Funarte lamenta a morte precoce do ator e humorista Paulo Gustavo, aos 42 anos

Humorista Paulo Gustavo - Foto: reprodução Facebook

Um dos artistas mais amados pelo público brasileiro, Paulo Gustavo, faleceu nesta última terça-feira, 4 de maio, em um hospital particular em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. O ator, dramaturgo e diretor estava internado desde o dia 13 de março, por conta da covid 19 e morreu devido às complicações da doença. Entre seus personagens, está Dona Hermínia, protagonista de “Minha Mãe é Uma Peça”, filme brasileiro com maior bilheteria da história. O artista era conhecido por colocar alegria, amor e espontaneidade em tudo que fazia.

Essas qualidades foram mencionadas por amigos, parentes e colegas do humorista; e também por anônimos, nas diversas homenagens que o artista vinha recebendo, desde a internação. Uma “corrente” de fé foi formada em torno de sua recuperação e se tornou assunto comentado na mídia. Após a confirmação do falecimento, a comoção generalizada também foi grande.

Ator Paulo Gustavo – Foto: reprodução de rede social

Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros, ou simplesmente Paulo Gustavo, nasceu em 30 de outubro de 1978, em Niterói, município da Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Paulo Gustavo foi comediante, escritor, roteirista, produtor e encenador.

Criado em uma família de classe média, era filho de Déa Lúcia Vieira Amaral – que o inspirou a criar a personagem Dona Hermínia – e Júlio Márcio Monteiro de Barros. Tinha uma irmã, Juliana Amaral. O ator deixa o marido, o médico dermatologista Thales Bretas, e dois filhos pequenos, Gael e Romeu.

Paulo Gustavo se formou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), na Capital Fluminense, em 2005, na mesma turma do humorista, apresentador e amigo Fábio Porchat. A primeira peça da qual participou foi O surto (2004), em que dividia a direção com Fernando Caruso. Foi nesse espetáculo que, pela primeira vez, fez o papel de Dona Hermínia, que marcaria sua carreira para sempre.

Com o monólogo de sua autoria, Minha Mãe é uma Peça, em 2006, Paulo Gustavo deu início à sua trajetória vitoriosa. O trabalho memorável ganhou mais algumas versões, como uma franquia adaptada para o cinema, e um livro, escrito pelo próprio ator.

D. Hermínia, personagem mais famoso do humorista Paulo Gustavo – Foto: reprodução de rede social

Baseado em cenas familiares e cotidianas, a obra conquistou o Brasil e teve uma trajetória de enorme êxito, em produções como o campeão de bilheteria Minha Mãe é Uma Peça: O Filme (2013), que rendeu duas continuações. Nas temporadas dos três filmes somadas, foram vendidos mais de 26 milhões de ingressos, entre 2013 e 2020. O terceiro título teve a maior arrecadação da história do cinema brasileiro, com R$ 182 milhões de bilheteria.

Além desse sucesso, o ator se destacou pelos filmes Os homens são de Marte… e é para lá que eu vou (2014) e Minha vida em Marte (2018), nos quais contracenou com a atriz e amiga Mônica Martelli. Também fez parte do elenco de Divã (2009), vivendo o cabeleireiro Renée. Esse seu personagem ganhou uma versão para a TV, em 2011.

Paulo Gustavo também trabalhou na TV fechada, nos programas 220 Volts, Vai que Cola e A Vila. O seu personagem Valdomiro Lacerda, da série Vai que Cola, ganhou uma versão para o cinema, em 2015. Participou de outras séries na TV aberta, como A Diarista e Sítio do Pica Pau Amarelo.

Em 17 anos de trabalho, o artista atuou nas montagens teatrais Surto (2004-2005); Infraturas (2005-2006); João Ternura (2006); Minha Mãe é uma Peça (2006); Hiperativo (2010-2016), 220 Volts (2016). Como forma de retribuir toda a ajuda da mãe para a sua carreira, Paulo Gustavo criou a peça Filho da mãe, na qual dividia o palco com Dona Déa. para cantar e contar histórias.

Na televisão, Paulo trabalhou no episódio Prova de Amor, Minha Nada Mole Vida, de A Diarista (2006); no Sítio do Pica Pau Amarelo (2007); em Faça Sua História, da série Casos e Acasos; Divã (2011); em 220 Volts (2011-2013 e 2016); em O Fantástico Mundo de Gregório (2012); como apresentador do Prêmio Multishow de Música Brasileira (2012-2015; 2019-2020); em Vai que Cola (2013-2017; 2019-2020); como apresentador, em Paulo Gustavo na Estrada (2014);e em Ferdinando Show (2015), A Vila (2017), e Minha Mãe é uma Peça – A Série (2020).

O comediante deixou sua marca no cinema, ao atuar nos filmes A Guerra dos Rocha (2008); Divã e Xuxa em O Mistério de Feiurinha (2009); Minha Mãe É uma Peça: O Filme (2013); Os Homens São de Marte… e É pra lá que Eu Vou (2014); Vai que Cola – O Filme (2015); Minha Mãe é uma Peça 2 (2016); Fala Sério, Mãe! (2017); Minha Vida em Marte (2018); Minha Mãe É uma Peça 3 (2019) e 220 Volts – O Filme (2020).

Diversas homenagens estão sendo feitas por amigos, parentes, colegas, fãs e anônimos como forma de amenizar um pouco a dor da perda do humorista. Nomes como Lulu Santos, Deborah Secco, Marcelo Adnet, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Mônica Martelli, Fábio Porchat, Marcus Majella, dentre outros, deixaram mensagens por meio dos seus perfis nas redes sociais.

A coordenadora de Teatro da Funarte, Renata Januzzi, deixou sua homenagem ao amigo e colega de turma da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL).

“Tristeza não combina com ele. Meu colega de turma na CAL. Nossas turmas se juntaram apenas no último período. Mas quem não conhecia o Paulo? Não foi só um grande homem, tinha um enorme coração! Abraço forte, ombro amigo. Não deixava ninguém desanimar ou desistir de seus sonhos. Nada foi fácil para ele. Certa vez me encontrou chorando por ter perdido um papel importante em uma montagem na CAL.

Fiquei arrasada porque ganhei uma personagem com apenas uma fala. Ele me “sacudiu” e contou uma história linda sobre uma atriz que só dizia “amém” ao fim do espetáculo e era aplaudida de pé! Nunca esqueci! Nem o ensinamento e nem o gesto desse que seria um dos maiores humoristas desse país.

Anos depois eu estava trabalhando em outra área, longe do teatro e enfrentei uma fila enorme para receber o autógrafo dele. Ele me puxou em um canto e perguntou: “O que está fazendo? Porque não está no palco?” E o autógrafo que me deu foi uma ordem:  “Renata Januzzi, volta já pro teatro!”.

Eu não estou no palco, mas estou perto do nosso sagrado ofício e santuário como coordenadora de Teatro de uma fundação. Ele foi o responsável por dar um novo ânimo em minha vida. E quantas e quantas vidas ele abençoou através do seu talento e amor pelo próximo! Vá em paz, meu amigo! Receba todo amor de seus amigos e fãs!”, afirma, emocionada, a coordenadora.

A diretora do Centro de Artes Cênicas da Funarte, Naura Schneider, também prestou um tributo ao artista. “Paulo Gustavo conseguiu, com um talento ímpar, nos dar muitas respostas. Através do riso e de suas personagens tão reais e verdadeiras, nos mostrou que a arte é um caminho para o conhecimento e também para o autoconhecimento. Esse ator que amou tanto sua arte nos deixou um trabalho lindo que fala de amor, de sorrir e de transformar. Obrigada, Paulo Gustavo, por nos ensinar que a arte é maior do que a nossa própria existência”, ressalta.

A cidade natal do ator, Niterói, vai promover um grande aplauso coletivo na noite desta quarta-feira, dia 5 de maio, às 20h. A população foi convocada pela prefeitura a aplaudir o ator e todas as vítimas da covid-19. Foi decretado luto municipal de três dias, pelas mais de 400 mil vidas perdidas na pandemia, em especial a do artista. A mudança do nome de uma rua para homenagear o Paulo Gustavo também está nos planos dos gestores.

Segundo os familiares, o corpo do ator será cremado amanhã, na quinta-feira, dia 6 de maio. Para que não haja aglomeração, o local não foi divulgado. A cerimônia será restrita aos amigos e familiares.

A Fundação Nacional de Artes – Funarte se solidariza com a família, os amigos e os fãs do artista, que tanta alegria trouxe ao Brasil. Paulo Gustavo, sua alegria permanecerá conosco. Nosso eterno aplauso! Vá em paz!

Com informações do site Segredos do Mundo, do Portal R7; e do G1 Portal de Notícias

 

 

 

 

 

 

 

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