{"id":93232,"date":"2017-02-08T17:17:37","date_gmt":"2017-02-08T19:17:37","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=93232"},"modified":"2017-02-08T18:29:27","modified_gmt":"2017-02-08T20:29:27","slug":"conchas-fogo-fuligem-e-grafite-ganham-corpo-na-exposicao-%e2%80%98poema-193%e2%80%99","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=93232","title":{"rendered":"Conchas, fogo, fuligem e grafite ganham corpo na exposi\u00e7\u00e3o \u2018Poema 193\u2019"},"content":{"rendered":"<p>Contemplada pelo Pr\u00eamio Funarte de Arte Contempor\u00e2nea 2015 \u2013 Atos Visuais, a exposi\u00e7\u00e3o <strong><em>Poema 193<\/em><\/strong>, do artista pl\u00e1stico Diego de Santos, vai ocupar at\u00e9 <strong>2 de abril<\/strong> a Galeria Fayga Ostrower, do Complexo Cultural Funarte Bras\u00edlia. A mostra, composta por desenhos, fotografias e v\u00eddeos, convida os visitantes a ativarem sua viv\u00eancia est\u00e9tica e sensorial. A <em>vernissage <\/em>est\u00e1 marcada para esta <strong>quarta (15), \u00e0s 18h<\/strong>, com entrada aberta ao p\u00fablico. <\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de <em>Poema 193<\/em> toma por base um intenso processo experimental. Nele, Diego de Santos aciona o imagin\u00e1rio da concha, da casa e do arqu\u00e9tipo de morada, e o confronta com o fogo e suas simbologias para discorrer poeticamente sobre quest\u00f5es que permeiam tanto o campo da intimidade, quanto o dos conflitos sociais.<\/p>\n<p>As imagens em v\u00eddeo reproduzem registros de conchas &#8211; em analogia com a estrutura de um lar &#8211; em chamas. Esta, de acordo com o artista, \u00e9 uma forma de tratar poeticamente a quest\u00e3o dos inc\u00eandios criminosos que atingem favelas e moradias prec\u00e1rias. N\u00e3o \u00e9 casual, portanto, a presen\u00e7a do n\u00famero telef\u00f4nico dos bombeiros \u2013 193 \u2013 no t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os ru\u00eddos que se ouvem nas grava\u00e7\u00f5es, explica ainda o artista, foram captados no entorno do ateli\u00ea (latido de c\u00e3es, canto dos p\u00e1ssaros, avi\u00f5es em tr\u00e2nsito, etc.) com a proposta de, numa edi\u00e7\u00e3o em <em>slowmotion<\/em>, darem lugar a \u201cuma realidade distorcida e medonha. \u00c9 como se o inc\u00eandio ganhasse voz, tornando-se, ent\u00e3o, corpo testemunha de si mesmo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cA exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos resultados dos processos de experimenta\u00e7\u00e3o do projeto<em> Poema 193<\/em>. Todos os elementos, suas simbologias e conex\u00f5es j\u00e1 eram, de certa forma, recorrentes na minha produ\u00e7\u00e3o\u201d, conta Diego. O artista revela ser um velho desejo seu usar algumas conchas que colecionava para uma proposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Em associa\u00e7\u00e3o com o fogo, a obra relaciona estes objetos colhidos no mar a uma problem\u00e1tica social: os inc\u00eandios criminosos.  <\/p>\n<p>Para realizar os desenhos expostos na mostra, o artista utiliza a t\u00e9cnica de fixa\u00e7\u00e3o da fuligem e diferentes processos de queima, e ainda lan\u00e7a m\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas naturais e da parafina. \u201cA superf\u00edcie do papel, posicionada acima da chama da lamparina, recebe toda a fuligem liberada pelo fogo e nunca \u00e9 poss\u00edvel determinar a imagem a ser gerada. Em alguns momentos, antes de fixar a fuligem com verniz, submeto aquele desenho \u00e0 a\u00e7\u00e3o do lugar: esque\u00e7o-os na parede ou no ch\u00e3o para que insetos caminhem sobre eles, deixando rastros; aproveito raros serenos, deixando que got\u00edculas de \u00e1gua da chuva fina intervenham sobre a fuligem. Sujeitar os trabalhos a situa\u00e7\u00f5es promovidas pelo entorno faz de Poema 193 um irrecus\u00e1vel convite \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o conjunta: eu e os efeitos do espa\u00e7o ao redor\u201d, esclarece. <\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo de exposi\u00e7\u00e3o, uma a\u00e7\u00e3o educativa por\u00e1 mediadores \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. O acervo incentiva, ainda, a inclus\u00e3o social atrav\u00e9s do acesso \u00e0 maquete t\u00e1til e obras com descri\u00e7\u00f5es em \u00e1udio e em braile. <\/p>\n<p><strong>Sobre o artista:<\/strong><br \/>\n<strong>Diego de Santos<\/strong> [Caucaia \u2013 CE, 1984] \u00e9 formado em Artes Pl\u00e1sticas pelo IFCE e exp\u00f5e desde 2005. Vive e trabalha em Caucaia e em Fortaleza. Este ano, foi contemplado com o Pr\u00eamio de Cria\u00e7\u00e3o em Artes Visuais de Teresina, que consistiu em uma resid\u00eancia art\u00edstica na cidade por tr\u00eas meses, e como resultado final o projeto <em>\u00c0 margem toda vida<\/em>, percorrido de bicicleta de Teresina a Parna\u00edba, usando a estrada como um laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto. Em 2014 ganhou o pr\u00eamio PIPA (Pr\u00eamio Investidor Profissional de Arte), o mais relevante pr\u00eamio brasileiro de artes visuais, na categoria Online Popular e produziu o projeto <em>Lar \u00e9 onde ele est\u00e1<\/em>, pelo Porto Iracema das Artes &#8211; Escola de Forma\u00e7\u00e3o e Cria\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1. Recentemente, foi premiado no Sal\u00e3o de Artes de Mato Grosso do Sul (edi\u00e7\u00e3o 2013), al\u00e9m de ter sido premiado tamb\u00e9m no 8\u00ba Sal\u00e3o de Arte SESC Amap\u00e1, em 2010. J\u00e1 participou de edi\u00e7\u00f5es de feiras como SPArte e ArtRio. Tem obras no acervo do Centro Cultural Banco do Nordeste (Fortaleza), da Galeria Gra\u00e7a Landeira (Bel\u00e9m), Amparo 60 (Recife) e de v\u00e1rios galeristas, colecionadores e curadores no Brasil e no exterior.<\/p>\n<p><strong>Sobre a curadora:<\/strong><br \/>\n<strong>Yana Tamayo<\/strong> [Bras\u00edlia, 1978] \u00e9 artista visual, educadora e curadora independente. Desde 2015 \u00e9 gestora da Nave arte | projeto | pesquisa, espa\u00e7o independente onde desenvolve projetos de pesquisa e forma\u00e7\u00e3o em arte, curadoria e execu\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es. Doutora em Arte na linha de pesquisa Po\u00e9ticas Contempor\u00e2neas pela Universidade de Bras\u00edlia &#8211; UnB (2015), \u00e9 mestre pela mesma institui\u00e7\u00e3o e linha de pesquisa (2009) e especialista pela Universidad Complutense de Madrid (2006). Graduou-se em Artes Pl\u00e1sticas pela Escola de Belas Artes da UFMG (2003). Foi professora na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (2009-2010) e professora no curso de Bacharelado em Artes Visuais da Universidade de Bras\u00edlia como bolsista Capes\/REUNI durante os anos de seu doutorado. Como artista, produz e exp\u00f5e com regularidade desde 2003. Vive e trabalha em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><u><strong>Exposi\u00e7\u00e3o <em>Poema 193<\/em><\/strong><\/u><br \/>\nPr\u00eamio Funarte de Arte Contempor\u00e2nea 2015 \u2013 Atos Visuais<\/p>\n<p>Artista: <strong>Diego de Santos<\/strong> | Curadoria: <strong>Yana Tamayo<\/strong><\/p>\n<p>Abertura: <strong>15 de fevereiro | Quarta, \u00e0s 18h<\/strong><br \/>\nVisita\u00e7\u00e3o: <strong>de 16 de fevereiro a 2 de abril | De ter\u00e7a a domingo, das 10h \u00e0s 21h<\/strong><br \/>\n<strong>Gratuita<\/strong><\/p>\n<p>Local: Galeria Fayga Ostrower do Complexo Cultural Funarte Bras\u00edlia<br \/>\nEixo Monumental, Setor de Divulga\u00e7\u00e3o Cultural, Bras\u00edlia, DF (Entre a Torre de TV e o Centro de Conven\u00e7\u00f5es)<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es: (61) 3322-2076 \/ 3322-2029<br \/>\nwww.funarte.gov.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contemplada pelo Pr\u00eamio Funarte de Arte Contempor\u00e2nea 2015 \u2013 Atos Visuais, a exposi\u00e7\u00e3o Poema 193, do artista pl\u00e1stico Diego de Santos, vai ocupar at\u00e9 2 de abril a Galeria Fayga Ostrower, do Complexo Cultural Funarte Bras\u00edlia. 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