>2 de abril<\/strong>, de<strong> ter\u00e7a a domingo, das 10h \u00e0s 21h<\/strong>.<\/p>\n<p>Com acompanhamento cr\u00edtico das curadoras Daniela Name (RJ) e Mar\u00edlia Panitz (DF) o trabalho, como explicam seus criadores, \u201capropria-se do significado corriqueiro da palavra <em>monumento <\/em>\u2013 constru\u00e7\u00e3o com finalidade de perpetuar a mem\u00f3ria de pessoa ou acontecimento relevante \u2013 e da sua intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o com Bras\u00edlia, a cidade dos monumentos\u201d. A obra utiliza como mat\u00e9ria-prima restos de ve\u00edculos acidentados, enfocando uma estrat\u00e9gia, \u00e9tica e est\u00e9tica, recorrente na po\u00e9tica dos tr\u00eas artistas: a valoriza\u00e7\u00e3o do que habitualmente \u00e9 considerado desimportante ou desprezado pelo senso comum. <\/p>\n<p>Nesta instala\u00e7\u00e3o, os criadores direcionam seu olhar para Bras\u00edlia \u2013 lugar, segundo eles, onde ideologia, interesses econ\u00f4micos e arquitetura est\u00e3o imbricados desde a sua concep\u00e7\u00e3o. \u201cSe Bras\u00edlia \u00e9 a cidade-s\u00edntese de nossa modernidade como uma esp\u00e9cie de ru\u00edna de futuro, talvez o carro seja o maior vest\u00edgio dessa ru\u00edna\u201d, refletem eles. \u201cA ind\u00fastria automobil\u00edstica foi uma das principais plataformas do programa de governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), n\u00e3o apenas no que diz respeito \u00e0 economia e \u00e0 pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m \u00e0 imagem de Brasil idealizada durante esse per\u00edodo. O ve\u00edculo &#8211; literal e metaf\u00f3rico &#8211; pode nos transportar para a reelabora\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria\u201d, ponderam.<\/p>\n<p>Ao utilizar o carro acidentado como escultura do acaso, a interven\u00e7\u00e3o prop\u00f5e uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre um fluxo, t\u00e3o naturalizado que j\u00e1 se tornou invis\u00edvel, que vai em alta velocidade da produ\u00e7\u00e3o em massa ao descarte, por meio de uma distribui\u00e7\u00e3o acelerada. A expectativa \u00e9 de que esses restos abandonados e repletos de narrativas possam adquirir visibilidade ao revelar, quando relocados, o avesso de uma utopia. \u201cAdriano, Fernando e Ismael est\u00e3o lidando com um anticarro e transformando estes restos de velocidade em jardim. Lampejo de poesia\u201d, afirma a curadora Daniela Name.<\/p>\n<p><em>Monumento<\/em>, para Daniela, \u00e9 feito n\u00e3o s\u00f3 dessas invers\u00f5es, mas tamb\u00e9m de muitas condensa\u00e7\u00f5es: da hist\u00f3ria de Bras\u00edlia, da hist\u00f3ria da arte moderna, da hist\u00f3ria dos pr\u00f3prios artistas envolvidos. \u201cEu vejo nessa interven\u00e7\u00e3o lastros de trabalhos que os tr\u00eas fizeram juntos e separados. Ao criarem seu pr\u00f3prio eixo com esses desastres, \u00e9 como se eles investissem, mais uma vez, na necessidade de paralisia, de sil\u00eancio e de contempla\u00e7\u00e3o para redesenhar metas e mapas. Menos veloz e mais opaca, essa jornada talvez seja a \u00fanica cartografia poss\u00edvel em meio aos destro\u00e7os\u201d, diz a curadora.<\/p>\n<p>Para Mar\u00edlia Panitz, criar uma interven\u00e7\u00e3o que coloca o carro desincorporado de sua funcionalidade \u00e9, ainda, \u201cfustigar a ideia de retomar um devir que nasceu fadado ao descarte\u201d. A obra \u2013 analisa ela \u2013 est\u00e1 organizada no espa\u00e7o externo, em um jardim, constituindo um desenho de instala\u00e7\u00e3o a partir dos jardins japoneses, que carregam a ideia de morte &#8211; n\u00e3o como saudade ou mem\u00f3ria, mas como forma de contempla\u00e7\u00e3o sobre a exist\u00eancia. Para Panitz, esta \u00e9 uma experi\u00eancia est\u00e9tica de lidar com a aus\u00eancia que deve ser observada e sentida. \u201cN\u00e3o existem detalhes a observar e apreender, e sim outro tempo de vis\u00e3o que se permitir. Essa tens\u00e3o \u00e9 o que d\u00e1 \u00e0 obra o crit\u00e9rio de monumento: um estar para refletir\u201d, sentencia.<\/p>\n<p>O projeto oferecer\u00e1 ao p\u00fablico duas oficinas sobre quest\u00f5es relacionadas ao trabalho, e contar\u00e1 com o lan\u00e7amento de um cat\u00e1logo ao fim da exposi\u00e7\u00e3o, quando haver\u00e1 tamb\u00e9m uma conversa seguida de visita \u00e0 obra, conduzida por Mar\u00edlia Panitz e pelos artistas.<\/p>\n<p><strong>Sobre os artistas<\/strong><br \/>\n<strong>Adriano e Fernando Guimar\u00e3es | Bras\u00edlia\/DF<\/strong>: artistas visuais, diretores e professores. Apresentam desde 1989  trabalhos em teatro, performance, artes visuais e dan\u00e7a. Realizaram diversas exposi\u00e7\u00f5es individuais como: <em>Quase nunca sempre o mesmo<\/em> (Alfinete Galeria, Bras\u00edlia\/DF, 2014); <em>Cheio\/vazio<\/em> (K\u00fcnstlerhaus Mousonturm, Frankfurt\/Alemanha, 2013); <em>No singular. Nada se move<\/em>, curadoria de Mar\u00edlia Panitz (Galeria 3, Centro Cultural Banco do Brasil, Bras\u00edlia\/DF, 2013); <em>Rumor<\/em>, curadoria de Mar\u00edlia Panitz (Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro\/RJ; Galeria 3, Centro Cultural Banco do Brasil, Bras\u00edlia\/DF; SESC Belenzinho, S\u00e3o Paulo\/SP. 2012-2013); <em>Juegos &#8211; Performances<\/em> (MARCO, Museo de Arte Contempor\u00e2nea de Vigo, Espanha, 2005); <em>Dupla exposi\u00e7\u00e3o<\/em>, curadoria de Marilia Panitz (Centro Cultural Banco do Brasil, Bras\u00edlia\/DF, 2003); e <em>Felizes para sempre<\/em>, curadoria de Marilia Panitz (Centro Cultural Banco do Brasil, S\u00e3o Paulo\/SP; Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro\/RJ; Centro Cultural Banco do Brasil, Bras\u00edlia\/DF; Solar do Bar\u00e3o, Curitiba\/PR. 2001-2000).<br \/>\nParticiparam de diversas exposi\u00e7\u00f5es coletivas no Brasil e no exterior como:<em> Frestas \u2013 Trienal das Artes<\/em>, curadoria de Josu\u00e9 Mattos (SESC Sorocaba, S\u00e3o Paulo\/SP, 2014);<em> Transperformance<\/em>, curadoria de Lilian Amaral (Oi Futuro Ipanema, Rio de Janeiro\/RJ, 2011); <em>Bras\u00edlia S\u00edntese das Artes<\/em>, curadoria de Denise Mattar (Centro Cultural Banco do Brasil, Bras\u00edlia\/DF, 2010); <em>HiPer>rela\u00e7\u00f5es eletro\/\/digitais<\/em>, curadoria de Vitoria Daniela Bousso (Santander Cultural, Porto Alegre\/R, 2004); <em>Panorama da arte brasileira 2003 &#8211; Desarrumado 19 desarranjos<\/em>, curadoria de Gerardo Mosquera (Museu de Arte Moderna, S\u00e3o Paulo\/SP; Pa\u00e7o Imperial, Rio de Janeiro\/RJ. Museu de Arte Moderna Alo\u00edsio de Magalh\u00e3es, Recife\/PE; MARCO, Museo de Arte Contempor\u00e2nea, Vigo\/Espanha; Museo de Arte Del Banco de La Rep\u00fablica, Bogot\u00e1\/Col\u00f4mbia; 2003-2008); <em>A trajet\u00f3ria da luz na arte brasileira<\/em>, curadoria de Paulo Herkenhoff  (Ita\u00fa Cultural, S\u00e3o Paulo\/SP, 2001); <em>The theatre of installation<\/em>, curadoria de Nicolas de Oliveira e Nicola Oxley (Museum of Installation, Londres\/Reino Unido, 2000); e 21\u00aa Bienal Internacional de S\u00e3o Paulo, curadoria de Jo\u00e3o C\u00e2ndido Galv\u00e3o (Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo\/SP, 1991).<br \/>\n<strong>Ismael Monticelli | Porto Alegre\/RS<\/strong>: artista visual e pesquisador. Bacharel em Artes Visuais (UFRGS, 2010) e mestre em Artes Visuais (UFPel, 2014). Realizou exposi\u00e7\u00f5es individuais como: <em>Le Petit Mus\u00e9e \u2013 Sala 1, 2 e 3<\/em>, curadoria de Raphael Fonseca (Portas Vilaseca Galeria, Rio de Janeiro\/RJ, 2016); <em>Todas as coisas, surgidas do opaco<\/em>, curadoria de Luisa Duarte (Santander Cultural, Porto Alegre\/RS, 2014); <em>A Paix\u00e3o faz das pedras inertes um drama<\/em> (Goethe-Institut, Porto Alegre\/RS).<br \/>\nParticipou de exposi\u00e7\u00f5es coletivas como: <em>V\u00e9rtice,<\/em> curadoria de Mar\u00edlia Panitz, Marisa Mokarzel e Polyanna Morgana (Centro Cultural Correios, S\u00e3o Paulo\/SP, 2016; Museu Nacional dos Correios, Bras\u00edlia\/DF, 2015; Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro\/RJ, 2015); <em>Mensagens de uma nova Am\u00e9rica \u2013 A poeira e o mundo dos objetos,<\/em> 10\u00aa Bienal do Mercosul (Usina do Gas\u00f4metro, Porto Alegre\/RS, 2015); <em>Fic\u00e7\u00f5es<\/em>, curadoria de Daniela Name (Caixa Cultural, Rio de Janeiro\/RJ, 2015); <em>Situa\u00e7\u00f5es Bras\u00edlia<\/em>, curadoria de Cristiana Tejo, Evandro Salles e Ricardo Sardenberg (Museu Nacional da Rep\u00fablica, Bras\u00edlia\/DF, 2014-2015); 4\u00ba Pr\u00eamio EDP nas Artes (Instituto Tomie Ohtake, S\u00e3o Paulo\/SP, 2014); <em>Da mat\u00e9ria sens\u00edvel<\/em>, curadoria de Bruna Fetter (Museu de Arte Contempor\u00e2nea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre\/RS, 2014); <em>Homem cultura natureza<\/em> \u2013 Pr\u00eamio Di\u00e1rio Contempor\u00e2neo de Fotografia, curadoria de Mariano Klautau Filho (Casa das Onze Janelas, Bel\u00e9m\/PA, 2013); <em>Rumor<\/em>, curadoria de Mar\u00edlia Panitz (Centro Cultural Banco do Brasil, Bras\u00edlia\/DF, 2013; SESC Belenzinho, S\u00e3o Paulo\/SP, 2013; e Oi Futuro Flamengo, Rio de Janeiro\/RJ, 2012); <em>Outras coisas vis\u00edveis sobre papel<\/em>, curadoria de Paulo Miyada (Galeria Leme, S\u00e3o Paulo\/SP, 2012), 41\u00ba Nov\u00edssimos, curadoria de Ivair Reinaldim (Centro Cultural Ibeu, Rio de Janeiro\/RJ, 2011); e mostra coletiva <em>Olheiro da arte<\/em>, curadoria de Fernando Cocchiarale (Centro Cultural da Justi\u00e7a Eleitoral, Rio de Janeiro\/RJ, 2010).  Foi destaque na sele\u00e7\u00e3o da Bolsa Iber\u00ea Camargo 2011 e premiado no Festival de Fotografia HTTPpix (Instituto S\u00e9rgio Motta, S\u00e3o Paulo\/SP, 2010).<\/p>\n<p><u><strong><em>Monumento<\/em>&#8211; instala\u00e7\u00e3o de Adriano Guimar\u00e3es, Fernando Guimar\u00e3es e Ismael Monticelli<\/strong><\/u><br \/>\nPr\u00eamio Funarte de Arte Contempor\u00e2nea 2015 \u2013 Atos Visuais<\/p>\n<p>Abertura: <strong>15 de fevereiro | Quarta, \u00e0s 17h<\/strong><br \/>\nVisita\u00e7\u00e3o: <strong>de 16 de fevereiro a 2 de abril | De ter\u00e7a a domingo, das 10h \u00e0s 21h<br \/>\n<\/strong><br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria: <strong>livre<\/strong><br \/>\n<strong>Gratuita<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Local: Marquise\/Entorno do Complexo Cultural Funarte Bras\u00edlia. Eixo Monumental, Setor de Divulga\u00e7\u00e3o Cultural, Bras\u00edlia, DF (entre a torre de TV e o Centro de Conven\u00e7\u00f5es) <\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es:(61) 3322-2076; 3322-2029<br \/>\nInforma\u00e7\u00f5es sobre o projeto e contatos:<br \/>\nSite: www.projetomonumento.com.br<br \/>\nEmail: projetomonumento@gmail.com<br \/>\nRedes sociais: www.facebook.com\/projetomonumento | www.instagram.com\/projetomonumento<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os artistas visuais Adriano Guimar\u00e3es (DF), Fernando Guimar\u00e3es (DF) e Ismael Monticelli (RS) inauguram na quarta-feira (15), na Marquise\/Entorno do Complexo Cultural Funarte Bras\u00edlia, a interven\u00e7\u00e3o Monumento, projeto contemplado no Pr\u00eamio Funarte de Arte Contempor\u00e2nea 2015 \u2013 Atos Visuais. 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