{"id":94515,"date":"2017-03-24T09:44:04","date_gmt":"2017-03-24T12:44:04","guid":{"rendered":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=94515"},"modified":"2022-06-08T15:16:03","modified_gmt":"2022-06-08T18:16:03","slug":"por-dentro-da-funarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/?p=94515","title":{"rendered":"Marcos Souza \u00e9 o novo diretor do Centro da M\u00fasica da Funarte"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO Brasil tem uma potencialidade musical enorme!\u201d, \u00e9 o que diz o novo diretor do Centro da M\u00fasica da Funarte, Marcos Souza. Filho do m\u00fasico Chico Mario, sobrinho do cartunista Henfil e do soci\u00f3logo Betinho, Marcos \u00e9 m\u00fasico e gestor cultural, com experi\u00eancia vasta na curadoria e na coordena\u00e7\u00e3o de projetos.<\/p>\n<p>O compositor e instrumentista foi diretor de produ\u00e7\u00e3o musical da Orquestra Filarm\u00f4nica de Minas Gerais e consultor da orquestra de Ouro Preto (MG). Idealizou o projeto Rio SESC Instrumental. Foi tamb\u00e9m gerente de produtos de r\u00e1dio e TV da Multirio, presidente da associa\u00e7\u00e3o brasileira de compositores de m\u00fasica para o Audiovisual (Musimagem) e, por quase 20 anos, diretor da empresa Atelier Cultural. Como m\u00fasico, fez mestrado no Conservat\u00f3rio de Rotterdam (Holanda), e comp\u00f4s v\u00e1rias trilhas sonoras para filmes e televis\u00e3o. Fez a dire\u00e7\u00e3o musical do filme <em>3 irm\u00e3os de sangue<\/em> (2006) e vencedor como melhor filme no V Cine Fest Petrobras Brasil (Nova York, 2007), entre outros trabalhos para cinema.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancia musical, popular e erudita, e de gest\u00e3o \u00e9 um dos pontos relevantes da sua forma\u00e7\u00e3o. \u201cTenho uma experi\u00eancia de quase 30 anos em gest\u00e3o cultural. Fui respons\u00e1vel pela dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o da orquestra filarm\u00f4nica de MG e tamb\u00e9m consultor executivo da Orquestra de Ouro Preto. Morei e trabalhei com m\u00fasica na Espanha e na Holanda e, ao retornar, comecei meu trabalho com a m\u00fasica erudita\u201d, destaca\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 demais lembrar que Marcos teve uma proximidade afetiva e familiar com esse v\u00ednculo entre a aten\u00e7\u00e3o mais direcionada para a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e a necessidade de atuar no \u00e2mbito da gest\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o. Seu pai, al\u00e9m de m\u00fasico, foi precursor da cria\u00e7\u00e3o de formas alternativas de produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de m\u00fasica no Brasil: \u201cCresci no movimento do disco e da m\u00fasica brasileira independente. Meu pai, Chico M\u00e1rio, foi precursor dessa iniciativa, no final dos anos 1970\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94523\" aria-describedby=\"caption-attachment-94523\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Souza_foto-S.CASTELLANO-6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-94523 \" title=\"Marcos Souza_foto S.CASTELLANO 6\" src=\"https:\/\/sistema.funarte.gov.br\/noticias-antigas\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Marcos-Souza_foto-S.CASTELLANO-6.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"323\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-94523\" class=\"wp-caption-text\">Foto: S. Castellano<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Gest\u00e3o e Cria\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de unir gest\u00e3o cultural e cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, existe uma outra faceta do novo diretor que merece ser real\u00e7ada: a centralidade da educa\u00e7\u00e3o como princ\u00edpio norteador do seu conceito de gest\u00e3o cultural \u2013 educa\u00e7\u00e3o aqui entendida como necessidade da formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a capacita\u00e7\u00e3o do m\u00fasico e tamb\u00e9m do p\u00fablico, unindo o ensino da t\u00e9cnica musical, o treinamento cr\u00edtico do gosto e o aprendizado da cidadania. \u201cConsidero essencial e me preocupa essa \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos e de p\u00fablico. Ao mesmo tempo, me alegra e gratifica ver que h\u00e1 no Brasil grandes projetos tanto direcionados \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de futuros m\u00fasicos, relacionados \u00e0 cidadania. E a forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico me interessa muito\u201d, comenta Marcos.<\/p>\n<p>Esse trabalho de aprendizado da cidadania sintetiza os outros dois aspectos da trajet\u00f3ria do diretor: gest\u00e3o p\u00fablica e cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. \u201cA m\u00fasica tem um poder de transforma\u00e7\u00e3o e frui\u00e7\u00e3o muito grande. Ainda mais no Brasil. Posso comparar, porque morei no exterior e observei que a produ\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 infinitamente maior, mais vasta e diversa que as outras. Nosso pa\u00eds tem uma potencialidade musical enorme\u201d, observa.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">O que fica e o que vem<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Para agregar \u00e0 sua experi\u00eancia, Marcos Souza pretende manter e ampliar programas exitosos do Centro da M\u00fasica, como o Projeto Bandas de M\u00fasica e a Bienal de M\u00fasica Brasileira Contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 um dos principais projetos da Funarte na \u00e1rea da capacita\u00e7\u00e3o musical. Ele inclui uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, tais como os pain\u00e9is Funarte de Bandas de M\u00fasica \u2013 com realiza\u00e7\u00e3o regular de cursos musicais nas mais diversas regi\u00f5es do pa\u00eds \u2013; a distribui\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais utilizados em bandas de m\u00fasica; a edi\u00e7\u00e3o de partituras, guias e manuais; e um cadastro com cerca de 2.500 Bandas de M\u00fasica de todo Brasil, no site da Funda\u00e7\u00e3o. Marcos vai criar a I Bienal de Bandas de M\u00fasica, prevista para ser realizada em 2018. \u201cEla ser\u00e1 um grande encontro em todo Brasil, com palestras, oficinas, debates. Vai promover a converg\u00eancia desses coletivos, a troca de id\u00e9ias\u201d, comenta. Trata-se, em suma, de uma \u00e1rea estrat\u00e9gica fundamental: \u201cH\u00e1 mais de cem anos, as bandas proporcionam forma\u00e7\u00e3o musical e est\u00e3o presentes em todo Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de m\u00fasica erudita, este ano ser\u00e1 realizada a XXII Bienal de M\u00fasica Brasileira Contempor\u00e2nea, um dos principais programas de renova\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio de m\u00fasica erudita no Brasil.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Projeto Pixinguinha<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O Centro da M\u00fasica da Funarte vai retomar, tamb\u00e9m, uma outra grande a\u00e7\u00e3o, que estava suspensa desde 2009: o Projeto Pixinguinha. Trata-se de um dos mais importantes programas de circula\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos realizados no pa\u00eds. Por ele passaram os principais artistas da nossa m\u00fasica popular. O plano de reativa\u00e7\u00e3o do Pixinguinha prev\u00ea a sua realiza\u00e7\u00e3o em cerca de 60 cidades das cinco regi\u00f5es do territ\u00f3rio brasileiro, com encontros entre m\u00fasicos consagrados e emergentes. \u201cCada caravana dessas vai a quatro munic\u00edpios de cada regi\u00e3o \u2013 n\u00e3o somente a capitais, mas tamb\u00e9m a algumas outras cidades que tem desenvolvido projetos interessantes \u2013 tentando contemplar duas cidades por estado, sempre que poss\u00edvel; e algumas do interior\u201d, revela Marcos.<\/p>\n<p>O diretor criou, ainda, uma nova programa\u00e7\u00e3o musical, que integrar\u00e1 os espa\u00e7os musicais da Funarte do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte e Bras\u00edlia, entre outros projetos.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Bienal e pesquisa<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Entre os novos programas elaborados tem destaque a I Bienal Internacional M\u00fasica &amp; Educa\u00e7\u00e3o (BIME) e o projeto <em>Pesquisa Musical<\/em>. Esses projetos envolver\u00e3o as tr\u00eas coordena\u00e7\u00f5es da Funarte, M\u00fasica Popular, M\u00fasica Erudita e Bandas de M\u00fasica. \u201cTeremos pain\u00e9is e palestras sobre as tr\u00eas \u00e1reas. Inicialmente, ser\u00e3o convidadas iniciativas de forma\u00e7\u00e3o musical de sucesso, nas quais a essa atividade transformou a vida das pessoas\u201d, anuncia Marcos. A ideia da Bienal \u00e9 articular os projetos que relacionam m\u00fasica e educa\u00e7\u00e3o, nos tr\u00eas campos do Centro da M\u00fasica \u2013 incluindo m\u00fasicos, produtores e gestores de outros pa\u00edses. \u201cTalvez a forma\u00e7\u00e3o seja o ponto mais comum \u00e0s tr\u00eas \u00e1reas do Cemus, popular, erudita e bandas de m\u00fasica \u2013 o maior elemento de liga\u00e7\u00e3o entre elas, diante de toda a pluralidade da m\u00fasica \u2013\u201d, argumenta o diretor.<\/p>\n<p>J\u00e1 o projeto de pesquisa musical tem como meta fortalecer e ampliar a \u00e1rea da pesquisa na Funarte. Ele estabelece tr\u00eas a\u00e7\u00f5es principais:<br \/>\n1. Disponibiliza\u00e7\u00e3o online dos cat\u00e1logos e edi\u00e7\u00f5es de livros de m\u00fasica da Funarte;<br \/>\n2. Publica\u00e7\u00e3o de volumes de ensaios cr\u00edticos sobre m\u00fasica brasileira, atrav\u00e9s da sele\u00e7\u00e3o de novos ensa\u00edstas e cr\u00edticos;<br \/>\n3. <em>Projeto Promo\u00e7\u00e3o Internacional: <\/em>Produ\u00e7\u00e3o de colet\u00e2neas de m\u00fasica brasileira (erudita, popular e de bandas de m\u00fasica) em tr\u00eas l\u00ednguas, para disponibiliza\u00e7\u00e3o no portal da Funarte.<\/p>\n<p>O direcionamento conceitual e a organiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es da triagem do acervo, da escrita dos ensaios e da formula\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o das partituras ficar\u00e1 sob responsabilidade do ex-diretor do Centro da M\u00fasica, Marcos Lacerda, que fez a transi\u00e7\u00e3o para a entrada de Marcos Souza. \u201cFoi um m\u00eas de atua\u00e7\u00e3o conjunta bem-sucedida, antes da minha nomea\u00e7\u00e3o. Toda as perspectivas e projetos em pauta me foram informados. Foi uma transi\u00e7\u00e3o exemplar. Tanto que o Lacerda continua na equipe, agora coordenando esse novo projeto de pesquisa\u201d, declara.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ser\u00e1 desenvolvido o projeto <em>M\u00fasica &amp; tecnologia<\/em>; e haver\u00e1 o apoio ao <em>Semin\u00e1rio Nacional de M\u00fasica de Viola.<\/em><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Programa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Marcos vai criar, tamb\u00e9m, uma ampla programa\u00e7\u00e3o musical, que integrar\u00e1 quatro espa\u00e7os musicais da Funarte: o Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro; a sala Guiomar Novaes, em S\u00e3o Paulo, o Galp\u00e3o 1, em Belo Horizonte, e a sala C\u00e1ssia Eller, em Bras\u00edlia. A programa\u00e7\u00e3o ter\u00e1 curadoria mista, reunindo o Centro da M\u00fasica e cr\u00edticos convidados; e contar\u00e1 com m\u00fasicos de concerto, coletivos art\u00edsticos, produtores e cr\u00edticos, al\u00e9m de artistas considerados mais contempor\u00e2neos da m\u00fasica popular. Cada dia da semana ser\u00e1 destinado a um tema, com diferentes modalidades da m\u00fasica cl\u00e1ssica, pluralidade de g\u00eaneros e diversidade de ritmos na m\u00fasica popular, al\u00e9m de um programa dirigido \u00e0 m\u00fasica de concerto para o p\u00fablico infantil, o <em>Blim Blem Blom<\/em>, apresentado por Tim Rescala. Ritmos tradicionais, como samba, choro, bai\u00e3o e frevo estar\u00e3o lado a lado com novas experimenta\u00e7\u00f5es sonoras de cunho mais cosmopolita; e trabalhos que ficam no limiar entre a m\u00fasica e diferentes linguagens art\u00edsticas \u2013 como o cinema, a literatura, as artes visuais e o teatro.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">A Funarte<\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem \u00e1rea geogr\u00e1fica enorme e imensa diversidade musical \u2013 dizem que s\u00e3o mais de 400 ritmos catalogados\u201d, diz o novo diretor. Ele ressalta a dimens\u00e3o nacional da Funarte e o seu papel na articula\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o da m\u00fasica feita no Brasil: \u201cA Funda\u00e7\u00e3o deve agregar, informar, formar e incentivar o meio musical e o p\u00fablico. Vim pra c\u00e1 porque n\u00e3o existe outra entidade que possa fazer isso nacionalmente\u201d; e destaca a necessidade urgente de se fazer com que a m\u00fasica volte a fazer parte do dia a dia do povo brasileiro: \u201cQuero que a Funarte esteja presente na vida musical brasileira, com capilaridade; que leve a m\u00fasica a todo o Brasil\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO Brasil tem uma potencialidade musical enorme!\u201d, \u00e9 o que diz o novo diretor do Centro da M\u00fasica da Funarte, Marcos Souza. 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